domingo, setembro 27, 2009

Talvez uma segunda oportunidade... até Cavaco a teve!

(Post publicado em simultâneo noutros blogues do autor)

Não queria deixar de rabiscar a minha opinião sobre tudo o que nos vai fazer desaguar esta noite num pós eleitoral de alegria ou tristeza
Sejam quais forem os resultados, tal como a maioria das pessoas, acredito que ninguém será maioritário. E por esse facto já poderemos ficar descansados, pois as maiorias costumam absolutizar o poder e tornar a democracia incaracterística e algo prepotente. Depois é vê-los, os senhores das cúpulas, a brandir a bandeira da arrogância e da indiferença. Já vimos e provámos esse petisco.
Todavia, mesmo sem maioria, teremos que definir hipóteses e seleccionar esquemas de vida.
Dos habituais contendores há sempre a dupla que discute o lugar cimeiro e forma governo: ou PS ou PSD, que, coligados ou não, entre si ou com outro partido muleta, deverão formar e presidir um novo Governo. Creio que os portugueses, por atavismo ou não, continuam a ser muito conservadores nas escolhas, quase indiferentes e passivos no seu quotidiano político. Comodismo? Receio da mudança? Masoquismo? Seja lá o que for, teremos que aceitar.
Num passado não muito longínquo já tivemos PSD com e sem alianças, e em tempos de muito dinheiro da UE a entrar no País a fundo perdido. Aplicou-se bastante, mas também enriqueceram muitos políticos desse sistema, de forma fraudulenta e deixando o povo na mesma miséria. Criaram-se bancos e estruturas financeiras oportunistas, para que os novos-ricos, quase sempre ligados ao sistema político vigente, guardassem os produtos desviados fraudulentamente e quiçá as parcelas legalmente ganhas. E que se viu?
Aparecem as vergonhas dum BPN quase totalmente dominado por políticos do PSD e amigos próximos, que servia de couto para tipos sem vergonha que se serviram dos dinheiros de todos os portugueses e o aplicaram apenas em benefício próprio e dos seus. Chamar a isto políticos sérios é o mesmo que dizer que Hitler foi um governante sério e justo, salvo algumas diferenças pontuais. O pior é que governantes actuais e de suposta confiança, concediam benesses nacionais a alguns desses “ladrões do povo”. Claro que também tiveram exuberantíssimos lucros e proveitos com as fraudes cometidas, mas parecem estar alheios ao facto, como se a seriedade e honestidade fossem um saco roto. Não deverão justificações ao humilde povo que roubaram? E o castigo da Justiça, onde está? Intocáveis? Não pode ser!
É certo que muitas outras manigâncias se cometeram na alta finança portuguesa, mas curiosamente (coincidência, acaso?) só com este último Governo de Sócrates é que começaram a desvendar-se essas fraudes e abusos dos “novos-ricos” cheios de falso poder. Louvor seja dado, então a este Governo, pelo menos neste campo, em que os pseudo-poderosos começaram a ter que prestar contas de fraudulentos negócios e enriquecimentos. Governos anteriores (com telhados de vidro) nem sequer ousaram investigar… deixaram-nos continuar no “negócio”.
No tempo dos governos de Cavaco, sendo Primeiro-Ministro Mário Soares, com tanto dinheiro a entrar no País, a fundo perdido, criaram uma lei que iria beneficiar e apenas enriquecer TODOS os políticos que estivessem no activo: criaram as subvenções políticas, uma remuneração adicional à reforma, algo substancial, e que era atribuída ao fim de poucos anos de exercício político efectivo. Sabemos que quase todos os políticos ainda no activo (pois são sempre os mesmos a ocupar cargos!) e outros já aposentados (mas com tachos milionários de pseudo-gestão) são beneficiários efectivos dessa subvenção política adicional. Se ainda não a recebem, vão recebê-la, pois foi-lhes atribuída por lei, anteriormente. Só os novos, mesmo novos, que nunca foram reconduzidos nos seus cargos, é que já não vão ter direito a essa subvenção. Porquê? Porque o Governo de Sócrates, e muito bem (mais uma vez este Governo!) se dignou colocar um fim a essa vergonhosa benesse dos políticos. Já não foi sem tempo, no entanto deveria retirá-la a quem dela usufrui, pois hoje há muitos trabalhadores que já vão perder benesses normais das suas futuras reformas, mercê de nova legislação que mexeu nas “regras do jogo”. A perder, percam todos e haja moralidade!
Acusaram este Governo de muitas irregularidades e gritam-nas aos quatro ventos, mas parece que apesar de algumas dessas irregularidades, ainda conseguiu ser mais justo que governos anteriores, doa a quem doer.
Realmente também ofereceu “tachos” e um deles é o de Jorge Coelho, na Mota-Engil, que tem direitos até longas datas e “ganha” muitas empreitadas. Mas, se bem se lembram, esta benesse concedida veio tirar idêntico, ou até mais grave, “tacho” que fora concedido pelo PSD a Ferreira do Amaral, com a Luso-Ponte. E Ferreira do Amaral, já não tinha cometido erros enormes na EXPO-98, além doutras derrapagens vergonhosas em seu proveito? Não sou eu que o digo, os jornais escalpelizaram os problemas. Pois bem, embora mal, aqui, “amor com amor se paga”. No entanto deveremos continuar alerta e vigilantes, denunciando estas irregularidades e benesses.
Neste Governo houve um facto que muito me marcou, pela arrogância dos governantes, mal informados e num autêntico despique político com sindicatos de esquerda (além doutros) – a reforma do Ensino, a guerra com os professores.
Claro que aqui o Governo exagerou e procurou impor-se a uma classe que não tinha qualquer interesse numa guerra Governo/Fenprof. Também é certo que os professores, apesar de ser uma classe “a toque de campainha” (quase a única, na Função Pública) merecia que lhes corrigissem determinados vícios ancestrais, que não foram eles que criaram, mas os sistemas políticos anteriores. Refiro-me, particularmente a carga horária de luxo, essencialmente em finais de carreira, em que a componente lectiva era muitas vezes de 14 horas semanais! A componente não-lectiva não era nada de pesado e, por vezes, quase inexistente. Também a progressão na carreira era de um facilitismo notório, sem prestação de grandes provas, embora fossem avaliados (contrariamente ao que o Governo deixou transparecer), frequentando acções de formação, mas muitas delas de valor duvidoso e dificuldade quase nula.
Contudo, este Governo, como já muito propalado, criou um ECD (Estatuto de Carreira Docente), demasiado confuso, complexo e que gerou algumas injustiças inter-pares. A avaliação do desempenho tornou-se um cavalo de Tróia, uma guerra de complicados papéis. A divisão dos professores em Professor e Professor Titular, criou injustiças com criação apressada de Titulares sem regras justas e lógicas, sobejamente conhecidas. Mas, o pior de tudo, ainda foi a nova forma de Gestão Escolar, em que se deu azo a muitos oportunismos de índole política local, com escolha de Directores, maioritariamente, em período de interrupção lectiva (Páscoa). Estes Directores de Agrupamentos escolares, passaram a ter um poder absolutista, que urge modificar, e foram eleitos por um Conselho de Escola em que a maioria dos eleitores não são professores, ou seja, por exemplo, em vinte elementos apenas sete serão professores. Ora estes são, com os seus colegas de Agrupamento, as verdadeiras vítimas dos atropelos cometidos pelo excessivo poder dos Directores, que reinam a seu bel-prazer, sem, muitas vezes, ouvir opiniões dos colegas. Além disso têm um bom suplemento remuneratório para o desempenho da sua actividade e rodeiam-se de adjuntos da sua confiança que nem sempre serão os mais capazes, já que receiam o incómodo e a sombra de alguém mais bem preparado, fomentando o já conhecido Princípio de Peters, tanto em voga na política, desde a central à autárquica, além doutras. Como exemplo diga-se que para cargos de Coordenação Pedagógica são exigidos professores Titulares, mas para a Gestão Escolar e adjuntos do Director, não são necessários os Titulares! Belas hierarquias!
Claro que não vou, aqui, repetir muito do que já escrevi noutras alturas, mas queria deixar um apontamento e alerta para muitos dos professores que andaram agora em plena campanha eleitoral a reabrir as feridas que levaram às grandes greves, e justas, da classe. Alguns estão a querer passar por serem “socialistas” ou que votaram “Sócrates” nas anteriores Legislativas, mas creio que a maioria deles não votou “Socialista”. Sempre foram, ou mais à esquerda e “agentes sindicais” disfarçados ou são “PSD’s” camuflados. Creio que não enganam as pessoas, mas para esses deixo-lhes um repto e solicito-lhes que me expliquem o seguinte: acham que o PSD não queria que fosse aprovado este ECD? Então porque faltaram aqueles cerca de 30 deputados desse partido, no dia da votação deste ECD, que poderiam ter evitado, como sabem, a sua aprovação? É fácil, Manuela Ferreira Leite queria mais tarde, se ganhar estas Legislativas (o que não acredito), não ter a classe dos docentes contra ela, pelo que favoreceu estas faltas. Posteriormente seria só dar uns retoques nesse mesmo ECD, e até passaria pela melhor do mundo!
Logo a seguir veio também, muito pressuroso, o Presidente da República, aprovar e promulgar esse ECD. Claro que primeiro falou com MFL e o partido, que é o seu, por muita isenção que procure evidenciar. Veja-se agora o caso “inventado” pelo seu Gabinete sobre as “pseudo-escutas”. Porque não vetou então o documento e o promulgou? Era mais plausível que o fizesse face ao hipotético descontentamento dos seus correligionários, mas não convinha… era mais lógico vetar outros documentos que discordassem da sua fé e filosofia de vida, como o das uniões de facto (aqui a MFL impôs-se-lhe, com a disciplina partidária e o retrogradismo de ambos!). Conclusão, ao PR, tal como ao seu partido, não convinha anular a promulgação do ECD. É por demais evidente.

Dada a já longa exposição, não vou estender-me mais, deixando novo comentário para depois. No entanto, acho que na sua globalidade o Governo de Sócrates foi o melhor de todos os anteriores. Reformista, dinâmico, eficiente e, apesar da crise capitalista mundial (inegável e destruidora de todas as economias mundiais), conseguiu manter firme a nossa Economia, já de si muito frágil. Creio, pois, que merece uma segunda oportunidade de governação, pois até Cavaco a teve naquela sua longa governação, num período em que mais dinheiro a fundo perdido entrou no nosso País e desapareceu, muito dele, para enriquecer os seus amigos e correligionários. Foi assim que nasceu o BPN, quase aposto. Foi assim que nasceram as subvenções políticas a que Sócrates colocou ponto final.
Logo se verá quem ganhou e, seja qual for o resultado, a vida continuará. Que os vencedores formem um Governo que leve o País a bom cais e nos tire desta malfadada sina de sermos eternamente pobres e injustiçados.

domingo, junho 14, 2009

O País não ganha ...quando ganho "eu"

Dá vontade de rir e de chorar, mas com predomínio de riso...um riso de chacota e sardónico, perante o ranger de dentes de políticos falhados e arrogantes.
No contrasenso do "meu nome" e "representação", posso afirmar à boca cheia que, graças aos referidos políticos e falhanço dos seu sistema, ganhei uma grande fatia de "votantes", ou antes, "abstencionistas". Ironicamente, se fosse verdade, eu seria o representante do maior número de eleitores, quer neste Portugal em estertor político, quer em toda a Europa. Realmente lamentável, mas a realidade é esta...dói ao bem instalados e aos mais conscientes, mas o verdadeiro povo a que pertencemos é assim...conformado e resignado: não sabe nem quer saber, não tem nem quer ter, não luta nem quer lutar. Pretende deixar que outros pensem e façam por ele... uma verdadeira apatia!
E porquê? Podem crer que a maior culpa cabe à desgraça dos políticos que temos e que singram apoiados na apatia deste povo que exploram e dominam de forma infame e desonesta. Povo que não acredita nos políticos, embora possa acreditar em algumas políticas que não são postas em prática. Se o povo se desligou da política, a culpa vai quase inteira para os maus políticos (quase sempre os mesmos, em alternância) que geriram o País nestes 35 anos de pseudo-democracia.
As recentes eleições europeias mostraram, sem quaisquer razões para euforia dalguns e depressão doutros, que as políticas não cumpridas e a falta de bom senso político, jamais favoreceram a pretensão pela continuidade. Todavia há que estar atentos porque os falsos ganhadores não merecem o apoio do povo, nem um retorno aos erros que anteriormente cometeram e agora pretendem branquear. Será que o povo sofre de amnésia ou padece de masoquismo crónico? Não creio neste princípio e espero que nas próximas eleições saibam o que escolher. É que muitas vezes vale muito mais uma continuidade com sacrifícios, que voltar às perfídias dum poder que se diz alternativo, mas não passa de uma sanguessuga que nos levou à miséria anunciada, com espoliação do erário público e alimentação de um polvo constituido por uma classe política ávida de poder e mordomias. Acaso algum político da era PSD/AD se encontra a viver de ordenados regulares ou reformas normais? Só quem andar a léguas da realidade e das recentes polémicas do BPN e quejandos, se deixa embrulhar por falsas ideias e promessas. Qual foi o Governo, até hoje, que ousou mexer nas mordomias exageradas de gestores, políticos e outros oportunistas do Sistema?
No tempo dos Governos PSD (com ou sem CDS) ninguém mexeu com os grandes interesses económicos, ninguém mexeu nas classes mais favorecidas e até se fomentou o enriquecimennto dos que militavam no Poder instalado. Verdade que o PS pós Guterres ainda alimentou desses vícios e desfavoreceu os que trabalham quotidianamente com salários, muitas vezes, de miséria. Que raio de desenvolvimento económico teve o nosso País nestes 35 anos de alternância política? Quem procura agora, e em tempos de crise mundial, corrigir alguns (muitos) erros do passado? Quem acabou com a subvenção política (belo tacho remuneratório) dos deputados, autarcas e governantes?
Sabemos que já foi um pouco tarde e a desoras...mas sucedeu. Alguém teve a coragem que aos anteriores faltou... e mais não direi, que o povo não dorme, mas castiga na hora certa.

Tem piada o PSD cantar vitória nas eleições recentes, mas tudo não passa de uma farsa. O PSD teve cerca de 3000 votos acima dos que teve nas europeias anteriores, mas...ficou na "pole position". Na próxima corrida, com muito maior assistência, sem tantas ausências (menos que 62%) poderá voltar a perder a vantagem posicional.
À guisa de relembrança, irei transcrever algo que aqui escrevi em 11/12/2004. Qualquer coincidência com a realidade de hoje será mesmo ocasional.
Isto foi escrito antes das eleições de 20/02/2005 e, obviamentes antes da tomada de posse de Sócrates em 12/03/2005

«Alberto Caeiro, em Poemas Inconjuntos, diz: “Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais. Para qual fui injusto - eu, que as vou comer a ambas?”
Teoricamente este Governo já se foi...na prática ainda poderá causar danos colaterais se não houver anticorpos que os neutralizem. A real bagunçada já não é institucional, não se brinca num cenário político às trocas e baldrocas e os atónitos do mundo surreal já não se divertem a expensas do pobre Zé Povinho. Infelizmente ainda há nevoeiro que desaparecerá, talvez, a breve trecho, mas sumiu-se o bréu que nos envolvia. Como muitos, senti alívio dum sufoco que não escolhi, e, muitos que escolheram, sentiram-se livres duma penhora que jamais esperavam quando com boas intenções o fizeram. O tempo mostra, em devida e exacta altura, o seu contratempo. Se o fruto caíu por “bichado”, foi óptimo. A bicharada, por contiguidade, poderia minar novos frutos e seria a putrefacção global. Em bom tempo o tempo foi contratempo. Os homens adormecem inebriados no seu narcisismo que é efémero, mas o tempo, na sua real crueza, não permite eternidades balofas. Muito menos a atónitos dum mundo surreal. Vêm aí tempos de mudança e contratempos que poderão arrastar a continuidade do mesmo que, nós mesmos, queremos distante. E a continuidade poderá ter outra máscara carnavalesca, mas, subjacente, o rosto mostrará iguais cores e feições. Dóceis palavras e falsos sorrisos tentarão fazer deslizar os incautos. Cuidado, que as promessas que saem de quem não cumpriu nem agradou, não trarão novas mézinhas e as maleitas prevalecerão, por vezes mais resistentes a nova terapêutica. Na bipolaridade a que nos limitaram, teremos duas fortes opções: os mesmos, ou os quase-mesmos. As duas partes de uma mesma laranja...e sem sermos injustos, teremos que continuar a comer mais do mesmo, que as partes são semelhantes (mas não iguais).»


Afinal que nos irá reservar o próximo acto eleitoral?...Vamos andando e na altura se verá, pois a inconstância e fidelidade de um povo ditarão os resultados. Prevejo uma luta de gigantes entre os dois habituais, já que os outros apenas vão marcando presença perante um conservadorismo popular que diria doentio e masoquista quanto baste.

sábado, abril 25, 2009

Gritar Abril...pelos pobres e contra a corrupção




Hoje, para mostrar o meu desagrado pelas injustiças sócio-económicas e comemorar o espírito daquele Abril, gisado à 35 anos, decidi publicar, neste e noutro cantinho de escritas e desabafos, o mesmo texto. Para que não se busque demasiado transcrevê-lo-ei aqui, textualmente:


Passaram já 35 anos. Para gente do meu tempo ainda foi ontem, mas, para a geração dos meus filhos, tudo parece estar à margem dos acontecimentos. Só quem saboreou os tempos de antanho e provou as agruras de uma certa forma de vida, poderá ter a verdadeira noção do antes e do depois. Os jovens até aos quarenta, quarenta e cinco anos, terão os testemunhos na memória, mas a vivência jamais por eles passou, pelo menos de forma vinculativa e quiçá traumática. Viver de facto não é propriamente a mesma coisa que viver ao som dos testemunhos e resquício de imagens e documentos.
Doa a quem doer, os tempos eram outros, todos sabemos. Se temos saudades de muitas coisas boas, que as houve, também não as temos de muitas outras que, hoje, quase seriam impossíveis e até obsoletas. Não se trata de repudiar o “modus vivendi “ e carências sócio-económicas desses tempos, mas tão somente a repressão, o silêncio imposto, a censura, a opressão de actos e ideias. Liberdade era coisa de que se não dispunha, desde que algo mexesse com os “superiores interesses” da Nação, barreira delineada pela máquina do poder.
Mas afinal que nos trouxeram, de novo, estes 35 anos de maior liberdade e democracia? Na realidade um pouco mais de liberdade, com demasiada libertinagem nos cérebros mais tacanhos e abusivos, mas também uma série de injustiças sociais e económicas, ainda em crescendo.
É facto que se acabou-se a guerra com as ex-colónias, mas tal acabaria por suceder, mais ano menos ano, mesmo sem a revolta dos cravos, quase tenho a certeza disso. Ninguém pense que continuaríamos, mais tempo, com tal guerra estúpida e descabida. Marcelo Caetano sabia-o bem, talvez melhor que muitos dos que se revoltaram nesse Abril de então.
Também tivemos as portas da Europa abertas a mil sonhos que, na sua globalidade, apenas beneficiaram a fatia de novos políticos e novos ricos. Sabemos que os milhões foram aplicados em muitas obras e melhoramentos básicos para as nossas más infra-estruturas, mas, grande parte desses dinheiros que chegaram da UE, apenas reverteram em favor dos que se encontravam no poder, e seus correligionários. Foi para a nova classe política, que ainda hoje se mantém numa alternância de poder, uma autêntica chuva de dinheiros fáceis, aplicados apenas em seu proveito e de mais alguns amigos.
Realmente, estes 35 anos enriqueceram a corja política, essencialmente os "importantes" dos dois maiores partidos que se alternaram no poder, e, como não havia leis nem fiscalização para o enriquecimento ilícito, foi um “ver se te avias”. Quem mais roubasse e melhor disfarçasse, teria continuidade no poder e o respeito de milhões de ingénuos explorados que se vergavam perante senhorial canalha. Surgiu, perante os exemplos da americanice imperialista, uma casta de “pseudo-gestores”, feitos nas coxas, como sói dizer-se, e, que tal como lá, num imperialismo autofágico, acabou por trazer esta crise que castiga o povo desprotegido, mas premeia os que ilicitamente amealharam o que seria de todos, se melhor distribuido. E o efeito bola de neve continua...
Contudo, soubemos há poucos dias, que continua a não interessar aos poderosos, que se chamem os ladrões pelo nome. Poderão continuar a enriquecer ilicitamente, sem que tal seja considerado roubo, a menos que eufemisticamente lhe chamemos "lucros legais dignamente obtidos" (pobre povo português!), já que num contexto do tipo “Ali Babá e os quarenta ladrões”, o Estado (Ali Babá) ganha 60% do roubo efectuado pelos ilícitos (os quarenta ladrões...) sendo estes ganhadores de 40% do seu “legalizado” roubo. Ah, o povo, que é a vítima do roubo (pois donde haveria de sair o produto?!...), ficará a bater palmas aos intervenientes desta farsa, e continuará, eternamente a bajular quem, tão descaradamente, o assalta e, nas próximas eleições vai, subservientemente, reeleger os mesmos gatunos para o Governo da eterna alternância. O ciclo repetir-se-á “ad aeternum”, por uma simples razão: covardia, subserviência e falta de auto-confiança nas capacidades de cada um.
Os políticos, podem crer, são, na sua maioria, um bando de incompetentes, eleitos e nomeados ao abrigo do “Princípio de Peters”, e, quase sempre, são como as pilhas “Duracell”: duram, duram, duram... mas porque deixamos, podem acreditar.
Sempre ouvi dizer que o poder corrompe, mas tal só sucede com os mandantes desonestos, gatunos e mentalmente fracos. Portanto, acho que todos os governantes e gestores de empresas que se corromperam (e foram tantos, e alguns tão bem disfarçados) ou são mentalmente fracos, logo corruptíveis, ou então são gatunos e desonestos. Assim sendo deverão deixar o poder, ou a bem ou a mal, mas o povo é que deverá decidir, porque as leis são como se vê: favoráveis à corrupção, não considerando o roubo descarado como crime. Viu-se estes dias! E nada de justificar o injustificável, pois a ordem legal é neste momento: roubem, roubem quanto e como puderem, à sombra de favores e cunhas, pois o Estado agradece que o roubo seja gigantesco, para que os ladrões e o poder também enriqueçam. O Povo que se lixe, pois nasceu e vive para ser explorado pela corja dos chico-espertos, ao abrigo das leis, por estes, elaboradas
Afinal o mesmo povo subjugado e espoliado foi quem os elegeu, portanto que grame a pastilha até à dissolução final.