sábado, agosto 27, 2005

férias...momento destempado...e destapado!

Também chegou a minha vez de ir de férias. Gramei um verão de incendiários à solta e PM no Quénia...além doutras férias, doutros fulanos, cicranos e quejandos, muitos gozando acima das suas posses, sem que ninguém tenha nada com isso, mas que gozam os prazeres da vida, "sui generis", mas por vezes até gozam com o povo...uma gozação.

É que às vezes, falam contra os outros, o seu "modus vivendi", mas não reparam que têm telhados de vidro...todos temos! Uns mais...outros menos!

Por norma somos quase sempre do contra...anti-qualquer-coisa, anti-tudo, anti-nós-próprios!...uma autêntica antítese do que deveríamos ser.Mas...cada um é como...

Nada que não se saiba. A política vai aquecer com as novas candidaturas do "outrora, já o foram", no mínimo três figuras de proa, numbarco que se adivinha em abalroamento e afundamento...mais dia, menos dia...e nem só eu o digo! De Jerónimo (não-apache, não-índio), até Soares (não suarás muito, hiper-fixe!), passando por Cavaco (ainda algo encavacado...mexa-se Prof.!...) e desaguando noutras personalidas menos "heavy-people", tudo vai fumegar pós autárquicas. Mas não cairão, nem "Carmo, nem Trindade"...a roleta continuará a girar, cada vez com "mais igual" velocidade...mas o tempo vai-se escoando, no gomil da muitas vidas.

E tudo isto, porque vou iniciar uma fase de relaxe temporário, sem trabalho obrigatório e sem recurso a este pequeno e humilde "cavaqueador" de aleatórias escriturices.

Prometo ser mais assíduo no futuro, e quiçá mais acutilante...mesmo que não me aumentem o salário de deputado da abstenção. Afinal atá não ganho mal, para o pouco que aqui faço!...Aqui todos estarão de acordo...e muito logicamente.

Até breve!

terça-feira, agosto 16, 2005

Lazer...distância...esquecimento...línguas de fogo

Antigamente, quando se pegava incêndio a uma casa da minha aldeia, era habitual, em caso de ausência do senhorio, chamá-lo, em gritaria louca, com "aqui-del-rei" e "fogo". É óbvio que, de imediato, localizado o mesmo, este corria, a bom correr, para defender os seus bens, quer o prédio quer o seu conteúdo. Mal dele se o não fizesse, pois seria considerado um verdadeiro louco.
Pois é, a nossa pátria tem ardido, num desespero lancinante, e aquele que elegemos recentemente para dirigir os seus destinos, encontra-se ausente, embora informado, e não parece mostrar vontade de acudir um pouco ao objecto das suas incumbências. Porquê? O seu substituto, co-gestor do quinhão, acha que será desnecessária a sua presença? Creio que é um pouco isso, mas devo frisar que não me parece boa atitude a do principal gestor da parcela em perda, essencialmente quando na mesma vivem e sobrevivem milhares de amigos e compatriotas que vão perdendo as suas partes da grande fatia, alguns as suas vidas, outros a esperança de um futuro melhor.
Não se poderia, mesmo à distância, sem interferir minimamente no usufruto das suas horas de lazer e prazer, lançar uma palavra de apoio e solidariedade para com os massacrados inquilinos da parcela? Não existirão meios sofisticados de telecomunicação capazes de lhe permitir essa atitude solidária? Ou será que a terriola (?) onde relaxa de prazer, em férias algo precipitadas para quem não havia ainda cumprido o tempo legal de actividade que lhas permitisse, não tem esses meios de massificação? Não acho, não acredito, não sou, nem somos todos parvos, apesar de até podermos ser tomados como tal. Não defendo que abdicasse do gozo das férias, com os filhos a quem as prometeu, e não deveria torná-los infelizes, mas deveria utilizar os meios de comunicação possíveis e dirigir-se ao seu povo, que o elegeu para as graças e desgraças. Uma mensagem de solidariedade, como referi.
Não sei, realmente, se este nosso Sócrates, apesar de aparentemente ser bom rapaz, será pragmático e racional. Se Descartes dizia "cogito ergo sum" (penso, logo existo), parece-me que o nosso primeiro ministro não sabe se pensa, nem se existe, embora viva para a existência feliz, infelizmente impensada. Gostaríamos que existisse para pensar mais no seu povo e no que lhe prometeu, sem se manter distanciado, ausente dos seus compromissos assumidos, numa quase assumida inexistência temporária. Sei que são trocadilhos verbais, quiçá inopinados, mas que se aplicam, aplicam.
Até simpatizo, convenhamos, com o nosso PM, mas entendo que ele deveria tomar uma atitude de solidariedade, à distância, usando um pouco da sua imagem ainda (?) pouco chamuscada, para, pelo menos, mostrar que até está connosco e sofre dos mesmos sentimentos pelos infortúnios de muitos compatriotas, vítimas dos incêndios e dos terroristas incendiários.
E por falar destes últimos terroristas, alguns pirómanos doentios a necessitar de jaula e disciplina monástica, outros autênticas remanescências de aliados e seguidores da Al-Quaeda, que lhes deveríamos fazer? Aplicar o Código de Hamurabi? Olho por olho, dente por dente? Carbonizá-los, com a mesma indiferença que os move, dentro do braseiro que eles próprios criaram?
Talvez não tanto radicalismo ou estertores de vingança, mas é necessária legislação muitíssimo mais pesada para os criminosos do fogo posto e, nunca se esqueçam, dos seus mentores, com interesses que deverão ser indagados até à medula. Leis que rejam as propriedades, o seu conteúdo, os destinos da terra e das árvores, as transacções dessas terras e seus produtos, e as intenções de quem quer transformar o verde em betão.

terça-feira, agosto 02, 2005

Soares...um Alegre não Manuel

Sempre adorei poesia de Manuel Alegre, essencialmente nos tempos da intervenção política pré-vinte-cinco-de-Abril. Chorava-se de ódio contra o sistema faccioso e fascista, e declamavam-se as palavras e armas, clamando aos ventos passantes as novas deste País.

Sentia na poesia de Manuel Alegre esforços e laivos de contestação e luta, as memórias do exílio e a temáticada guerra colonial:
Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal.
Passei os olhos pelas suas obras iniciais: Praça da Canção (1965, a sua primeira obra); O Canto e as Armas (1967); Um Barco para Ítaca (1971), e depois outras obras, mas cujo eco não me era tão querido, face a um país em decadência. É claro que num contexto político actual, estas poesias já não concitam ideias e sentimentos dessa minha juventude de conceitos desalinhados. Mas ainda me fervem nos neurónios e fazem-me reviver ousadias daqueles tempos.
Ora não é que este poeta, hoje um político de monta (mas não tanto!) nas fileiras do PS, não se disponibiliza para a lista dos perfilados à Presidência da República? Fica-lhe bem tal disponibilidade, mas nas desgraças e tempo que passa, não sei se será oportuno para ele tal facto. No seu lugar já não aceitaria tal proposta, mesmo que ela partisse do seu PS. Acho que poucos dos políticos socialistas que fazem da política um emprego lucrativo (mais quando se larga a efectividade) o apoiariam cordialmente e com emoção necessária a eventos deste cariz e pesado simbolismo. Não é que o Manuel Alegre não mereça ser um poeta Presidente...para nós até seria motivo de orgulho, mas assim, desta forma, com um outro candidato a candidato a intrometer-se...Deus proteja o poeta!
É claro que no fundo do meu portuguesismo (já foi mais intenso) não critico o Dr. Mário Soares, por aceitar um autêntico empurrão dos socráticos para avançar, pela terceira vez, para Belém, mas...mas, tal não lhe ficará muito bem, apesar de inédito na nova República. A velhice é um posto, muito mais quando a lucidez prevalece. Não me parece que o homem enferme de Alzheimer, essencialmente quando se analisam as suas crónicas e opiniões dos últimos tempos. Só quem o detesta (como o Portas!) poderá tirar tal ilação. Penso que Soares ainda terá sensatez e saúde suficiente para, pelo menos mais um mandato...e se não concluir, gastem-se mais uns euros em novas eleições antecipadas...o povo está habituado a pagar isto tudo, mai-las mordomias dessa corja toda.
Manuel Alegre não reunirá consensos dentro do PS, Soares parece-me um recurso "in extremis" dos socialistas que pretendem manter uma hegemonia rosa. Todavia, atentemos que Cavaco não será fácil de roer e, como muitos pensam, talvez Sócrates possa conviver politicamente melhor com Cavaco que com Soares.
Soares poderá ser boa e eficaz alternativa ao poeta Alegre, mas não me parece ser a melhor solução, embora a escassez de recursos impere nas hostes socialistas...e isto é o que faz a não renovação de quadros...os "caras" são sempre os mesmos dos últimos trinta anos de esbanjamento de dinheiros nacionais.
Alguém terá que ser o candidato, mas se o poeta, dignamente, renunciar, terá que relembrar a letra e a música que lhe e me ficaram concerteza no coração:
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.