terça-feira, novembro 13, 2007

A Lua já não chora por nós...e lá vamos secando















O ano tem sido seco, duma secura quase equiparada à dos pobres portugueses que tanto desejam nos seus bolsos mais algum dinheiro, mas a aridez continua a progredir para autêntica desertificação e mumificação carnal.



Melhoram as perfomances políticas, dizem, mas piora a inflação versus ganhos remuneratórios dos pobres trabalhadores.




Já se adivinha mais um próximo ano de sacrifícios gigantescos, sempre para os mesmos, com futuro risonho para gestores e empresários que verão engordar a sua fatia, não à proporção de 2,1%, mas quiçá de 21% e mais, já que 2,1%, como todos sabemos da Matemática-Simplex, em quem ganha 100 euros é mesmo e apenas 2,1 euros, mas para quem ganha 1000 euros já serão 21 euros...e assim progressivamente. O fosso entre ricos e pobres continua a crescer, o leque salarial, entre os mais e os menos, é cada vez mais "ENORMÍSSIMO" e, qualquer destes próximos dias de 2008, as estatísticas dirão que em Portugal a riqueza dos 20% mais ricos, desta "espelunca-pseudo-país", em relação aos 20% mais pobres, passará dos 8,5% para os 10%, enquanto nos outros países "europeus" se manterá a diferença nos +/- 4%. Razão para os "esqueletos nacionais", algo parecidos com gente que pensa e estrebucha, desabafarem: "Ah!, Sôr Inginhero, isto é que é gubernar, cum caraças!"




Entretanto, na aridez do terreno, decorrem as danças do "pede-chuva", os rios continuam a deslizar na quase vacuidade e poluição excêntricas, e a Lua, brilhando entre a névoa das corujas e mochos famintos, deixa mergulhar num pseudo-espelho fluvial a sua face triste e dolente. Mas não pode soltar lágrimas pelos eternos desgraçados desta Pátria que vai secando e mingando, pobre País, ao som das palmas de meia dúzia de "lambe-botas" dum sistema que apenas drena riqueza para montante e miséria para jusante. É o País que temos e, reafirmo, até merecemos, mas uns mais que outros.

terça-feira, agosto 07, 2007

Eis-me vergado...não submisso


Passo pelas esquinas de muitas ausências, mas nunca me esqueço das sombras que deixei presas a tantas penumbras de passados inapagáveis.

O fluxo, através das margens que paradas parecem, não me deixa estacado na profundidade do quase esquecimento temporário, de quem nunca se demora abandonado nas imagens reflectidas do seu contra-luz.

Ultrapasso a essência desses reflexos impalpáveis e quedo-me na interiorização dum ego quase absoluto. Absoluto no desejo e na esperança dos amanhãs que vogam na voragem dum tempo indizível, instável e repetitivo.

As minhas sombras de ontem, empapadas nas incisuras graníticas dum tempo iterativo, deixam laivos de mim, para tantos como eu que só reparam nas sombras dum futuro indecifrável e ignoto.

A minha bola de cristal nada me diz de mim, nem das minhas sombras e penumbras, mas deixa-me antever um futuro que, por cinética inevitável, é fruto de uma lenta valsa de construtores de mortes inadiáveis, num cemitério desde sempre anunciado.

Buscando, já não rebusco os arquétipos que argonautas do impossível tentaram erigir sobre margens de luz e infinito sem alicerces.

Morro, como todos, uma infinitésima parte da minha existência, em cada segundo de Cronos adormecido.

Se algum dia acordar deste Tanatos inevitável, chegarei concerteza à Domus deificada de Penates renascidos e Fénix retornada.

terça-feira, junho 19, 2007

nunca me esqueçam...ainda pulso

É deveras frustante chegar aqui tão tarde, pisando marcas indeléveis quase apagadas, nas areias movediças da memória que não perdi.
Deambulei por longínquos esquecimentos de mim e doutros que, só de leve, vi perpassar pelos meus sentidos adormecidos. Politicamente me sinto, e consinto, rebelde de ideias que não plagio, mas rebusco nas sendas do incorrectamente tramado por políticos obliquamente projectados num país distorcido e vazio de memórias.
Sou português por inoculação espermática, num território de bandidos armados em heróis que nunca foram. Heróis serão os masoquistas tolerantes cujo poder se esvai na vaidade de terem amigos rotulados de VIP's, eivados de tonalidades elitistas preconceituais e vazias de sentido.
Discutem destinos e traçam veredas, labirintos dentro, desconexos e contorcidos. As verdadeiras estrelas rumam no vácuo de vaidades balofas, e iluminam as cores desbotadas dum cosmos incolor, num contrasenso de ideias que se entrechocam nos erróneos conceitos de sabedoria.
Não ensandeci e mantenho o meu estatuto de homo erectus, representante virtual, não desvirtuado, dum povo que se levanta para elogiar balofices de pseudo-políticos, autênticos polvos e vampiros do sangue alheio, espremido até ao derradeiro glóbulo rubro...e ao rubro fico eu!
Também sonho, mas não me iludo com pesadelos que exalam dos púlpitos de sanguessugas politizadas por dinheiros sacados à pressão de extorsionários, ao abrigo de decretos-lei por si criados e aclamados. Leis ao sabor da cor do dinheiro que vão extorquindo... in nomine Dei.
Calar não me calam, que a boca é minha!

domingo, março 25, 2007

FACTOS E ANTI-FACTOS


O mundo português continua na sua obsessiva marcha triunfal rumo ao afundamento no Atlântico do nosso descontentamento.
Vá lá que de quando em vez aparece um bode expiatório, nem que seja no futebol da eurolândia, que nos permite as descargas biliares e suporta os nossos desgostos doutros sectores, dando azo aos nossos momentos de euforia possível, no contexto de tantas desgraças cotidianas.

Todos nos entristecemos, uns mais outros menos, com as revoltas no seio do CDS-PP, e até parece que um novo JOTA CHRISTUS, regressa para salvação dum partido em fractura e sumiço progressivo. De seu nome o PP, "logos" que adicionou para perpetuação do seu cunho ao então apenas CDS, logrou andar de feira em feira, "in illo tempore" para se refastelar temporariamente no Poder que sempre foi e será a sua ambição. Pode ser que um dia os seus seguidores, depois de novo reaparecimento, pós destruição de "amigos" no topo do "Clube", acabem por concluir que as suas quase apoteóticas "reentradas" não passam de ambições meramente pessoais... como sempre. Parece, no entanto, que um dia o feitiço ir-se-á virar contra o feiticeiro, mas necessário será que os seus apoiantes, também eles em busca de protagonismo, abram bem os olhos e vejam o que qualquer cego vê.

Mário Soares foi esquecido pelo actual Presidente da República, no que concerne aos festejos dos cinquenta anos do Tratado de Roma. Claro que nada vai mudar o rumo da nossa história no que se relaciona com o protagonismo dos dois na nossa entrada na União Europeia. Todavia seria bom questionar: quem mais lutou no passado para que fossemos admitidos na U.E., o Prof. Aníbal ou o Dr Mário Soares.
Creio que todos sabem isso, pelo que me recuso dar protagonismo maior a quem na realidade o teve. Se bom ou mau, se bem ou mal, cada um de nós tem opinião formada e, se não tem, que a forme.
Acredito que o Prof. Aníbal não deverá ter receios de ser secundarizado pelos "importantões" da U.E. perante a presença do Dr. Soares, pois uma actual "Estrela" não pode ser ofuscada por um, também actual "Cometa". Mas duma coisa tenho a certeza, o "Cometa" acabaria por ter mais amigos e ser mais felicitado que a "Estrela", doesse a quem doesse. Aliás o "Cometa" já ocupou todos os cargos que a actual "Estrela" ocupou e ocupa, portanto e apesar de experiências diferentes acabarão por cair no mesmo Panteão das nossas lusitanas graças e desgraças.

Parece, para finalizar, que desta feita dão razão a quem sempre desmascarou os "gestores" de empresas públicas, com remunerações acumuladas e de autênticos nababos. E depois é o pobre do "funcionariozito" público que emagrece o erário nacional. Ridículo, só cegos não viam, mas enquanto ganharam e ganham vou aumentado conta bancária e não sei se o Engenheiro os obrigará a entregar os excessos remuneratórios ao referido erário nacional. De certeza que não... Sócrates não mexe grande coisa na "massa" política, interessa-lhe é zurzir nos "funcionariozitos" e noutras parcas alcavalas, que não naquelas

domingo, fevereiro 04, 2007

SIM e NÃO... Responder à questão e não ao seu envolvimento.

Sendo o actual referendo sobre a IVG tema de vanguarda, vou hoje aqui transcrever um post que publico noutro meu blog ( http://sol.sapo.pt/blogs/domisol/default.aspx ) de servidor diferente. É que os leitores de um e de outro, não serão certamente os mesmos, pelo que entendo oportuna a dupla publicação.

Se me perguntarem se quero comer um peixe, responderei se "sim" ou "não", e não vou questionar se algum pescador morreu na pesca desse peixe, ou se a mesma pesca é fruto de tanto e penoso sofrimento, quer no acto em si, quer nos salários e condições de vida dos pescadores. Se na mesma pergunta me questionarem se quero o peixe pescado por um pescador "ignorante e com Tuberculose ou Sida" ou por um "saudável", talvez chame nomes feios a quem mo pergunte, pois para o caso não me parece que seja importante em relação ao que pretendo comer. Na questão objectiva fala-se da minha "vontade ou não" (apetite) de comer um peixe”.

Como já repararam, pois o facto está na berlinda e enche páginas de jornais e revistas, apregoa-se em rádios, televisões, conferências (e até sessões religiosas), a questão acima pretende ser um paralelo com a questão colocada para a "despenalização de interrupção voluntária da gravidez se realizada... nas primeiras dez semanas". É óbvio que a primeira parte da questão é mesmo essa, o verdadeiro objectivo de "
descriminalizar o acto" de aborto até àquele período de gestação fetal. Sem qualquer dúvida interpretativa, ali não se pergunta se pretendemos "liberalizar o aborto cometido até às 10 semanas".

A palavra
liberalizar implica um certo sentido de libertinagem social, neste caso, de irresponsabilidade e generalização do acto de "abortar", em si mesmo. Creio que não deveremos tomar a generalidade pelos casos objectivos e parciais, de forma a pensarmos que se vai verificar um autêntico" boom" de abortos, por "dá cá aquela palha", como se todas as mulheres em idade fértil, só porque a maioria da consciência colectiva nacional lhes permitia, legalmente, optar por "aborto", sem criminalização, começassem a "abortar por desporto", transformando o seu útero num necrotério permanente e dando cabo da sua própria saúde. Será que essas mulheres serão anormais e irresponsáveis? Haverá realmente quem pense que abortar é um verdadeiro desporto, que se pratica "livremente" (entenda-se "em libertinagem"), tentando lançar lama e vergonha nos rostos das mulheres em idade fértil?

Abortar é sofrer física e psiquicamente, fazer outros sofrer, para além do estigma da perda do feto que poderia transformar-se num ser humano de grandioso valor para a sociedade e humanidade. Todavia procurem-se nas listagens de abortantes voluntárias, até hoje, quantas dessas gestações eram desejadas. Podem apontar nos vossos canhenhos que
NENHUMA GRAVIDEZ DESEJADA LEVA AO ABORTO VOLUNTÁRIO. Quem pensar o contrário anda simplesmente enganado. Quem deseja a sua gravidez leva-a até ao fim. Claro que algumas das abortantes até desejariam chegar ao fim da gravidez, mas outras circunstâncias adversas as levam à quebra do seu forte desejo. E serão estas circunstâncias adversas que as levam ao actual "crime" da prática abortiva.

E quem as ajuda a levar o seu desejo (quando existe) até ao fim? Serão os que tanto apregoam o NÃO à descriminalização? Podem crer que não acredito, pois hoje andam, na sua maioria, cheios de força e entusiasmo a travar-se de razões da sua escolha, mas amanhã esse entusiasmo vai desaparecer do coração de quase todos eles, embora pudessem realmente continuar a lutar para que as gravidezes indesejadas fossem reduzidas. Acho que não sou injusto ao dizer isto, pois há oito anos atrás ganhou o NÃO, e tudo ficou na mesma ou até pior. E que fizeram de notório os que nessa altura lutaram pela sua opção "NÃO"? Alguém os viu, em número e actos dignos de se ver? Acho que não.
Mesmo agora, se o NÃO ganhar, será que vão fazer essa luta social e informativa que até agora tão poucos fizeram e fazem... mesmo com ajuda dos do SIM? Esqueçam, pois as mulheres continuarão a ser olhadas de viés, com dardos de reprovação e vergonha, caso sintam "necessidade" de cometer aborto. Foi sempre mais fácil criticar e castigar do que ajudar, pois o egoísmo leva ao desinteresse e este ao esquecimento.

Porquê a opção pertencer à mulher?
Todos sabemos que só ela poderá decidir se quer ou não levar a termo a sua gravidez, pois mesmo que ninguém a ajude nos seus desígnios ela acabará por abortar, mesmo com perigo de vida, por muito que isso custe aos outros, incluindo o pai da futura criança e todos os seus familiares e amigos. É inevitável, pois só ela decidirá se quer ou não quer o filho, sempre que este seja indesejável. Logo, teremos que admitir que a questão colocada, com opção da mulher, está correcta. Aliás, nunca será demais repetir que a totalidade de abortos correspondem a gravidezes indesejadas, eivadas de “pecado” ou “fortes impossibilidades” de as consumar.

Há dias ouvi alguém dizer que a mulher não “peca” quando lhe retiram do corpo parte ou totalidade de um qualquer dos seus orgãos (apêndice ileocecal, vesícula biliar, etc.), porque não lhe são alheios e fazem parte do seu próprio organismo. Contudo dizem que o feto até às dez semanas não faz parte do seu corpo, pois será já uma segunda identidade. Tem algo de verdade, mas não corresponde totalmente à verdade. Porquê?
O embrião às dez semanas tem 6,1 a 9 cm de tamanho e a maioria dos orgãos estão formados, em amadurecimento, excepto o cérebro e a espinal medula. Não tem viabilidade, pois não consegue, por si só, sem o corpo da mãe, sobreviver. Quer isto dizer que se a mãe morrer acidentalmente até esta fase fetal, o embrião, como inviável que é, morrerá também. Tal significa que é ainda um apêndice da própria mãe e sem qualquer autonomia. Para que tivesse viabilidade fora do útero materno, teria que ter minimamente 24 a 25 semanas, caso contrário MORRERÁ SEMPRE que A MÃE MORRER, tal como a vesícula biliar, apêndice ileocecal e demais orgãos corporais da sua mãe. Eis a grande verdade que NINGUÉM poderá negar ou escamotear.
Aliás, ainda recentemente Mário Sousa, investigador e professor de Biologia Celular no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, disse
:”... até às 24 semanas, o feto é um anexo sem autonomia, sem capacidade de sobrevida e sem consciência, pelo que a primazia deve ser dada à mulher...”.
Trata-se pois de um ser em transformação, sem consciência, sem alma, sem viabilidade possível. Ainda está “descerebrado”, não podendo ser considerado indivíduo humano, com cérebro funcional, coisa que nos diferencia dos restantes seres. Só a partir da 24ª semana surgem a percepção dolorosa e função cerebral... está cientificamente provado. Não deveremos esquecer que o feto se move nessa fase por acto reflexo, não consciente, como vemos mexer outros seres vivos, não racionais.
Porventura já se viu, como muitos dizem e com razão, a nível religioso, proceder-se ao baptismo ou funeral de um feto, mesmo até às 24 semanas? Já que a Igreja tanto preza, e bem, a vida, porque não fala com racionalidade e conhecimento de causa, sendo, pelo contrário, o maior motor de resistência à questão da despenalização, com informações a raiar o terror e o libelo acusatório às “pobres mulheres”. Afinal esquece que levando as mulheres ao aborto sem condições de segurança (pois disso é que se trata no referendo) acaba por apoiar a sua possível morte por falta dessas condições, pelo que, a sermos racionais, deduzimos que a Igreja e seus seguidores nesta causa, apoiam a cultura da morte das mulheres, em detrimento da do embrião. Onde está pois a lógica e a moralidade?

Estamos de acordo que a realizar-se um aborto, o mesmo seja feito com assistência médica e segurança clínica e higiénica. Logo, o ideal serão os hospitais, ou clínicas autorizadas para o facto. Discute-se se com dinheiro dos nossos impostos, mas eu questiono: não vivem os toxicodependentes, com ou sem SIDA, Hepatite C, ou Tuberculose, e a maioria das comunidades ciganas, para já não falar dos “penduras” da segurança social, à custa dos nossos impostos? E, já agora, não são os nossos impostos que pagam as mordomias exageradas de todos os governantes e gestores públicos? Esqueceram-se disso, ou não convém falar?

Dentro do conceito de Vida/Morte, será que um embrião, até às dez semanas de gestação, tem direito ao mesmo Estatuto de protecção Jurídica e Ética que um ser humano, ou seja, a sua mãe? Pelo acima descrito, creio que nesse campo, haverá concerteza diferenças indiscutíveis, que obviamente favorecerão a Mãe.

Pretendi, à luz da razão e da justiça, emitir alguns dados polémicos, mas que me parecem indiscutíveis na sua maioria. Acho que NINGUÉM é defensor da MORTE, embora alguns deixem, injusta e irracionalmente, transparecer isso na sua campanha à actual “descriminalização da IVG” sob certos condicionalismos.
Não podemos, como é óbvio, estar todos do mesmo lado da barricada, face à nossa diversidade e diferentes formas de pensar e agir. Todavia não nos cabe o direito de vilipendiar e estigmatizar terceiros, só porque não pensam como nós. O nosso entendimento deverá ser feito de discussão sadia, com adversidade , mas sem inimizade, caso contrário alimentaremos o caos entre a humanidade e, consequentemente a sua auto-destruição.
Uma coisa é certa, quer os defensores do NÃO, quer os do SIM, deverão lutar para que sejam criadas futuramente as melhores condições que favoreçam o mínimo recurso possível ao aborto, procurando criar uma consciencialização de todas as pessoas, e não só das mulheres férteis, para a grandiosidade que é o acto de maternidade. Lutar contra a “libertinagem” de comportamentos sexuais, que me parecem ser uma das primeiras barreiras a vencer.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Novo ano ... novos horizontes

Novo ano, novas aventuras para quem tanto tempo esteve longe das tricas deste espaço. Hoje rebusco novas ondulações para ancorar e navegar na voragem e quietude da paisagem mundana.
Este fim de Ano 2006, não saí de forma alguma, mas também não entrei de igual modo no 2007. Simplesmente continuei a zarpagem rumo a novo Annus Horrendus...melhor que o antecessor não se prevê. Todavia faremos esforços ciclópicos para florirmos o vindouro que em lenta agonia se degladiará numa batalha eterna entre ricos e pobres. Sabe-se de antemão quem vencerá...tu...ele...vós...eles...nem eu, nem nós!
Vaticinar será óptimo...prever, um erro de "Nostradamus" anquilosados. Morra Da Vinci e similares ...Vivam todos os deuses menores!
Ninguém fugirá ao "fatum" da continuidade no desespero. Desesperamos porque não possuímos o délico-doce elixir da sempre eterna existência (esta mesma um "fogo-fátuo")!
Corremos, quais crianças inocentes, atrás duma vivência lodosa e alicerçada na morte, procurando evitar o inevitável. Mas vivemos... mesmo que não convivámos. O outro não passa, muitas vezes, de uma sombra que não a nossa, e se aloja na penumbra da própria morte que nos envolve num quotidiano de agrestes sensações.
E lá seguimos pelas veredas do fictício "nunca" que vai desembocar na realidade do sonho desfeito.
Vai valendo a alienação que nos suga e lança na busca dos desejos inacabados.
Sem anseios e esperança acabaremos por alimentar a precocidade de Tanatos e lançaremos os males da caixa de Pandora no etéreo espaço.