quarta-feira, julho 10, 2013

Portas que cerram e… irrevogavelmente se reabrem

(imagem da net)


Dentro da sua ridícula irrevogabilidade, Paulo Portas, parte gémea duma (mais que provável) nova gestão governamental, viu o amanteigado Passos Coelho tremer de medo (o tal medo que dizia não ter!) e ceder, em toda a linha, às suas ambiciosas exigências.
Paulo, o homem que inicialmente se contentava com popularucho beijocar de feirantes e passantes, acabou por não se satisfazer com as permanentes passeatas à volta do globo, pois, para além da saturação das paisagens e das conversas diplomáticas, entendeu que seria a hora certa para ultrapassar o protagonismo do Primeiro Ministro. Ponderou o parco peso do seu partido no governo, face às mais valias (achava ele) que o mesmo acrescentava ao elenco global e, vai daí, decidiu fazer birra e exigir representatividade mais pesada e mais ombro a ombro com o seu aliado. Sabendo da grande vaidade e apego de Passos ao poder, viu, neste, uma alma gémea e… quis colocar à prova até onde iria o apego e ambição (continuidade da “soberba” que teve quando derrubou J. Sócrates) do chefão que se apodava de D. Pedro, o Sem Medo.
Cautelosamente utilizou a arma do “faz-de-conta-que-não-me-interessa-o-poder” e colocou irrevogabilidade nas condições impostas para se equiparar ou até superar D. Pedro. Sabia que poderia calhar mal, mas sempre acreditou que os ambiciosos e soberbos se matam pelo poder e pelo protagonismo, pois tinha isso na massa do seu próprio sangue e, noutras ocasiões, já dera provas da sua ousadia.

                                                                       (imagem da net)

D. Pedro, o Sem Medo, que tanto apregoava a sua audácia e valentia, procurou no silêncio dos deuses o parecer dos mais chegados e da sua muleta, D. Aníbal, o Abúlico. Todos eram unânimes: a coligação não se pode “descoligar”… seria o fim de dois anos de mama bem sucedida e, novas eleições nem pensar, pois já há novos mamíferos à procura da teta. Nada de deixar os louros para outrem quando este outrem é o inimigo figadal de D. Aníbal e sua comandita monolítica.

Poder é poder e medo não configura desonra. Numa autêntica anulação da etimologia de irrevogabilidade, D. Pedro submete-se, depois de tantas cambalhotas e tanta ingestão de sapos, e decreta o fim da irrevogabilidade. A partir de hoje fica decretado que ninguém usará de irrevogabilidade e se o fizer correrá riscos de ser equiparado a primeiro-ministro.  
Feita a digestão sapal e transformada a irrevogabilidade no seu contrário, D. Pedro concedeu titulação de Dom a Paulo e, assim, o irrevogável demissionário tornou-se D. Paulo e até lhe foi possível superar D. Pedro, já que conseguiu transformar a coragem deste num verdadeiro medo de perder protagonismo e poder.
D. Paulo apenas exclamou, como Júlio César: “Veni, vidi, vici” – e acrescentou – Este bonifrates do nosso “primeiro” é demasiado primário! Hei-de massacrá-lo!

D. Paulo estava farto de saber que Lady Swaps haveria de ser ministra das Finanças, pois teve o desprazer de a ver durante dois anos a acompanhar o Gasparzinho nos altos meandros da finança internacional. No entanto, sabia que poderia armar-se alonso e argumentar que nada sabia sobre a promoção da referida madame, como se desconhecesse, também, que ela frequentava “aulinhas” do ministro, para ulterior recepção da pasta. Passos, na sua habitual lerdice, engoliu o sapo e nem regurgitou.
D. Paulo, o Irrevogável, perante um assustado Pedro Sem Medo, achou que poderia tornar-se mais poderoso com algumas exigências e medidas cosméticas. Armou-se em caro e difícil, exigindo supremacia na gestão financeira e nas relações com os “troikanos”, além de pretender a manutenção das negociatas diplomáticas que iniciara como ministro dos negócios estrangeiros. Com certeza que o medo da queda faria dobrar a arrogância e oposição de D. Pedro.

                                                                      (imagem da net)

Restava apenas um pequeníssimo obstáculo: D. Aníbal o Abúlico, poderia não concordar. Todavia, se não ficou chocado com a quase inesperada irrevogabilidade, já estaria no papo. Além de mais tudo ficaria a gosto e numa coloração alaranjada, apesar de algo desbotada. Tal como D. Pedro, era só deglutir o batráquio e…já estava. Novas eleições e novos mamíferos é que não. Depois de tanto esforço e sudorese para abater J. Sócrates, que tanto desprezava, não poderia reassumir ligações com a súcia rosa.
Faria uma encenação com toda a cambada e, no fim, com discurso doloroso e dentes cerrados decidiria: “ Para respeitar os compromissos assumidos dever-se-á cumprir e dar continuidade ao pesado ajustamento iniciado há dois anos. Por isso, após muitas cambalhotas e sapos engolidos, entendo que a mesma coligação deverá manter-se em funções e acabar a tão desejada reforma que desde início foi planeada. Novas eleições seriam despesismo e mudança para pior. Está decidido para bem da Nação”

Assim, neste minúsculo rectângulo, lá vamos tolerando as famigeradas políticas em que o “era e não era” avançam de mãos dadas, sob a batuta de um grupo abandalhado e orientado por abúlica personagem.
Com as portas que cerram e se fecham, poderemos, num eufemístico desabafo gritar bem alto: “ estamos irrevogavelmente salvos!”


terça-feira, julho 02, 2013

Fragmentos inacabados…graças à grande queda.

(imagem da net)

1- Autoridade moral? Legitimidade do Governo?
Mãe que gera um filho mas o abandona será mãe legítima, ou sê-lo-á aquela/e que o criou e tratou com carinho? Porventura teremos sido bem tratados por estes tenebrosos e malfadados tratantes que aqui tombaram, caídos não se sabe bem como, nem donde, mas quiçá dum asteróide todo j(an)otinha, fruto dum acidente de precipitada loucura? Passageiros dum tempo intemporal, abusadores de boas intenções apregoadas e incumpridas, não reúnem legitimidade alguma para destruir o melhor que um povo adquiriu, após tantos anos de luta e sofrimento. Nem só a lei legitima os factos, pois “vox populi” tem imenso poder quando o descontentamento é geral. Não queremos a legitimação do caos e da indefinição, mas a da sintonia dum povo com seus timoneiros. Ora tal não existe, neste momento, pelo que a legitimidade deste Governo só existiu enquanto o mesmo não violou o pacto prometido. Quem prometeu e não cumpriu, traiu seu povo, perdeu legitimidade.

2Será esse homem auto-sustentável?... Não é funcionário público?!...
Formou-se com quase 40 anos…Que tipo de emprego até então? Jotinha?!... Militância jotinha confere direito a subvenção de quem? Do Estado que “empresta-dá” aos partidos? Negócios obscuros (Tecnoforma) e de oportunismo político-partidário? Que descontos prévios para sustentabilidade. E que descontos agora, se, como diz, não é funcionário do Estado? Qual a empresa que lhe está pagando esses descontos? Ah!, talvez a do já futuro emprego…
Eu não sou funcionário público disse o animal arrogante, em plena discussão parlamentar. E viram bem as suas ventas quando interpelava a deputada?
Então não tem vivido e vive a expensas do erário público? Não é o Estado que lhe paga? A própria “Tecnoforma” onde “gamou” o dele, não foi construída com dinheiros do Estado? Nenhum privado lhe daria tal dinheiro… teve que pedir, nessa altura, ajuda ao ex-doutor Relvas, então no poder. O dinheiro (público e bem nosso) caiu-lhe logo de chofre. Como terá sido gasto?...

                                                                        (imagem da net)

3 - “Queremos fechar o resgate que o PS pediu”.
A sério, morcão?! Então vossa insolência não foi o verdadeiro causador da queda do Governo Sócrates ao rejeitar apoio ao PEC IV que evitaria o tal pedido de resgate? Seria já a tal “soberba” de que vossa insolência agora acusa outro dirigente que lhe vai, com toda a certeza tirar o tapete dos pés. Queria governar, não era?... Lembra-se das falsas promessas que fez para alimentar essa “soberba”? Hoje, passados dois anos é o caos que reina nas contas e na sociedade portuguesa…tudo à custa da sua “soberba”, caro morcão. Leia a história da “rã e do boi” e delicie-se com o seu ridículo papel de rã. Tanto inchou, vítima de “soberba”, que…estoirou!

4 - Acha que vai manter-se no poleiro?
Sei que não quer, por preço algum, abandonar o poder, pois custa-lhe perder todas as mordomias da governação, a vaidade, a arrogância, o riso de hiena, as múltiplas e desnecessárias viagens e lautas refeições (que o seu Patrão-Estado lhe paga, com dinheiro de todos nós e NADA do seu ordenado mensal). Claro que todos gostaríamos de viver à grande e à Passos Coelho, mas tal é realmente privilégio de alguns (mesmo que mal) eleitos.

                                                                  (imagem da net)

5 – E as “swaps”, senhor, porque lhes dais tanto valor?
Ai, meu Deus, as malditas “swaps” ainda entalaram mais vossa insolência. Com que então não sabiam?! Ah, como é tão fácil apanhar mentirosos, mesmo que profissionais. Basta esgravatar um pouco o passado tão recente e logo se vislumbram rabos-de-gato. Depois anda aquela fulaninha, uma tal secretária de Estado, quase a rainha dos “swaps” que procura ser juíza em causa própria. Realmente não se vê disto noutros países, pelo menos nos democráticos, o que nos leva a tirar conclusões, em nada precipitadas mas racionais. Isto não é um país democrático mas antes uma república das bananas e governada por bananas. Um bacanal…perdão, um bananal.

6 - E as “swaps” tudo levaram!
Quando falei de Lady “Swaps”, nem pela ideia me passou que minutos depois a mesma seria promovida a substituta do malogrado e desnorteado Mr Bean “Gasparito”. Sempre pressenti que o intelectual das expressões desconexas e frases hieroglíficas acabaria por se perder no seu labirinto.
Da mesma forma, ao acabar de escrever este texto, tive a notícia retumbante da tiragem do tapete ao PM. Portas demitiu-se, em desacordo com as atitudes, não comunicadas, de Passos Coelho. Eis o desmoronar da pirâmide. Este Governo já era… e o PR perdeu a oportunidade de ter sido, pela primeira vez um verdadeiro político e não o verbo-de-encher que sempre foi. Ficou muito mal na foto… que se demita por incompetência e ódios de estimação mal disfarçados.

7 – Esperança no futuro.
Acredito que se feche um ciclo de má memória e que os senhores que se vão seguir saibam honrar compromissos mas sem comprometer o bem-estar do seu povo.
Podem crer que a TROYKA, tal como o Céu, pode esperar, pois o mundo não acaba amanhã. Já um povo pode morrer e ser destruído por atitudes de violência política, económica e social. Não deixemos um povo morrer!
(imagem da net)