terça-feira, abril 17, 2012

A grande caldeirada neoliberal...um fiasco teatral

A caldeirada que este governo nos arranjou está prestes a extravasar o rebordo da panela. Diz que não iniciou o cozinhado nem ligou a lareira, mas de facto, com ele o sabor e aroma tresandam a esturricado e o lume avivou-se de tal forma que o calor se sente à légua.
Mesmo buscando desculpas no "acendedor" da lareira, coisa que inicialmente pretenderiam depreciar, já nem os cegos conseguem dizer que não vêem tamanha caldeirada. O esturro existe com tão desajeitados chefes de cozinha, mesmo que disfarcem e utilizem dezenas de condimentos para ocultação dos horripilantes odores que exalam. 
Defeitos do caldeirão? Mas, acaso mudaram a tacharia?!... Acho que o verdadeiro busílis está nos "técnicos" que misturam a salsada dos ingredientes e usam condimentos obsoletos. Estou como o Manuel dos Santos (jurado  dos "ÍDOLOS"), só me apetece desabafar: não percebem népia, só sabem entornar o caldo e estragar a caldeirada.

Enfim, é o que nos coube na rifa, o que o nosso povo escolheu. Estavam ressabiados com o "acendedor", mas agora até prefeririam que ele se mantivesse à boca do caldeirão. Afinal teria que cozinhar com os ingredientes que lhe concediam, mas poderia utilizar outro tipo de condimentos. Talvez o esturricado, apesar de indesejado, pudesse ser mais aceitável e menos emetizante. 

Na cozinha e subúrbios, ninguém sabe quem é o verdadeiro chefe ou o arquitriclino. Todos se atropelam entre a despensa e o caldeirão, enquanto os comensais vão digerindo o tempo e as palavras. Comida que se possa tragar, nem vê-la!

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Deixando-me de metáforas, confesso que este Governo nunca me deixou perplexo nem desiludiu. São os neoliberais no seu melhor acto do anti-social e no fabrico da recessão. Algo, ou antes, bastante ineptos e quiçá ingénuos,  julgam que gerar riqueza num país, passa pela génese do desemprego maciço e assalto à bolsa dos trabalhadores. Qualquer badameco sabe que desemprego não gera produtividade e muito menos riqueza. É primário, mas "eles" os amigos dos "troikanos", caem na armadilha, só para ficarem melhor na fotografia, do que o que deviam. Não será vaidade, mas sim presunção (sem água benta!). Cuidem-se!


A classe média do funcionalismo público, trabalhadores já em escalões mais elevados, apesar de tanto congelamento prévio de carreiras e promoções,  figuram como os maiores pagadores da crise e são roubados publica e desabridamente, sem qualquer compensação ou aplicação de estratégias de equidade e justiça nacional. Afinal a Constituição está a ser marginalizada e violada, pois os portugueses são classificados e tratados, na sua dignidade, de formas muito diversas e disparatadas. Claro que se nota aqui um ódio de estimação neoliberal pelo funcionário público, denunciando a praia em que sempre brincaram os actuais governantes, habituados a ter as asas dos papás por detrás dos seus comportamentos sociais. Salvo raras excepções, não passam de um grupelho de ressabiados e ambiciosos "politiqueiros" que ficarão na nossa história como os coveiros da pátria, na segunda década do século XXI. Posso afiançar-lhes que as mãos que muitas palmas lhes bateram, brevemente irão lançar-lhes uma chuvada de "pedras", para as quais não terão qualquer escudo, para além da sua vergonha e humilhação. Gostaria de me enganar!


Agora, não bastavam o desemprego e os roubos descarados, pois atacam o SNS e proíbem o pedido das reformas, antecipadas, com penalizações. Porque não retiram as subvenções vitalícias e as mordomias aos políticos reformados ou no activo? Porque não retiram os automóveis "de Estado" a toda a escumalha com lugares políticos e similares, reduzindo essa frota ao minimamente necessário para representatividade oficial. É que não são só os condutores privados, mas as manutenções, o uso indevido e abusivo, bem como os gastos inusitados em gasóleo, gasolina e lubrificantes. Basta de "chularia"! Olhem para os exemplos dos países nórdicos em que os políticos utilizam transportes públicos ou os seus próprios veículos, na sua maioria. Continuamos, em tempos de austeridade e miséria, a ter políticos e afins, vivendo que nem nababos. 


Porque motivo, até para minorar o desemprego e melhorar a sustentabilidade da segurança social, não atribuem aos trabalhadores metade da sua reforma aos 60 anos, mantendo-lhes metade do horário de trabalho, de forma a que por cada dois semi-reformados poderiam empregar um jovem trabalhador. Assim, renovariam as empresas e a função pública, e também teríamos maiores descontos para essa sustentabilidade, além de diminuirmos o desemprego jovem, uma autêntica vergonha deste governo que prefere manter os velhos no activo, a tomar medidas de renovação. Por cada 1000 semi-reformados (e semi-activos), ganharíamos 500 novos empregos jovens.


Porquê, colocar à frente das grandes empresas privadas e do Estado, sempre os mesmos "velhos e caquécticos" gestores, só porque são da mesma cor do "Sistema" e até parecem comprometidos uns com os outros. Acaso a nova juventude, letrada e preparada para grandes desafios, não ficaria muito mais económica ao país. Quantos jovens, tão ou melhor preparados que o "velho" Catroga ou Mira Amaral, não fariam o mesmíssimo trabalho por menos de metade do valor que aqueles ganham? Será que essas "carraças" da gestão, serão insubstituíveis? Não nos ponham a rir, pois poderemos até vomitar no "Sistema" mais obsoleto que jamais existiu. Ou não acreditam nos alunos que os aturaram nas faculdades e foram brilhantes?


Mais teria a desancar, mas na realidade as palavras entram nos ouvidos dos políticos e perdem-se no emaranhado caótico dos seus neurónios atordoados. No entanto apetece-me continuar a confundir-lhes as cinzentas, embora eles soprem e assobiem para o lado...mas, só enquanto não houver um ou mais momentos de justiça popular, que também são uma forma de justiça válida, perante a inércia e apatia do verdadeiro poder judicial.