terça-feira, novembro 18, 2008

Factos e antifactos..."EDUCARE"























Hoje convido os meus visitantes deste recanto a clicarem no artigo que publiquei noutro blogue, do SOL http://sol.sapo.pt/blogs/domisol/default.aspx .

Como homenagem aos professores queria deixar aqui, e perante a renitência da Ministra que continua intransigente, dois poemas da "net", que desde já agradeço aos seus autores:

Professor, missão ingrata, profissão nobre,
que ensina as crianças, a ler e a escrever,
não podia deixar de ser cantado por este pobre,
que recebeu da Escola a instrução e o saber.

Escola, fonte do saber e da cultura,
escuta o gotejar do meu pranto de saudade,
do tempo de menino e da inocência pura,
do pião, do berlinde, naquela tenra idade.

Professor, escuta bem o que te digo!
São palavras dum antigo aluno, dum amigo,
que durante a vida, nunca te irá esquecer.

Sem ti, eu seria um inútil, um boémio, um vadio,
um verme, uma besta, o corpo dum animal bravio,
atirado p’ra valeta, moribundo, p’ra morrer...

(Antero Sampaio)


Professor!
Aquele ser especial
Que se emociona quando o aluno cresce
Que sorri quando escutam sua lição
Que aprende tanto quanto ensina
Cuja sabedoria está em saber ouvir
Em saber calar
Que ensina muito mais do
Escrever e contar
Ensina lições da vida
Lições do que é amar
A lição de ser um verdadeiro homem
Um verdadeiro cidadão
E quando todos vão embora diante da luta
Ele está à frente da batalha
E não desiste nunca
Sabe que em suas mãos
Está a solução do país
Somente pela educação
Um povo pode ser feliz

(Sirlei L. Passolongo)



sábado, novembro 08, 2008

modelo de avaliação...injustiça...manifestação










Na realidade só quem é cego não vê, mas o Governo, fazendo jus às medidas absurdas de uma Ministra da Educação já marcada pelo desgaste e imagem embaciada, continua a pretender manter um braço de ferro com os docentes, eles próprios desgastados pelo excesso burocrático e múltiplos contrasensos de um modelo de avaliação que não pode realmente vingar. Não creio que este Governo seja masoquista, ao ponto de assumir a crítica nacional duma classe que deveria ser mais dignificada e, assim, se vê na contingência de efectuar mais uma das maiores manifestações de descontentamento nacional. Todos nos lembramos da grandiosa manifestação efectuada há cerca de oito meses, mas sem que ninguém dela tirasse as necessárias ilações. Nada mudou e apenas o desgaste e descontentamento da classe docente se agravaram, com um crescente e visível desconforto dos alunos e seus representantes, gerando-se um autêntico novelo de incertezas. O futuro dirá se esta atitude do Governo de Sócrates irá ter quaisquer benefícios para todos os intervenientes no projecto de educação nacional, mas pessoalmente acredito que a política de M. L. Rodrigues deveria ser mais flexível e ter um maior sentido de justiça dentro da classe docente.

É realmente anacrónico e inexplicável, o que actualmente se passa com os professores que, num ápice, e perante o sorriso sardónico e viperino de M.L.R, com assentimento do Governo e do Provedor de Justiça, se vêem metidos numa autêntica salgalhada de injustiças profissionais, para desgraça de alguns e satisfação de outros, dentro da própria classe. Avaliação sim, mas olhemos os antecedentes e a metodologia.


Primeiramente vejámos como poderá um docente ser avaliado por um colega subalterno, menos graduado, que mercê de um disparatado concurso de acesso a professor titular, em que lhe eram exigidos menos pontos, aliás nenhuns, para obtenção do posto, acabou por ascender a uma posição que lhe permite ser avaliador de colegas em escalão superior, mais antigos na carreira, mas a quem exigiram uma cota alta de pontuação, mínimo 95 pontos, para obter o mesmo posto, e sem lhes contarem o seu passado de dirigentes e docentes com tarefas importantes, limitando-os a um curtíssimo período de actividade docente. Porventura já imaginaram um médico do internato geral ou complementar a avaliar o desempenho dum assistente hospitalar ou dum consultor, chefe de serviço? Ridículo, ofensivo para o avaliado e até uma afronta para o avaliador, embora haja aí avaliadores, que até nem são professores (são educadores de infância, pertencentes aos agrupamentos de Escola) que regozijam por poderem avaliar verdadeiros professores, que até poderiam ter sido os seus quando passaram pelo "Ciclo" ou até pelo "Secundário". Vejam bem a injustiça e, acima de tudo, o desaforo duma Ministra que aprova tudo isto, apoiada pelo Governo e com assentimento dum Provedor de Justiça (que poderá estar mal informado e pior documentado). Esta é a verdade incontestável e provada do que se passa em muitas escolas.

Da mesma forma, como será possível que um professor, que também vai ser futuro concorrente na sua progressão na carreira, seja avaliado por outro que vai ser seu opositor na mesma ascencão nessa carreira? Só não prejudicará o seu avaliado se for "lerdinho" "masoquista" ou demasiado sério e honesto, o que não acredito. Se tem na mão a faca e o queijo para avaliar o seu colega opositor na progressão de escalão, é claro que não vai "auto-prejudicar-se". Não será isto um autêntico atropelo e até uma verdadeira utopia na luta inter-pares? Mais uma vez, só esta Ministra e este Governo não querem ver o evidente. Basta ir aos estabelecimentos de ensino e verificar estas verdades incontestáveis. Porque não param de cometer tais injustiças? Que ódios de ordem social os movem? Senhor Provedor de Justiça, confirme estas grandes verdades e ponha cobro a tanta loucura junta.

Já não pretendo falar da enorme sobrecarga de horas de trabalho, extracurriculares, que prejudicam toda uma vida familiar de milhares de professores, que se vêem assim afastados do convívio com os filhos, esposos, pais etc., em detrimento duma escola que não merece tanto sacrifício, já que os alunos até podem transitar de ano com "chumbos" a quase todas as disciplinas, e até já se preparam para, em nome do tão apregoado "sucesso escolar" obrigar, sim obrigar, os professores a "transitar de ano" todos os alunos até aos doze (12) anos de idade. Não será de admirar, pois a minha esposa que é professora, este ano tem na turma, do 5º ano, um aluno que não conhece os algarismos de um (1) a dez (10), oriundo de uma escola do concelho, e que trazia no seu "curriculum" um pedido da sua professora primária (Ensino Básico): que não fossem aplicados ao aluno, quaisquer ensinamentos, que fossem além do primeiro ano de escolaridade obrigatória. Isto é verdade, acontece, em locais que não pertencem ao "cu de Judas". Mas ninguém quer saber, e o garoto terá que transitar de ano, a fazer jus às políticas do nosso Governo ( que poderá não ter todas as culpas, mas isento é que não está...).
Esta sobrecarga de trabalho extra-laboral e um certo desencanto e desilusão não estarão a provocar a intensa debandada de docentes para a aposentação antecipada, mesmo com prejuízo no valor das pensões de reforma a receber? É claro que sim, na sua essência, mas a Ministra tem outras desculpas obsoletas e de má pagadora. É necessário empurrá-los (aos professores mais velhos) para fora do ensino, dar lugar aos mais jovens, melhor domesticáveis por políticas obtusas, mas, em minha opinião, menos conhecedores e algo mais impreparados para os grandes desafios duma Portugalidade que se exige, embora já não para o tempo destes políticos malfadados e pára-quedistas de ocasião.


Vamos ver se esta nova manifestação dará azo a mudanças, ou se porventura a surdez e indiferença continuarão a ser lema da M.L.R. e todo um Governo extasiado pela ilusória beleza do seu umbigo.




terça-feira, abril 15, 2008

O "Sr Silva" na Shrecklândia


A chegada do "Sr Silva" ao jardim da Madeira, não foi acompanhado das regas habituais porque a pouca humidade não favoreceu a molha. A secura do jardim já vinha de longas secas, eivadas de um odor etilizado, rasando a quinta essência daquelas deletérias misturas insulares. O imperador do quintal, andava indisposto, arrotando asneiras e impropérios, de latrina em latrina, devido à ingestão de tanto poder e vaidade, dejectando, de quando em vez, o excesso dos seus desvios e atropelos.

O "Sr Silva" limitou-se a comemorar os cinco séculos de fruticultura naquele recanto jardinado, impávido no seu papel de alheamento aos bichos do quintal e até aos da madeira, apesar de alguns destes serem autênticos bichos-carpinteiros. Só que muitas vezes "malham" nos seus próprios costados e as dores vêm mais tarde.

O resto da bicharada até adorou o visitante, mas "noblesse oblige" a manter um certo distanciamento, não vá o imperador arrotar mais que o habitual e a latrina transbordar de nauseabundo fedor.

Recentemente, num autêntico velório à distância de três anos, apontaram um sucessor do Shreckiano imperador, mas não chamaram os bois pelo nome, tudo ficando em fatias de desilusão... mas adoraram o estilo e a orgia de poder.
Apesar de estiloso, o imperador tem sido agraciado, pelas suas desgraças e graças de saltimbanco, desde os catedráticos deputados aos mais despudorados e desavergonhados seguidistas. Mas, atenção, não necessita de seguranças, pois o povo, habituado a ser zurzido, não mexe um palito contra a náusea.
Vamos caminhando e vendo como a loucura se vai sedimentando, sem que a ínsula se afunde de tanto alarde e vergonha... mas sempre ajardinada até à medula, àvida de rápido e eficiente transplante. Claro que para tal medular transplante seria necessário, de acordo com o "Sr Silva", recorrer aos dinheiros do Totta.

terça-feira, abril 08, 2008

Ignomínia...na era antes-Patrícia... e pós-Patrícia






Antigamente a metodologia utilizada na indisciplina escolar, essencialmente dentro da sala de aula, era algo de intimidante, mas os professores não tinham medo, porque tinham o aval dos pais e das direcções das instituições, além de haver mais respeito de ambos os lados - docentes e educandos.

Hoje os pais, face à carestia de crianças por casal, tratam o "bijou" como se de um tesouro intocável se tratasse, e não permitem a menor repreensão e, muito menos, uma ligeira beliscadura no seu brinquedo vivo. Não podemos censurá-los pelo amor e apego, mas os exageros tornam-se nefastos e prejudiciais ao sadio desenvolvimento da criança. Além de envolverem a criança num cendal de mimo prejudicial ao seu "crescimento" social e da personalidade, cobrem-nos de mil objectos que são um autêntico sufoco da criança e um armamentário para se criar um mau ambiente nos locais de trabalho de aprendizagem e educação. Para além desses brinquedos caros, desadaptados ao local e sofisticados, os mesmos passam a "armas de arremesso" contra colegas e professores, com toda a impavidez e dislate dos queridos progenitores que apenas se desdobram em cicios de "ai, o meu menino não podia ter feito uma coisa dessas... é porque foi provocado!"

Com ou sem provocações, com ou sem discursos, o professor tem a missão de disciplinar e exigir normas de bom comportamento na sala de aula. Há regulamentos internos que apenas se limitam aos bafientos armários e gavetas das salas e gabinetes... ninguém dá cumprimentos às boas regras, e se alguém o faz, transforma-se num "bota de elástico", mais papista que o papa. Todavia, os problemas vão-se acumulando e já não são apenas da "era pós-Patrícia & C.ª", pois na "era antes-Patrícia & C.ª" já muitos distúrbios eram declarados, mas ficavam-se pelas poeirentas gavetas dos conselhos executivos. Lamentável que um evento gravado por um jovem, que apesar de indisciplinado foi corajoso, viesse, no YouTube, dar uma machadada na sonolência com que se mastigava a indisciplina nas salas de aula. Abençoado jovem o da gravação e lançamento do vídeo na "net", pois conseguiu acordar os ilustres iluminados da Educação deste miserável país de bananas (em lato sentido).

Ficámos todos a saber que a ignomínia escolar e educativa passou a reger-se por duas eras: antes e depois de Patrícia ( a menina que tinha um brinquedo que não desempenhava as suas verdadeiras funções, quer no tempo quer no lugar).


E assim vai progredindo um país, em que o mais importante é denegrir e aviltar os docentes, não importando que qualquer dia em vez de um telemóvel, uma arma daquelas que a ministra Rodrigues dizia ter conhecimento (140 participações, na era antes de Patrícia!...) seja usada sem qualquer pejo ou educação. Pena que o feitiço não se vire contra o feiticeiro...

terça-feira, janeiro 29, 2008

Caíu o Ministro...levante-se a Ministra


Eis-nos, dizem muitos e outros tantos pensam, livres de uma penhora. Na sua trajectória de saltimbanco da Saúde, palhaço de sua Alteza Socrática, o malabarista das injustiças sociais no campo das desgraças e pestes, caíu. O tombo não foi estrondoso, mas o sururu espera-se que seja. Nada o afectará economicamente, pois qualquer tacho rasando os esturros da "boyada" ser-lhe-á ofertado a breve trecho. É assim, tem sido com outros da "rebanhada" e até o bastonário da Ordem dos advogados o frisou, com unhas e dentes. Todavia nada nem ninguém tremeu na cúpula da "rebanhada". Palmas não se ouviram, a não ser as da "arraia miúda"...assobios alguns, mas na lonjura das planícies da pobreza enxovalhada com um anémico SNS a esvair-se em sangue...

Surge, na sombra, ou quiçá na penumbra, a silhueta de uma dama que não será de paus, nem de espadas, mas muito menos de ouros! Rumores se ouvem que já andou por paragens afins, mas sem atingir o tão almejado e agora conseguido ceptro. Traz o perfume agreste de quem ajudou a zurzir, doutra forma, a populaça, mas sem a nitidez do seu anterior anfitrião. Dizem que andou no Sul e Vale do Tejo, algures nas águas insalubres doutras desgraças alheias...não deixou nítidas marcas de sangue... nem no SNS, mas será que lhe vai estancar a hemorragia? Pessoalmente não creio em milagres com santos da mesma capela.

Só depois de algum caminho calcorreado, ficaremos a conhecer a verdadeira estrutura das veredas da Senhora... oxalá possamos sorrir, sem tropeçarmos nos calhaus do chão que pisaremos em conjunto, rumo à Saúde Final.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Morrer sim...mas com dignidade


Entramos neste novo ano, não do Senhor, mas dos senhores...sempre os mesmos na decisão das nossas vidas, e cada vez mais, na das nossas mortes. Pagamos tudo com dinheiro que não temos, mas nos roubam na usurpação diária, em nome da correcção dum défice que todos corrigimos, mas alguns protegidos apenas construíram. Quem não ganhou, mas trabalhou, não pode criar défices... quem muito ganhou, mas para tanto não trabalhou, esse sim gerou o monstro do défice. Portanto que lute e pague para o corrigir.

A morte não paga défices, mas os pobres vão pagando o défice criado pelos ricos, com a própria morte. Já não se marcha no sentido duma "saúde tendencialmente gratuita", mas antes "tendencialmente paga" a peso de ouro e, acima de tudo, pela perda da própria vida, num permanente mecanismo de morte lenta...

Ontem, nos "Prós e Contras" viu-se a miséria de assistência na saúde que nos espera, e que já se vinha adivinhando. Já falei disso e muitos, mais competentes que eu também o fizeram, mas as vozes do deserto são fumo que se esvai...enquanto os "donos da batuta" vão regendo a orquestra a seu belprazer e mirando apenas os seus umbigos anafados e destilando desprezo pelo semelhante que sofre e definha de miséria anunciada.

O interior vai-se esvaziando de interesse e a sua população vê-se forçada a "vazar" se quer sobreviver. A regionalização é uma promessa do impossível, perante o contexto do abandono e da falta de incentivos à fixação de populações. Só um cego ou louco, não vê que, onde não existem condições de sobrevivência nem de justiça social, o povo só ficará se pretender o suicídio. Será assim que vamos fixar as pessoas no interior, onde não há meios de transporte frequentes e apropriados às suas, cada vez maiores, necessidades de subsistência, face ao desaparecimento de SAPs e Urgências, capazes de lhes resolver atempadamente os problemas de saúde urgente? Parece ridículo retirar tantos centros assitenciais na doença das populações mal servidas de meios de transportes e com pior rede viária, e quase manter todos esses centros nos grandes centros urbanos, bem servidos de todos esses meios de mobilidade e dotadas de maiores capacidades técnicas e maior concentração de meios. Afinal a logística da saúde nacional é mesmo uma BATATA! Tira-se a quem já não tinha e dá-se ou mantém-se a quem tinha mais e melhor!
Realmente a política de Saúde resume-se na destruição dum SNS que já ocupou uma honrosa 16ª posição no ranking mundial, e agora esta em 19ª na UE, com pseudo-gestores de craveira, mas autênticos comissários políticos, pagos ao preço que todos sabemos, e com equipas que chegam em alguns hospitais EPE aos 12 e até 14 administradores! Aqui pretendo dar um "obrigado" ao Dr Almerindo Marques que vai destruir nas Estradas de Portugal as enormes mordomias e alcavalas. Oxalá o Governo começasse a copiar este magnânimo gesto em todos os Serviços Estatais, incluindo o próprio elenco governativo desde as cúpulas às Autarquias. Se tal fizesse, haveria mais dinheiro para a Saúde, Educação, Justiça e bem-estar de todo um Povo que já está a merecer que lhe aliviem as costas de tanta "porrada" e injustiça social.
Definhar sim, mas devagar e com justiça... se os ricos e protegidos gostam de comer e viver bem, os pobres gostariam pelo menos de usufruir de um terço de todo esse conforto... e não era pedir muito, na vida e na morte, pois depois da "ceifa final" todos continuaremos a ser cinza e outra poeiras.