domingo, janeiro 30, 2005

A seriedade ... e a alucinação efémera

Santana, apesar de óptimo jogador de palavreado, começa a ver na escassez de recursos temáticos, a necessidade de uns desvios de atenções acerca dos reais e mais agudos problemas nacionais. Assim sendo começa a disparar em qualquer sentido sobre assuntos de importância secundária face às nossas necessidades mais prementes. Agora desafiou Sócrates a pronunciar-se sobre o casamento entre homossexuais, como se tal fosse de grande importância para quem vai votar no dia 20 de Fevereiro. É claro que também demonstrou, mais uma vez, que não leu com atenção o programa eleitoral do PS, ou então o seu acessor para a informação devê-lo-ia ter elucidado melhor sobre essa problemática. Aliás nota-se um certo nervosismo, mal disfarçado, nesta campanha do PSD, que se pauta pelos ataques desbragados e constantes desvios de trajectória temática, talvez procurando ocultar um medo, ou quiçá fobia, pela não elegebilidade e ainda mais pela hipotética maioria do PS, propalada por várias sondagens. Certo é que sondagens são prospecções aleatórias e com margens de falhanço e erro já muito conhecidas, no entanto têm interesse e servem, quando muito para assustar pessoas inseguras como o Dr. Pedro Santana Lopes, que ainda vai culpabilizar estas sondagens de terem sido a causa da sua esperada derrota, e queda pessoal no seio do seu partido, onde já não falta a fila de nomes para a sucessão. Depois chorará agarrado ao passado, vergado e dobrado perante a imagem de Sá Carneiro, e culpando tudo e todos de o perseguirem sem motivos...será afinal o esquecimento de um falso mito, uma alucinação efémera.

terça-feira, janeiro 25, 2005

os turbo-médicos

Sempre achei alguma graça aos turbo-profissionais livres, e agora vejo retratado o problema noutro blogue, o causa-nossa, Luis Lavoura, que me parece um adepto fervoroso da exclusividade dos médicos, aspecto que não me repugna, mas que também entendo não ter sido, nem continuar a ser, benefício para as instituições de Saúde.
Digo que não é benefício para essas instituições por vários motivos. Primeiro porque sei, por experiência e vivência próprias, que os médicos que trabalham no regime de exclusividade das 42 horas, ou seja apenas mais 7 horas (teóricas), não realizam, nos hospitais que trabalham, mais serviço que os da não exclusividade (os das 35 horas). Muitas vezes, e basta comparar rentabilidades nessas instituições, até são menos produtivos e mais lentos, pois não estão habituados a maior intensidade de trabalho, como é exigida na clínica privada (mais exigente, quer em hospitais, clínicas ou consultórios privados), além de, muitas vezes manterem o senso comum de funcionários públicos dolentes, com trabalho para se ir fazendo, lento pede sed secure.
Quando refiro que a diferença de 7 horas, das 35 para as 42 horas, é teórico, digo-o com toda a segurança, porque quem trabalha 35 horas acaba por fazer semanalmente mais 12 de urgência geral, logo perfaz 47 horas, o que transcende o tempo legal. Depois, até há bem pouco tempo, e desde o célebre dec.-lei 73/90 (da Dra. Leonor Beleza), as horas extras, que custam a todos os trabalhadores da mesma forma, eram pagas a preço de saldo aos trabalhadores das 35 horas, ou seja a quase metade do preço..
Além da rentabilidade e produtividade não ser maior, também as alcavalas dos clínicos da exclusividade são notórias, e basta ler aquele decreto-lei. Assim, em cada 4 anos de serviço, esses médicos têm mais um ano de serviço efectivo, além dos honorários serem quase o dobro dos das 35 horas. Têm preferência para participar em Congressos e Cursos médicos; a partir dos 55 anos começam a ter descontos no horário, à razão de uma hora em cada ano, até chegar às tais 35 horas; quando se reformam, o valor dessa reforma é em função do ordenado que recebiam, daí muitos (espertos, é claro) mudarem para regime de exclusividade por volta dos 55 anos de idade...não os critico.
Se na data em que entrou em vigor este sistema de trabalho houvesse uma aderência de apenas 90% dos médicos efectivos (pouco mais de 20.000, nessa altura) o SNS ia estoirar com o orçamento para a Saúde, só nos honorários médicos. É questão de regredir no tempo e fazerem-se as contas.
Quanto à pretensa promiscuidade, público/privado, que poderia ter levado a este sistema de exclusividade, devo dizer que ele mesmo é mais promíscuo ao permitir certos clínicos deste regime (os mais graduados e directores de serviços) fazerem serviço privado dentro da instituição com gastos de material e pessoal da mesma, além de poderem ter, dentro do hospital, quartos particulares reservados em seu nome...e esta hein?!...Vem no decreto, caros amigos.
Sempre me admirei por ver os comunistas defenderem "para trabalho igual salário igual", mas aqui, nesta discrepância, nunca os ouvi senão apoiar...entendo-os!
Todavia não sou contra os que se aproveitaram e aproveitam do sistema, e até acho que com certas variantes e bons honorários aos clínicos, este sistema poderia ser melhor utilizado, mas sem tantas alcavalas para uns e castigos, repito, castigos para outros.
Só quem não trabalha no meio do sistema não o conhece...e quanto a profissionais e seus comportamentos apenas rematarei: há MÉDICOS e médicos, grandezas e fraquezas...
O assunto, bem esmiuçado, tem pano para mangas...

domingo, janeiro 23, 2005

Efemérides



No passado dia 19/01/05 completou 82 anos o poeta Eugénio de Andrade, (José Fontinha, de seu nome) nascido na Póvoa da Atalaia, Fundão. Não queria deixar passar a recente efeméride, de um homem que não se misturou com grupos ou tertúlias sonantes, nem se emiscuíu em movimentos de estilo colectivo, deixando-se na sua natural simplicidade embalar apenas na cristalina doçura das palavras que sempre tão bem esmerilou. Em sua homenagem vou deixar aqui uma bela prosa poética que deixou escrita na “MEMÓRIA DOUTRO RIO”:

ENQUANTO ESCREVIA

Enquanto escrevia, uma árvore começou a penetrar-me lentamente a mão direita. A noite chegava com esses antiquíssimos mantos; a árvore ia crescendo, escolhendo para domínio as águas mais espessas do meu corpo. Era realmente eu, este homem sem desejos de outro corpo estendido ao lado? Já não me lembro, passava os dias a dormir à sombra daquela árvore, era o último verão. Às vezes sentia passar o vento, e pedia apenas uma pátria, uma pátria pequena e limpa como a palma da mão. Isso pedia; como se tivesse sede.



***



Estamos também a viver o centenário do eternamente relembrado Rafael Bordalo Pinheiro, filho e irmão doutros artistas, um verdadeiro crítico de costumes que caricaturou o Povo português duma forma original e humorada que prevalecerá para sempre na nossa e na memória dos tempos.
Hoje, como alguém disse, seria bastante difícil aplicar-se a mordacidade que ele utilizou contra personalidades da época sem ter de se haver com frequentes processos judiciais. Naquele tempo era admirado e aqueles que satirizava acabavam por negligenciar o facto e até se tornavam seus amigos. Entendiam, muitos deles, que, eram um verdadeiro elogio, as sátiras que lhes dedicava, pois só caricaturava pessoas importantes e dignas de reparo.

Quem não conhece as suas representações do “Zé Povinho”, que bem satirizou o comodismo, parolice e ingenuidade do nosso povo, à data com muitíssimo menor índice de literacia. Recordo, na minha aldeia, em tascas manhosas e prolíferas, aquela imagem do “Zé Povinho” a fazer manguito, acoplado a um ditado de grande interesse para o tasqueiro: “Queres fiado? Toma”. É claro que nessa minha meninice, nem sequer me passaria pela ideia que tal imagem fosse um ícone satírico, à portuguesa, e de autoria de tal artista e caricaturista. Hoje muitas das suas sátiras continuam vivas e aplicáveis à actual realidade, e até, sem menosprezo para os nossos bons cartoonistas e caricaturistas, gostaria de ver como representaria ele o nosso actual primeiro ministro e outros “cromos” nacionais, desde a política ao jet-set plástico, desde o desporto ao estereotipado mundo artístico. Seria de rir desbragadadamente...mas não faltariam os tais processos e queixas judiciais, hoje levantados por tudo e por nada, para bem de muitos advogados quase desempregados, mas para retardo (voluntário?) de importantes processos que jazem em gavetas e amontoados de papel velho, autêntico repasto de ácaros e sedimento de poeiras.

terça-feira, janeiro 18, 2005

O vil metal...alguns palpam-no...outros cheiram-no, à distância

Não pretendo divagar sobre os principescos mergulhos em nóveis paragens petrolíferas, nem criticar quem luta contra ventos e marés, pois esta é a ciclópica saga dum povo que, de seu, apenas tem o primeiro nome de baptismo. Todavia nem todos são Tónios ou Manéis, para além de sobrenomes herdados de infortúnios acumulados e lutas perdidas. No entanto todos têm mãos para trabalhar, neurónios para queimar e vontade de lutar contra os tais "ventos e marés" que, para uns, serão simples tempestades em copos de água, mas, para a maioria, são autêntico "tsunami". Também os seus estômagos são prolongamento dos esófagos, mas os alimentos que os preenchem variam de acordo com ventos e marés...entenda-se a parábola.
Há bolsos e bolsas, uns cheios, outros vazios, uns de belo tecido, outros de ganga, uns rotos, outros bem forrados...mas sempre se dirão bolsos e bolsas, para além das suas características essenciais. Do mesmo modo um homem não deixa de o ser, se melhor ou pior vestido, se rico ou pobre, se patrão ou empregado, se senhor ou escravo...mas, na realidade, há os "infra-homens"...e todos os dias nos rodeam, nos surgem em cada esquina...quase os atropelamos.
É claro que já prevejo as críticas considerando que estas "palavras gastas", de tão repetidas, só podem sair de mais um "comuna" explorado, mais um deserdado da pátria (se sim, quem o deserdou?). Ilações precipitadas fazem muitos inteligentes passarem por ignorantes, e receio que muitas conclusões evidenciem tanta "cabeça de iluminado".Não se trata de uma obsessão de miserável ou preguiçoso, mas sempre me foge a palavra para tantos que, sem mérito nem competência (tirando a do princípio de Peter), vivem refasteladamente, à custa do suor de grande maioria que, impotente, se deixa acomodada, num país que sempre foi de acomodados, e a nossa História, essencialmente pós Descobertas, é disso testemunho, como poderei mostrar noutra altura.
Passemos às razões de tanta "efabulação", baseados em factos e anti-factos. Todos sabemos que os políticos devem ser razoavelmente bem pagos e ninguém o negará, mas, há ordenados e ordenados, regalias e regalias; também há políticos e políticos, gastos e gastos...mas, na política, há sempre um bode expiatório: a coisa pública.O que é público, logicamente é do Estado...que somos todos nós. É o bê-á-bá da política, sabido desde o pé rapado ao mais abastado. No entanto, o que é público sempre aguçou apetites privados, e na política não há excepção.
Há, na função pública, como em qualquer sector laboral, bons e maus profissionais, no entanto a ralé da função pública é que é conotada de improdutiva, isentando-se aqueles que passam pelas esferas do poder e consomem a maior fatia do nosso erário público. É sabido que haverá na administração pública alguns excedentes de funcionalismo em determinados sectores, mas também nos efémeros funcionários do poder político há excedentes (e de que maneira!). Vejamos qual a necessidade de tantos deputados no Parlamento? Qual a necessidade de tantos acessores políticos em determinados ministérios? Porquê tantos gestores e administradores de empresas públicas?...enfim, um nunca mais acabar de tachos e desnecessárias ocupações.E os gastos materiais, a logística? Para quê tantos e tão caros automóveis ao serviço dos grupos políticos, em todos os sectores incluindo empresas públicas onde pululam os boys da conjuntura. Porquê tantos benefícios desde combustíveis ao desbarato, almoços à farta, telemóveis, viagens de "pseudo" representações, etc... E as vergonhosas subvenções que auferem todos os que passaram por lugares políticos, avaliadas de forma displicente, que não é aplicável a quem trabalha em qualquer lugar normal de função pública. Porventura algum funcionário público vulgar, técnico superior ou não, vê, quase duplicado, o seu tempo efectivo de serviço, para fins de reformas ou subvenções futuras? Se um funcionário público comum tem que trabalhar vinte anos, e descontar outros tantos, para que lhe contem, na totalidade, para reforma, porque razão um político que trabalha como presidente de câmara dez anos quase lhe contam vinte de tempo de serviço para fins de subvenções, mesmo só tendo descontado dez anos para os fundos públicos...terá lógica? Acabam por ganhar por anos que não trabalharam nem descontaram. Ser trabalhador público com milhentas de horas nocturnas de serviço, fins de semana perdidos, etc., é bem mais custoso que ser presidente de câmara ou deputado. E regalias? Nem vê-las...
Pois é, meus amigos, é nisto que faltou e sempre faltará coragem política aos governantes, para pôr termo a estes privilégios dos que delapidam a grande fatia dos dinheiros públicos...e depois, quem passa por mau da fita, é o funcionário público menor.Expliquem a lógica dessa hipervalorização de tempo de serviço para uns e não para outros. Porquê indivíduos reformados com maiores "ordenados" que alguns, no activo, que desempenham iguais funções às que aqueles desempenharam? Haverá razões que expliquem o facto de Mira Amaral receber, após retirada da CGD, mais que o Presidente da República? Nem falo doutros...
Não são invejas, meus caros. Trata-se, isso sim, de distribuir melhor e mais justamente as benesses, pois todos somos filhos da lusa pátria.Daria os meus louvores, e o povo agradeceria ao próximo Governo, uma revisão justa destas mordomias, retirando-as de imediato, mesmo a quem já delas beneficia, e repondo-lhes apenas um justo salário ou reforma, de molde a não depauperar mais o nosso erário público, nem criar injustiças entre um povo já causticado de tanto "apertar o cinto", para engorda dos protegidos pelas classes dominantes, a coberto de ínvias legalidades.Enquanto alguns desperdiçam o vil metal, outros apenas o cheiram à distância...é a sina deste povo...até quando?

terça-feira, janeiro 11, 2005

hospitais SA...ditos sem alma e sem autonomia

Sócrates diz, aliás promete, que os hospitais SA não deverão ser entregues a empresas privadas, e creio que essa foi sempre a ideia do PS quando pensou no modelo empresarial: empresa sim, mas com capital de Estado, e regida nos moldes empresariais, com gestão racional, bem fiscalizada, orientada para a modernidade. Rentabilizar a empresa pública, mas sem dar o tesouro aos bandidos. Claro que não faltavam já grupos económicos interessados em usufruir de tudo o que o erário público construíu, a preços de chuva, depois de Luis Filipe Pereira, com subfinanciamento desses hospitais, como sabemos, dar como evidência caprina que o modelo em regime misto (público/privado) não era rentável, nem passível de boa gestão.
Engana-se quem pensa que os desumanizados modelos empresariais resolviam os problemas da saúde em Portugal. Mesmo os grandes grupos económicos só pretendiam rentabilizar determinadas áreas médicas, em detrimento doutras, pouco rentáveis (exº, Medicinas, Oncologias...), e isso iria concerteza gerar conflitos entre os profissionais, também eles pagos como mercenários e sob avaliações de desempenho dúbias e injustas.
Como se sabe os hospitais SA até hoje não provaram ser melhores que os SPA, nem tiveram qualquer acréscimo de qualidade e eficiência em relação ao seu estado anterior, quando trabalhavam para regime corrente de SNS. Este era o 12º melhor do mundo, mas tinha defeitos que se poderiam corrigir sem prejudicar as populações servidas. Era necessário, isso sim, acabar com os desperdícios, roubos e preguicite crónica de muitos funcionários. Vieram os gestores, muitos deles inabilitados e deslocados de ramos opostos à saúde, só para serem bem remunerados, por pertencerem ao SISTEMA político vigente. Filhos e afilhados, como sempre foi. A função desses gestores é simplesmente reciclarem toda a responsabilidade dos vários Directores de Serviços, e apenas a estruturarem, mesmo assim acolitados por administradores adjuntos, também muito bem remunerados para a sua pouca rentabilidade e funcionalidade. Além disso tiveram direito a automóveis novos, pagos por todos nós, em leasing, para se poderem deslocar mesmo fora de serviço laboral, e parece que, com direito final sobre esse mesmo veículo, pagando o valor residual de leasing. Telemóveis à barda para trabalho, mas não só...claro. E os outros funcionários hospitalares? Se querem coisas de valor têm que as comprar...e assim vai economicamente a eficácia dos hospitais SA, em que gestores e administradores dos 31 hospitais ganham juntos, mais que metade dos auxiliares de acção médica desses hospitais , em conjunto. E isto será gerir os nossos interesses? É preciso ter vergonha, porque isto é apenas uma amostra do poder dos políticos neste país, a classe que come cerca de metade do valor dos honorários da Função Pública, mas depois acham que os funcionários públicos estão bem pagos...só se estão a olhar para as próprias carteiras.
Só para rematar direi que a desumanização nos hospitais SA é tal que o utente não passa de mero CLIENTE, como em qualquer supermercado. Em muitos casos não têm direito a transportes para tratamentos, e os que têm reformas miseráveis deixam o total do ordenado nos táxis...ou optam por morrer sem tratamentos. Isto é sério, não é demagogia. Basta interrogar certos doentes e eis a confirmação. E as Urgências? Um autêntico caos, essencialmente nos hospitais que adoptaram o sistema de Manchester nas prioridades de atendimento, e ainda mais grave se tiverem o sistema informático ALERT, uma chucha dos Médicos na Internet...quem quizer que pesquise e vai tirar ilações de doer a cabeça!

terça-feira, janeiro 04, 2005

Do conhecimento das coisas desconhecidas...ínvias legalidades

Imagine-se um médico que trabalha muitos anos num determinado hospital e que, por artes do inimaginável, se lembram de chamar para uma Direcção Regional de Saúde e pedir-lhe que defenda o bom nome e toda a actividade doutro hospital que se rege doutra forma e que difere do seu, além de ficar enquadrado noutra plataforma social, económica e geográfica. Por muita similaridade entre as duas instituições, entendo absurdo falar-se em nome e defesa do que se desconhece. O mesmo será aplicável noutras áreas, desde o ensino a actividades económicas, comerciais e outras.
Tomemos agora um Luís Filipe Meneses ou António José Seguro, que moram algures que não Braga, mas alguns esconsos iluminados se lembram de colocar como figuras de proa na representatividade parlamentar referente a este último distrito que desconhecem por dentro e ignoram por fora...e sabe-se lá que mais! No entanto serão eleitos como legítimos representantes das necessidades daquela cidade, distrito e seus habitantes! Será isto lógico e razoável? Fará algum sentido?
No entanto parece que é legal e muitos partidos lá vão colocando aquelas mascotes políticas personalizadas, mas ignorantes do meio e seus problemas...enfim, uma carnavalesca atitude partidária, em nome do sucesso do número de eleitos.
Mas será que, por terem nas suas fileiras o Dr. Luís Filipe Meneses ou o Dr. António José Seguro, esses partidos vão conseguir melhores resultados nesses círculos eleitorais? E se fossem outras personalidades, quiçá “menos ilustres” a nível nacional, mas mais conhecidas nesses círculos eleitorais, não seriam mais apelativas e positivas para o povo que representam, e não seriam até mais capazes? Que significado real e político terão aqueles dois nomes das máquinas partidárias para o povo profundo daquela cidade e arredores. Creio que pouco mais que zero, e o que os catapulta para a elegibilidade é, sem qualquer margem para dúvidas o nome do partido que os alberga. Gostaria de os ver, figuras pessoais, ao serviço de um qualquer partido minoritário...seriam relegados para o esquecimento e baú da pouca utilidade política, indiferentemente do seu indiscutível valor como homens e políticos.
E os rostos das primeiras figuras, em todos os círculos eleitorais, continuam a ser sempre os mesmos de governações anteriores, usurpadores de lugares eternos, à sombra dos seus partidos, como se não exista quem melhor represente o seu povo e a sua terra. Por esta razão a estagnação deste país é cada vez mais acentuada e evidente, mas só os implicados neste facto não o vêem com realismo. Apenas pretendem um falso prestígio, as mordomias e benesses que todos sabemos, pois ninguém, que se sinta lesado nos seus interesses, se vai manter em continuidade de funções...ou serão estupidamente masoquistas?