domingo, outubro 17, 2010

despesismo de alguns…sacrifício de todos

Os últimos acontecimentos políticos mostram-nos um panorama dantesco a curto e a longo prazo, com autêntica avalanche de opiniões emitidas quer por pressupostos “experts” quer por leigos das matérias em análise crítica. No entanto, atendendo às matérias em análise, mais concretamente as medidas necessárias para redução do défice económico nacional, com redução das despesas nacionais, vemos que praticamente todos apontam o dedo ao excessivo despesismo do Estado, reconhecendo que este remonta a cerca de duas dezenas de anos atrás. Quem não se lembra das notícias que diziam, ainda Cavaco Silva era o PM e Soares o PR, que entravam no nosso país, cerca de 1.200 milhões de contos (na data não eram euros) por dia, vindos, a fundo perdido, da UE. Não eram trocos, caros amigos, mas uma autêntica fortuna diária, que os nossos maus políticos de então e os que lhes sucederam, espatifaram de forma ignominiosa e num autêntico latrocínio regulamentado por leis que criaram à sua justa medida. Ladrões, é o termo correcto a aplicar a todos os governos destas duas décadas, que, como sabemos, foram partidários dos alternantes PSD (com ou sem CDS) e PS.
Nos primeiros anos, como a entrada de dinheiros era abundantíssima, foi um fartar de vilania com criação de BPN’s, empresas pessoais e muitos outros organismos estatais. Quase todos os políticos começaram a enriquecer de forma inexplicável, e a usufruir de mordomias nunca imaginadas, extensíveis a familiares e amigos. Criaram-se as famigeradas subvenções políticas que se juntavam às reformas dos políticos e as engordavam um pouco mais. Os poucos anos de prática política quase duplicavam os anos de serviço destes funcionários públicos feitos à pressão, mas estes sim, os funcionários públicos que hoje são ricos e ganham bons ordenados, mas melhores reformas.
Todavia sabemos que ninguém lhes vai retirar essa benesse adicional, imerecida, a que deram nome de “subvenção política”. Pois acreditem que há milhares de ex-políticos (deputados, autarcas, vereadores, ministros, secretários, etc…) que usufruem desse injusto e imoral acréscimo, numa reforma que, na sua essência, nem deveria ser de funcionário público, pois muitos só o foram enquanto efémeros políticos que colocaram os seus interesses pessoais e familiares muito acima do interesse nacional.
Os anos foram decorrendo e com os cortes cada vez maiores no influxo de dinheiros vindos da UE, as despesas mantiveram-se a bom ritmo, por vezes com maior intensidade. Mudavam-se os protagonistas políticos, mas as mordomias continuavam. Os ex-políticos eram promovidos a gestores de vários níveis em empresas estatais, EPE’s, PPP’s, etc. Bons lugares, melhor remunerados, mas ocupados por “boys” incompetentes, perdulários e oportunistas.
Na sua essência continuavam a ser funcionários públicos (mas estes, sim, bastante ricos) pois os dinheiros estatais é que lhes pagavam e pagam os ordenados e as mordomias bem conhecidas de todos os portugueses. Se reformados, com douradas reformas, também estas continuaram e continuam a sair dos cofres do Estado. Todos estes gestores contribuíram e contribuem, com uma multiplicidade de despesas, para a criação do nosso enorme défice nacional. Se continuarem com essas mordomias e ordenados, além de enterrarem as empresas que gerem, vão afundar ainda mais o País. Primeiro porque são, na maioria das empresas que dirigem, uns autênticos incompetentes, valendo-se da eficácia possível dos seus directores adjuntos e outros profissionais das referidas empresas. A comprová-lo estão os resultados observados e as múltiplas críticas de trabalhadores dessas empresas (funcionários públicos, na sua maioria de baixas remunerações e já sujeitos a vários congelamentos e cortes de promoção nas suas carreiras) .
Nos últimos tempos, descobriram-se múltiplos buracos nas contas dessas e outras empresas que evidenciaram a má gestão das mesmas. No entanto os gestores ganham bem e até dividem prémios anuais imerecidos. Os trabalhadores, esses vêem-se com iguais remunerações e novos congelamentos das carreiras, como se realmente fossem os culpados do descalabro da empresa. Mas, é a norma desde há milénios e o mexilhão é que paga sempre as favas.
Hoje vemos em vários programas das televisões e acérrimos artigos jornalísticos, autênticas mezinhas para resolução do défice, fornecidas por ex-políticos, ainda bem remunerados pela sua anterior ineficácia governamental, mas hoje detentores de soluções que na sua experiência governamental não colocaram em prática. Vale a pena perguntar-lhes porque razão obtiveram soluções tão tardias para a resolução de problemas que eles próprios alimentaram anos atrás. Não diriam que foi por interesse nacional, mas que talvez nessa altura ainda precisavam de submissão à disciplina partidária para melhor remuneração futura e aquisição de maior prestígio pessoal, ou até que globalmente amadureceram! Sim, cada um desculpa-se como achar conveniente, pois cada tempo tem suas conveniências, essencialmente para os oportunistas.
Em resumo, o País está mal, diremos péssimo, mas à custa dos oportunistas e delapidadores do erário público. Quem foram os culpados? Bom, acho que ninguém levantaria um braço, sequer um dedo, num acto de pura contricção e auto-culpabilidade, sob risco de enorme vaiadela e eventual apedrejamento em praça pública. Mais fácil será culpabilizar, indirectamente, todos os funcionários públicos, colocando no mesmo saco os que não têm “pedigree” político com os que o têm. Mas há que fazer a diferença: uns e outros perderão nas remunerações base, mas os de melhor “pedigree” não poderão perder mordomias que os outros nunca tiveram, nunca terão, mas continuarão a pagar como se tivessem.
O que para os “rafeiros” será perda significativa, para os outros serão uns “trocos”. Mas todos continuarão a lutar pela sobrevivência num autêntico “mundo cão”.
Neste plano, cada vez mais inclinado rumo ao abismo da recessão, creio que têm que ser os autóctones e nunca os FMI’s a colocar ordem num País que é de todos e onde todos têm que ceder algo do que possuem, mas de forma justa, equitativa e proporcional, pois alguns só poderão doar a força do seu trabalho, porque outras riquezas não arrecadaram.

(Publicado em simultâneo noutro blogue do autor)

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Sócrates e os poderes

(imagem da net)

Depois de algumas hesitações e pruridos neuronais, lembrei-me de comentar os últimos acontecimentos que já preencheram ouvidos de milhões e páginas descomedidas.

Tenho verificado que há neste momento um autêntico acossamento ao Primeiro-Ministro, quer por parte da Oposição, quer de alguns empresários e jornalistas. Nada que antes não se tenha já verificado, mas nuns moldes algo mais moderados.

No que concerne à Oposição, nota-se que a sua maioria global, num autêntico farrapo policromático, mas indiviso, tenta alcandorar-se ao vértice da pirâmide governativa, procurando gerir o que cabe a um Governo eleito por sufrágio e veredicto nacional. Rasa a náusea, tanto despudor e busca de protagonismo, que até os ódios de esquerda se unem e fortalecem as angústias e falhanços duma direita em estertor agónico. Os interesses do conjunto anti-socrático, visam simplesmente esmagar o homem que, apesar de algo ditador e arrogante, não se deixa intimidar e lá vai esgrimindo com as suas opiniões e decisões. Claro que perde algumas contendas nesta luta desigual, mas num tom mais ou menos ameaçador, vai contendo os arremessos daquela miscelânea de adversários.

Quando ouço Portas no hemiciclo, chego a pensar que o verdadeiro Primeiro-Ministro será ele, tal a postura, cinismo e também arrogância com que pretende impor-se ao Governo eleito.

Um pouco mais à esquerda, já nos habituámos às ideias e discursos com teias de aranha que mais parecem discos de vinil arranhados pela força do uso.

Uma coisa se nota, para a Oposição contam muito mais os seus interesses e orgulho, que o bem estar dum Povo eternamente sacrificado por políticos de dúbia e muito fraca qualidade. Mete dó vê-los papaguear autênticos psitacismos sem substracto, mas convictos que são os melhores políticos deste País em decadência. Continuo a defender que urge convidar formadores estrangeiros, dos países mais florescentes, para ministrar ensinamentos de boa arte de governar à grande maioria dos dirigentes partidários e políticos que por aí pululam, elegendo-se uns aos outros por questões de amizade, compadrio e interesses económicos.

Sabemos que os interesses económicos são o motor de toda a governação. Os poderes político e económico vivem numa simbiose que quase sempre, face à debilidade dos intervenientes, se transforma num parasitismo avassalador e desconcertante. Dirigente político que mexa nos interesses dos empresários, para os desfavorecer um pouco que seja, acaba por ser ameaçado, ultrajado e até destruido. Contudo, o medo gera entendimento entre as partes, pelo que quem sofre é sempre o Povo, esse tambor das birras políticas e empresariais. Tudo quanto der lucro deverá ser gerido por privados, preferencialmente grandes empresários, mas esse lucro só deverá ser partilhado por aqueles e pelos homens do poder político. Depois...é o que se vê, um mundo capitalista em auto-destruição. Mas, quem tem o dinheiro sempre se governa, pelo que deverá, mais uma vez ser o Povo a pagar as crises de desgoverno global.

Tem-se assistido, também, nos últimos dias, à hipervalorização de acontecimentos que, pressupostamente, envolveram o Governo, a PT, a Media Capital e a TVI- O caso parece-me estranho se tivermos em conta que já, no Governo anterior, houve desmentidos e várias declarações dos intervenientes. Contudo prevalecem ainda dúvidas sob escutas que já nos parecem ser encomendadas com fins de incriminar alguém.

Notava-se, havia muito tempo, que na TVI a jornalista Moura Guedes, esposa do director da mesma TVI, se dedicava a espicaçar o Primeiro-Ministro e o Governo, com autênticas notícias manipuladas a seu gosto e feitio, quer para criar audiências, quer para irritar os visados. Além das notícias enviesadas, procurava, de imediato, fazer ali um julgamento popularucho sem contraditório, de forma a manipular os telespectadores. Mais uma vez os "media" tentavam ser, eles próprios, o verdadeiro e maior poder do País ao sobreporem-se ao Governo eleito democraticamente. A ambição mantém-se agora, e já vemos o referido casal a exigir a destituição do Primeiro-Ministro, parecendo que em Portugal não existem Tribunais, nem locais ou pessoas próprias para o fazer. Será que se pode conceder aos jornalistas tamanho poder de governação, deixando as instituições à margem da lei, ou vai-se permitir que alguns jornalistas trabalhem como autênticos fora-de lei, a soldo, sabe-se lá de que empresários ou interesses?



Felizmente que ainda existem muitos jornalistas isentos e sem pretensões e atitudes tendenciosas.