terça-feira, julho 31, 2012

Coisas antigas...Relembrar-2


 (imagem da net)

Mais uma vez remexi nas cinzas do meu passado e vou transcrever um modesto escrito publicado "in illo tempore". Depois trancreverei também, um (proto)poema desses meus irreverentes tempos.



Hoje, talvez mais que nunca, urge perguntar a cada cidadão que cruzamos, se entende o que seja um país real. Antes de acreditar nele, terá de entendê-lo, pois só se pode crer no que se compreende, de contrário será encher sacos com vento.
Não iremos talvez explicar-lhe, em conceitos profundos e metafísicos, o que seja o país real. Claro que não entenderia a complexa terminologia. Falar-lhe-íamos simplesmente dum país que não seja aquela entidade abstracta com tabuletas ferruginosas de «Estado» ou «Nação», mas algo que tenha substracto e significado para um povo que haverá de ser ele próprio esse país. Um país sem algemas na consciência dos seus cidadãos, mas também sem oceanos de inconsciência. Um país que se identifique com um povo acordado para as realidades quotidianas, e não viva a sonhar, especado em poltronas de faustosos gabinetes ou deambulando por ruas e praças, estátuas entre estátuas. Um país que tenha plena consciência do que quer, porque quer, para onde vai e porque vai. Em suma, um país de homens conscientes do verdadeiro conteúdo da moral cívica e realmente cumpridores.
 Queria aqui citar um autor ─ Alberto Ferreira ─ na sua obra «Diário de Édipo», que por casualidade foi escrita e editada antes do 25 de Abril:
«Avento a hipótese seguinte: a grande maioria dos homens e mulheres deste nosso país desconhece a nação real, a comunidade autêntica, o condicionalismo da sua história e do seu viver. Acredito, porém, que haja uma minoria esclarecida, mais atenta às realidades, mais dirigida ao futuro e, por isso mesmo, mais bem apetrechada para auscultar as palpitações do presente. Temos, bem sei, uma explicação sociológica para o facto ─ o que não elimina o próprio facto».
Mais adiante diz aos concidadãos: « Sois o peso morto. Não tendes um partido, uma ambição patriótica esclarecida, um programa humanístico para os vossos filhos, e quem diz para os vossos filhos diz para a comunidade onde nasceste e onde pretendeis morrer. O mal parece-me ser esse: vegetar e morrer. Não quereis sobreviver, ao menos?
…Aderes a uma dezena de estéticas, simpatizas com algumas centenas de éticas, admites filosofias a rodos. Ou, o que é pior, não sabes qual é a tua moral, a tua estética, a tua concepção do mundo e da vida».
Em conclusão, tudo isto para comprovar que esse homem que vegeta e morre, está condenado à absoluta falência, a pertencer a uma classe que ingloriamente sustenta outras classes. Já fala de tudo, desde existencialismos a marxismos, mas não deixa de sofrer de psitacismo, sem saber o diagnóstico da enfermidade.

(In Jornal das Aves, 08/11/1975)



Tu irmão

Tu, irmão,
que te sentas à mesa do café
e que, em vão,
magicas coisas fúteis, perde a fé
dum mundo melhor.

Tu, irmão,
já pensaste que tudo isto é rotina
e que, em vão,
poderemos suster esta bolina
com que o mundo gira?

Tu, irmão,
julgas que mudará este frenético
ritmo? Não…
Não mudará, que o mundo vive céptico
quanto ao seu futuro!

Tu, irmão,
procura a perfeição da tua vida.
Nunca, em vão,
procures defender causas perdidas!
Finge, ao menos, que ajudas!...

(20/04/74 in “Jornal das Aves”)

terça-feira, julho 24, 2012

Coisas antigas... relembrar


(imagem da net)

Hoje perante uma certa indolência e tempo reduzido, vou transcrever um texto que publiquei, nos meus 22 anos de idade, e poucos meses depois do 25 de Abril. Na altura foi titulado como: "Factos e Anti-factos (3)". O "Jornal das Aves", em que o publiquei, era propriedade de um empresário, dono da Fábrica de Poldrães, na Vila das Aves. Era, nessa altura um semanário, com bons colaboradores, mas com o ruir da indústria têxtil, também se esfumou e não voltou. Cá vai o articulado, reciclado do fundo da minha mala de cartão:


"No mobilismo dialéctico que hoje preside toda a natureza, depara-se-nos, no que concerne aos homens, um facto curioso e absurdo que o hábito transformou em rotineiro. Nascendo livres, por natureza, vêmo-los escravos de tudo e talvez mais do que julgam. Prendem-se às coisas, aos outros e a si mesmos, quando, sem tergiversar, apregoam aos quatro ventos a sua liberdade. Esta, hoje mais que nunca, é manipulada pelo vício, banalidades e pessoas ávidas de poder e magnificência que, sem escrúpulos, manietam os outros, cortando-lhes os direitos e concedendo-lhes apenas deveres. No cerne desta questão reina a ambição humana que, ora faz escravos e explorados, ora senhores e exploradores.
Jean-Jacques Rousseau, no início do “Contrato Social”, escreve: «O homem nasceu livre, mas em toda a parte está a ferros. Este julga-se senhor dos outros e é mais escravo que eles. (…).
Se eu apenas considerasse a força e o efeito que dela deriva, diria: quando um povo é obrigado a obedecer, faz bem; mas se sacode o jugo, logo que o pode sacudir, faz melhor, porque, ao recuperar a sua liberdade usa o mesmo direito que lha arrebatou e se é justo que a retome, é injusto que a tirem».
É certo que o autor citado se refere, neste contexto, apenas à inter-relação homem/homem.
Quando se visa o aspecto da subjugação às coisas e a si mesmo, apenas o homem por vontade própria e firme será capaz de se libertar. Aqui poder-se-á utilizar a trilogia «posso, quero, realizo».
Às vezes, por rotina cinética, somos conduzidos a pensar que a liberdade emana dos outros, que sobre nós têm direitos, e se reflecte em nós próprios, mas tal cai no absurdismo de introduzir o homem nas algemas da escravatura. Ora a liberdade reflecte-se na natureza, e é dote específico e natural de todos. Se o homem não é livre, está alienado. Alienar, segundo o mesmo autor, é dar ou vender.
Para melhor compreensão da dualidade escravos/senhores, parafrasearei novamente Jean-Jacques Rousseau: «Um homem que se faz escravo de outro, não se dá, vende-se para obter o seu sustento. Mas um povo porque razão se venderia? Bem longe está o rei de dar subsistência aos seus vassalos. São eles que lha dão e, segundo Rabelais, um rei não se contenta com pouco. (…).
Dizer que um homem se entrega gratuitamente é uma afirmação absurda. É ilegítimo, é nulo um tal acto, pois nele não participa o bom senso. Pensar o mesmo de todo um povo, é imaginar uma multidão de loucos e a loucura não ergue o direito.
Mas que cada um pudesse alienar-se, não poderia dar os filhos, que nascem homens livres. A sua liberdade pertence-lhes. Só eles têm o direito de dispor dela. (…).
Renunciar à liberdade é renunciar ao que mais qualifica o homem, aos direitos da humanidade, aos próprios deveres».
Já vai longe o tempo da escravatura declarada e consentida, é certo. Contudo, e por mais incrível que pareça, vive-se a escravidão no trabalho, na vida doméstica e social. Medite-se, conscientemente, alguns momentos e vejámos até que ponto se pode estender o “senso próprio” da palavra liberdade.

In Jornal das Aves, 14/12/74"

terça-feira, julho 17, 2012

A tragédia ... e a comédia. "Cratices"

(imagem da net)


A semana foi rica em subtilezas desastrosas para o clube maniqueísta dos neoliberais entronados. Na morbidez dualista, entre as fronteiras do público e privado, agiram em conformidade com as suas quase impolutas ideias de contorcionismo político “troikano”, mas pensaram como suínos assolapados nas pocilgas  dos seus sonhos deificantes. Falsos deuses, nas suas frágeis torres de marfim, receando um sopro de revolta que escaque tamanha fragilidade.

Fingem que lutam mas nada constroem, nada implementam, num autêntico abulismo de pedras parideiras. Em seu redor a monotonia das coisas é deveras degradante. Deixam uma paisagem que faz jus aos tempos de antanho, em que nada se fazia para que nada mudasse o suficiente que provocasse danos colaterais.Só que estes danos existem, crescem, avolumam-se e são demasiado óbvios. Caminhamos na senda do caos, orientados pela cegueira desse clube maniqueísta. Não haverá apoteose sem derrocada!

Desde o que apodaram de “Divina Comédia do Crato aos “Três em um” de Relvas, a procela vai triturando os sonhos dos que, até agora já pouco esperançosos, mastigavam o tempo restante. Não dá para desânimos porque o lema será como sempre, “há que aguentar”, com educado estoicismo. Os portugueses são assim, fiéis à sua bovina submissão, mesmo que guiados por doutoral idiotice.
Razão tem o Dr John Hoover, consultor de empresas, um dos mais prestigiados   estudiosos de administração de empresas e relações humanas, quando diz: “Chefes idiotas são o soluço mutante da evolução organizacional com uma imunidade semelhante à das baratas diante das calamidades que dizimam pessoas realmente talentosas e criativas. Ainda assim os idiotas podem servir a funções valiosas, desde que não estejam no comando. A má notícia é que, em geral, eles estão no comando. A boa notícia é que pessoas talentosas e dedicadas podem dar a volta por cima da situação e prosperar, apesar de seus chefes…Quase todo mundo trabalha ou já trabalhou para um chefe idiota” (in “Como trabalhar para um idiota”).
Esperemos que, pelo menos, a solução final se oriente pela “teoria das fraldas dos bébés”, que acabam por ser mudadas quando estiverem encharcadas de fezes ou urina. 

(imagem da net)

A verdadeira apoteose do criador da “Divina Comédia”, supracitada, acabou por se transformar numa autêntica catátrofe para os seus actores. O palco abriu-se como sugadora cratera e engoliu os artistas que desde longa data vinham achando seguro o piso que calcavam.

Professores já com mais de 35 anos de carreira, pertencentes ao quadro de escola e alguns já com mais de 60 anos e aposentação pedida, viram-se reduzidos ao horário zero, empurrados para a mobilidade (a minha esposa está nesta caricata situação). 
Uma verdadeira comédia resultante de famélico reformismo dum cretino, mais parecendo “Cratino”,  pois de erro de “casting” se trata. Creio que vai tentar solucionar o problema, mas a cretinice imperou e não vejo grandes hipóteses de efectuar limpeza da maquilhagem dos actores, por muita perícia cosmética que possua.
Cada vez mais o princípio de Peter se vai demonstrando e comprovando nas habilidades governativas destes estapafúrdios neoliberais .



terça-feira, julho 10, 2012

Greve dos médicos... SNS em questão

(imagem da net)

Os médicos optaram pela manutenção do aviso de greve. Esta vai suceder, não sei se muito conseguida, mas a crer nas várias opiniões colhidas entre pares, no local onde trabalho, a adesão promete volume.
Não duvido que as cinzas do evento deixarão transparecer para o exterior uma má imagem do nosso país. Não só por se tratar de uma classe de alta diferenciação académica com estatuto social reconhecido, mas, acima de tudo, pelas verdadeira etiologia do acto grevista. Espantoso um governo ter deixado prosseguir a greve duma classe que sempre se julgaria estar ao lado dos poderosos, essencialmente neoliberais. Todavia, quer os detractores da classe médica que alimenta os hospitais públicos, quer o governo, receberão uma lição de alguém que até poderia, de alguma forma, dar cobertura ao neoliberalismo desconcertado e desbragado dos que se revêem nas políticas destruidoras dum SNS que muito custou a criar e que já foi, como se sabe, o 12º melhor do mundo.
Sei que amanhã haverá uma larga franja de pessoas que zurzirá, na imprensa e nos múltiplos blogues, todos os médicos, num autêntico auto-de-fé, sem que se inteirem e informem devidamente das razões destes profissionais que até estão a lutar pela qualidade do SNS, além dos seus próprios interesses, como será óbvio (todas as classes o fazem).
Nem toda a gente sabe que qualquer médico para atingir o grau de especialista (Assistente Hospitalar) teve primeiramente que fazer, os seis anos do curso seguidos de dois (agora um) anos de internato geral e depois mais cinco ou seis anos de especialidade. Devo dizer que a minha geração até fez seis e cinco anos de “internato geral” (a célebre Policlínica), antes de entrar na sua especialidade. Vendo bem, o tempo mais curto, actualmente, fica-se pelo somatório de treze (13) anos. No entanto a partir daí fica uma sequência de múltiplas provas públicas com júris nacionais de cinco colegas, para se passar, em tempos definidos, os vários níveis desde Assistente Graduado Hospitalar até Chefe de Serviço (hoje Assistente graduado Sénior), uma meta que só alguns poucos atingem. Actualmente tudo está congelado desde 2005, não havendo progressões na carreira. É um verdadeiro Portugal estático, no seu melhor duma política neoliberal.
Felizmente consegui, há quase doze anos, atingir o grau de Chefe de Serviço, mas não foi por anos de serviço, nem pelos lindos olhos. Muito menos pelo método “lusófono” do crescimento dos “relvados”. Se assim fosse, bastaria ter sido “endireita” ou “bruxo” durante alguns anos de bom sucesso na arte, e os créditos replicariam como coelhos nas luras.

Para elucidar um pouco mais os que medem os médicos pela mesma bitola e os vêem como os mais ricos do sector público do Estado, deixo aqui alguns links que poderão explorar e analisar.
Devo, no que concerne às tabelas de remuneração (de 2010 – não mais actualizadas), informar que muitíssimo poucos clínicos estão na exclusividade, sendo a maioria, tal como eu, militantes das 35 horas de tempo completo. Aliás a exclusividade já acabou  para novos pretendentes. Também não existem quase nenhuns médicos nos escalões 3 e 4 de Chefes de Serviço – congelaram, quase todos, no escalão 2!


Para digerir, um artigo do site da Secção Regional Norte da Ordem  dos Médicos:

E creio que basta. Amanhã e quinta-feira se verá o rescaldo dos que urraram e dos que sussurraram entre dentes



terça-feira, julho 03, 2012

Serviço Nacional de Saúde... uma valsa agonizante



Não é por acaso que agora apareceram mais umas empresas de serviços médicos (quem serão os espertinhos?) a tentar ganhar uns cobres à custa dos prestadores de serviços (enfermeiros, médicos e quiçá pessoal de limpezas). Até seria óptimo conhecer a essência dessa tessitura organizacional e talvez nos esbarrássemos em “boys” do mesmo poleiro, ou seus colaterais.
É colocar os enfermeiros numa autêntica cloaca social, quando são brindados com a famélica quantia de 3,96 euros líquidos, por cada hora laboral. Afronta e baixeza, além de espelhar um país que se está (desculpem-me o termo) a cagar para a saúde e para os que a prestam. 
Já aqui disse que, para estes ultra-liberais, praticantes de políticas de saca-rolhas, o lazer e o entretenimento são o verdadeiro elixir da vida, mas esta vida, no seu essencial, não lhes interessa e, ainda menos, quem dela cuida. Viva o ultraliberalismo de sentina, praticado por cérebros tacanhos, miasmáticos e apologistas da eterna procrastinação!
Este não é um governo que cuida e ama o seu povo, mas um agente morbígero. Só a falta de lucidez e cegueira conseguem aturar tal epidemia até ao tutano.
Espero que este povo maltratado não clame, aos ventos e luzeiros celestes, a subserviente frase do circo romano: Ave Caesar morituri te salutant”. Morrer sim, mas, por uma má causa, em nada enaltece as pessoas, nem o país.










Ainda na Saúde, parece incrível o que agora acontece em alguns hospitais, pelo menos aqui no Norte, incluindo aquele em que trabalho. E não digam que não é verdade, como o fez, assobiando para as nuvens, o ministro Paulo Macedo na notícia de 16/06/2012 http://www.ionline.pt/portugal/ministro-da-saude-garante-nao-ha-orientacao-racionamento-no-setor .
Todos os doentes, e não são tão poucos, que tomam medicamentos orais fornecidos pela farmácia hospitalar, viram as suas doses habituais reduzidas a um fornecimento quinzenal e, muitas vezes mais curto, tipo conta-gotas.
Antes do G14, focado na notícia de 10/04/2010 http://www.ionline.pt/portugal/g14-hospitais-norte-conseguiram-desconto-50-cinco-medicamentos, ainda forneciam quantidades que eram suficientes para tratamentos mensais, mas agora o facto rasa o impensável, em nome da austeridade e falta de crédito hospitalar (?). É, no seu melhor, o racionamento quase “cubano” da nossa rede hospitalar. Os gastos, como é óbvio, são maiores, pois obrigam doentes, que residem nas áreas de influência mais longínquas (alguns a cerca de 20 Km do hospital) e com parcos recursos económicos, a duplicarem despesas mensais. No entanto o que sucede? Alguns doentes por grave insuficiência económica, acabam por não levantar a sua medicação e ficam, por vezes, metade de cada mês sem os fármacos obrigatórios.
Nem é preciso ser demasiado inteligente para se concluir que, assim, os tratamentos são ineficazes. A realidade é que isto sucede e com desculpas bacocas. Porventura não ficaria mais barato ao Estado, fornecer a medicação para um mês inteiro, já que a maioria dos doentes tomam essa medicação com carácter crónico, como os portadores de leucemias crónicas, de trombocitemias essenciais, carcinomas de mama em hormonoterapia de cinco anos, doenças auto-imunes, etc.? Afinal a despesa tem que se fazer, porquê dividir tanto e com compartimentação e revestimento técnico dos comprimidos. Duplicam-se despesas das viagens em locais que já foram amputados de vários meios de transportes públicos, e onde o povo tem reformas miseráveis. Melhor seria que o próprio hospital disponibilizasse uma carrinha para deixar os medicamentos nos vários Centros de Saúde, alguns a mais de 20 quilómetros. Bastava organizar listas de doentes e respectivos locais de entrega, fazendo com que a despesa nacional fosse mais pequena, com sobrecarga única para a instituição hospitalar que pouco aumentaria ao seu défice. Muitas vezes poupa-se no farelo para se gastar na farinha!
Acho que a tendência será para piorar, já que alguns fármacos já faltaram e outros começam a faltar, mesmo custando, como o Clorambucilo (Leukeran), cerca de 1,63 euros por caixa de 25 comprimidos. É que aqui, também interessa a alguns laboratórios ter maiores lucros, e não fornecem, porque, noutras paragens, ganham mais com esse mesmo produto.
Tirem as conclusões e vejam, na realidade, em que fosso este ultraliberalismo está a meter o nosso SNS que já foi o 12º melhor do mundo.
Sendo boa gente, sentimos, no “mimo” de cada golpada desferida, o aumento da ferida do défice e as cicatrizes dum povo acorrentado.
É facto que estamos na ponta ocidental da Europa, mas não poderemos, por esse facto, ser considerados a cloaca da U.E., nem duma “troika” que deveria prestar contas pela sua má governação (já que Passos Coelho e colaboradores, apenas são mandatários…), uma vez que tem responsáveis e avaliadores. Não basta culpabilizar (intensamente) Sócrates e (ligeiramente) os governos anteriores! Há que chamar as alimárias pelo seu nome, sem subserviência e sem “troikofobia”!