(imagem da net)Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
Sócrates e os poderes
(imagem da net)Domingo, Setembro 27, 2009
Talvez uma segunda oportunidade... até Cavaco a teve!
Não queria deixar de rabiscar a minha opinião sobre tudo o que nos vai fazer desaguar esta noite num pós eleitoral de alegria ou tristeza
Sejam quais forem os resultados, tal como a maioria das pessoas, acredito que ninguém será maioritário. E por esse facto já poderemos ficar descansados, pois as maiorias costumam absolutizar o poder e tornar a democracia incaracterística e algo prepotente. Depois é vê-los, os senhores das cúpulas, a brandir a bandeira da arrogância e da indiferença. Já vimos e provámos esse petisco.
Todavia, mesmo sem maioria, teremos que definir hipóteses e seleccionar esquemas de vida.
Dos habituais contendores há sempre a dupla que discute o lugar cimeiro e forma governo: ou PS ou PSD, que, coligados ou não, entre si ou com outro partido muleta, deverão formar e presidir um novo Governo. Creio que os portugueses, por atavismo ou não, continuam a ser muito conservadores nas escolhas, quase indiferentes e passivos no seu quotidiano político. Comodismo? Receio da mudança? Masoquismo? Seja lá o que for, teremos que aceitar.
Num passado não muito longínquo já tivemos PSD com e sem alianças, e em tempos de muito dinheiro da UE a entrar no País a fundo perdido. Aplicou-se bastante, mas também enriqueceram muitos políticos desse sistema, de forma fraudulenta e deixando o povo na mesma miséria. Criaram-se bancos e estruturas financeiras oportunistas, para que os novos-ricos, quase sempre ligados ao sistema político vigente, guardassem os produtos desviados fraudulentamente e quiçá as parcelas legalmente ganhas. E que se viu?
Aparecem as vergonhas dum BPN quase totalmente dominado por políticos do PSD e amigos próximos, que servia de couto para tipos sem vergonha que se serviram dos dinheiros de todos os portugueses e o aplicaram apenas em benefício próprio e dos seus. Chamar a isto políticos sérios é o mesmo que dizer que Hitler foi um governante sério e justo, salvo algumas diferenças pontuais. O pior é que governantes actuais e de suposta confiança, concediam benesses nacionais a alguns desses “ladrões do povo”. Claro que também tiveram exuberantíssimos lucros e proveitos com as fraudes cometidas, mas parecem estar alheios ao facto, como se a seriedade e honestidade fossem um saco roto. Não deverão justificações ao humilde povo que roubaram? E o castigo da Justiça, onde está? Intocáveis? Não pode ser!
É certo que muitas outras manigâncias se cometeram na alta finança portuguesa, mas curiosamente (coincidência, acaso?) só com este último Governo de Sócrates é que começaram a desvendar-se essas fraudes e abusos dos “novos-ricos” cheios de falso poder. Louvor seja dado, então a este Governo, pelo menos neste campo, em que os pseudo-poderosos começaram a ter que prestar contas de fraudulentos negócios e enriquecimentos. Governos anteriores (com telhados de vidro) nem sequer ousaram investigar… deixaram-nos continuar no “negócio”.
No tempo dos governos de Cavaco, sendo Primeiro-Ministro Mário Soares, com tanto dinheiro a entrar no País, a fundo perdido, criaram uma lei que iria beneficiar e apenas enriquecer TODOS os políticos que estivessem no activo: criaram as subvenções políticas, uma remuneração adicional à reforma, algo substancial, e que era atribuída ao fim de poucos anos de exercício político efectivo. Sabemos que quase todos os políticos ainda no activo (pois são sempre os mesmos a ocupar cargos!) e outros já aposentados (mas com tachos milionários de pseudo-gestão) são beneficiários efectivos dessa subvenção política adicional. Se ainda não a recebem, vão recebê-la, pois foi-lhes atribuída por lei, anteriormente. Só os novos, mesmo novos, que nunca foram reconduzidos nos seus cargos, é que já não vão ter direito a essa subvenção. Porquê? Porque o Governo de Sócrates, e muito bem (mais uma vez este Governo!) se dignou colocar um fim a essa vergonhosa benesse dos políticos. Já não foi sem tempo, no entanto deveria retirá-la a quem dela usufrui, pois hoje há muitos trabalhadores que já vão perder benesses normais das suas futuras reformas, mercê de nova legislação que mexeu nas “regras do jogo”. A perder, percam todos e haja moralidade!
Acusaram este Governo de muitas irregularidades e gritam-nas aos quatro ventos, mas parece que apesar de algumas dessas irregularidades, ainda conseguiu ser mais justo que governos anteriores, doa a quem doer.
Realmente também ofereceu “tachos” e um deles é o de Jorge Coelho, na Mota-Engil, que tem direitos até longas datas e “ganha” muitas empreitadas. Mas, se bem se lembram, esta benesse concedida veio tirar idêntico, ou até mais grave, “tacho” que fora concedido pelo PSD a Ferreira do Amaral, com a Luso-Ponte. E Ferreira do Amaral, já não tinha cometido erros enormes na EXPO-98, além doutras derrapagens vergonhosas em seu proveito? Não sou eu que o digo, os jornais escalpelizaram os problemas. Pois bem, embora mal, aqui, “amor com amor se paga”. No entanto deveremos continuar alerta e vigilantes, denunciando estas irregularidades e benesses.
Neste Governo houve um facto que muito me marcou, pela arrogância dos governantes, mal informados e num autêntico despique político com sindicatos de esquerda (além doutros) – a reforma do Ensino, a guerra com os professores.
Claro que aqui o Governo exagerou e procurou impor-se a uma classe que não tinha qualquer interesse numa guerra Governo/Fenprof. Também é certo que os professores, apesar de ser uma classe “a toque de campainha” (quase a única, na Função Pública) merecia que lhes corrigissem determinados vícios ancestrais, que não foram eles que criaram, mas os sistemas políticos anteriores. Refiro-me, particularmente a carga horária de luxo, essencialmente em finais de carreira, em que a componente lectiva era muitas vezes de 14 horas semanais! A componente não-lectiva não era nada de pesado e, por vezes, quase inexistente. Também a progressão na carreira era de um facilitismo notório, sem prestação de grandes provas, embora fossem avaliados (contrariamente ao que o Governo deixou transparecer), frequentando acções de formação, mas muitas delas de valor duvidoso e dificuldade quase nula.
Contudo, este Governo, como já muito propalado, criou um ECD (Estatuto de Carreira Docente), demasiado confuso, complexo e que gerou algumas injustiças inter-pares. A avaliação do desempenho tornou-se um cavalo de Tróia, uma guerra de complicados papéis. A divisão dos professores em Professor e Professor Titular, criou injustiças com criação apressada de Titulares sem regras justas e lógicas, sobejamente conhecidas. Mas, o pior de tudo, ainda foi a nova forma de Gestão Escolar, em que se deu azo a muitos oportunismos de índole política local, com escolha de Directores, maioritariamente, em período de interrupção lectiva (Páscoa). Estes Directores de Agrupamentos escolares, passaram a ter um poder absolutista, que urge modificar, e foram eleitos por um Conselho de Escola em que a maioria dos eleitores não são professores, ou seja, por exemplo, em vinte elementos apenas sete serão professores. Ora estes são, com os seus colegas de Agrupamento, as verdadeiras vítimas dos atropelos cometidos pelo excessivo poder dos Directores, que reinam a seu bel-prazer, sem, muitas vezes, ouvir opiniões dos colegas. Além disso têm um bom suplemento remuneratório para o desempenho da sua actividade e rodeiam-se de adjuntos da sua confiança que nem sempre serão os mais capazes, já que receiam o incómodo e a sombra de alguém mais bem preparado, fomentando o já conhecido Princípio de Peters, tanto em voga na política, desde a central à autárquica, além doutras. Como exemplo diga-se que para cargos de Coordenação Pedagógica são exigidos professores Titulares, mas para a Gestão Escolar e adjuntos do Director, não são necessários os Titulares! Belas hierarquias!
Claro que não vou, aqui, repetir muito do que já escrevi noutras alturas, mas queria deixar um apontamento e alerta para muitos dos professores que andaram agora em plena campanha eleitoral a reabrir as feridas que levaram às grandes greves, e justas, da classe. Alguns estão a querer passar por serem “socialistas” ou que votaram “Sócrates” nas anteriores Legislativas, mas creio que a maioria deles não votou “Socialista”. Sempre foram, ou mais à esquerda e “agentes sindicais” disfarçados ou são “PSD’s” camuflados. Creio que não enganam as pessoas, mas para esses deixo-lhes um repto e solicito-lhes que me expliquem o seguinte: acham que o PSD não queria que fosse aprovado este ECD? Então porque faltaram aqueles cerca de 30 deputados desse partido, no dia da votação deste ECD, que poderiam ter evitado, como sabem, a sua aprovação? É fácil, Manuela Ferreira Leite queria mais tarde, se ganhar estas Legislativas (o que não acredito), não ter a classe dos docentes contra ela, pelo que favoreceu estas faltas. Posteriormente seria só dar uns retoques nesse mesmo ECD, e até passaria pela melhor do mundo!
Logo a seguir veio também, muito pressuroso, o Presidente da República, aprovar e promulgar esse ECD. Claro que primeiro falou com MFL e o partido, que é o seu, por muita isenção que procure evidenciar. Veja-se agora o caso “inventado” pelo seu Gabinete sobre as “pseudo-escutas”. Porque não vetou então o documento e o promulgou? Era mais plausível que o fizesse face ao hipotético descontentamento dos seus correligionários, mas não convinha… era mais lógico vetar outros documentos que discordassem da sua fé e filosofia de vida, como o das uniões de facto (aqui a MFL impôs-se-lhe, com a disciplina partidária e o retrogradismo de ambos!). Conclusão, ao PR, tal como ao seu partido, não convinha anular a promulgação do ECD. É por demais evidente.
Dada a já longa exposição, não vou estender-me mais, deixando novo comentário para depois. No entanto, acho que na sua globalidade o Governo de Sócrates foi o melhor de todos os anteriores. Reformista, dinâmico, eficiente e, apesar da crise capitalista mundial (inegável e destruidora de todas as economias mundiais), conseguiu manter firme a nossa Economia, já de si muito frágil. Creio, pois, que merece uma segunda oportunidade de governação, pois até Cavaco a teve naquela sua longa governação, num período em que mais dinheiro a fundo perdido entrou no nosso País e desapareceu, muito dele, para enriquecer os seus amigos e correligionários. Foi assim que nasceu o BPN, quase aposto. Foi assim que nasceram as subvenções políticas a que Sócrates colocou ponto final.
Logo se verá quem ganhou e, seja qual for o resultado, a vida continuará. Que os vencedores formem um Governo que leve o País a bom cais e nos tire desta malfadada sina de sermos eternamente pobres e injustiçados.
Domingo, Junho 14, 2009
O País não ganha ...quando ganho "eu"
Dá vontade de rir e de chorar, mas com predomínio de riso...um riso de chacota e sardónico, perante o ranger de dentes de políticos falhados e arrogantes.Sábado, Abril 25, 2009
Gritar Abril...pelos pobres e contra a corrupção
Doa a quem doer, os tempos eram outros, todos sabemos. Se temos saudades de muitas coisas boas, que as houve, também não as temos de muitas outras que, hoje, quase seriam impossíveis e até obsoletas. Não se trata de repudiar o “modus vivendi “ e carências sócio-económicas desses tempos, mas tão somente a repressão, o silêncio imposto, a censura, a opressão de actos e ideias. Liberdade era coisa de que se não dispunha, desde que algo mexesse com os “superiores interesses” da Nação, barreira delineada pela máquina do poder.
Mas afinal que nos trouxeram, de novo, estes 35 anos de maior liberdade e democracia? Na realidade um pouco mais de liberdade, com demasiada libertinagem nos cérebros mais tacanhos e abusivos, mas também uma série de injustiças sociais e económicas, ainda em crescendo.
É facto que se acabou-se a guerra com as ex-colónias, mas tal acabaria por suceder, mais ano menos ano, mesmo sem a revolta dos cravos, quase tenho a certeza disso. Ninguém pense que continuaríamos, mais tempo, com tal guerra estúpida e descabida. Marcelo Caetano sabia-o bem, talvez melhor que muitos dos que se revoltaram nesse Abril de então.
Também tivemos as portas da Europa abertas a mil sonhos que, na sua globalidade, apenas beneficiaram a fatia de novos políticos e novos ricos. Sabemos que os milhões foram aplicados em muitas obras e melhoramentos básicos para as nossas más infra-estruturas, mas, grande parte desses dinheiros que chegaram da UE, apenas reverteram em favor dos que se encontravam no poder, e seus correligionários. Foi para a nova classe política, que ainda hoje se mantém numa alternância de poder, uma autêntica chuva de dinheiros fáceis, aplicados apenas em seu proveito e de mais alguns amigos.
Realmente, estes 35 anos enriqueceram a corja política, essencialmente os "importantes" dos dois maiores partidos que se alternaram no poder, e, como não havia leis nem fiscalização para o enriquecimento ilícito, foi um “ver se te avias”. Quem mais roubasse e melhor disfarçasse, teria continuidade no poder e o respeito de milhões de ingénuos explorados que se vergavam perante senhorial canalha. Surgiu, perante os exemplos da americanice imperialista, uma casta de “pseudo-gestores”, feitos nas coxas, como sói dizer-se, e, que tal como lá, num imperialismo autofágico, acabou por trazer esta crise que castiga o povo desprotegido, mas premeia os que ilicitamente amealharam o que seria de todos, se melhor distribuido. E o efeito bola de neve continua...
Contudo, soubemos há poucos dias, que continua a não interessar aos poderosos, que se chamem os ladrões pelo nome. Poderão continuar a enriquecer ilicitamente, sem que tal seja considerado roubo, a menos que eufemisticamente lhe chamemos "lucros legais dignamente obtidos" (pobre povo português!), já que num contexto do tipo “Ali Babá e os quarenta ladrões”, o Estado (Ali Babá) ganha 60% do roubo efectuado pelos ilícitos (os quarenta ladrões...) sendo estes ganhadores de 40% do seu “legalizado” roubo. Ah, o povo, que é a vítima do roubo (pois donde haveria de sair o produto?!...), ficará a bater palmas aos intervenientes desta farsa, e continuará, eternamente a bajular quem, tão descaradamente, o assalta e, nas próximas eleições vai, subservientemente, reeleger os mesmos gatunos para o Governo da eterna alternância. O ciclo repetir-se-á “ad aeternum”, por uma simples razão: covardia, subserviência e falta de auto-confiança nas capacidades de cada um.
Os políticos, podem crer, são, na sua maioria, um bando de incompetentes, eleitos e nomeados ao abrigo do “Princípio de Peters”, e, quase sempre, são como as pilhas “Duracell”: duram, duram, duram... mas porque deixamos, podem acreditar.
Sempre ouvi dizer que o poder corrompe, mas tal só sucede com os mandantes desonestos, gatunos e mentalmente fracos. Portanto, acho que todos os governantes e gestores de empresas que se corromperam (e foram tantos, e alguns tão bem disfarçados) ou são mentalmente fracos, logo corruptíveis, ou então são gatunos e desonestos. Assim sendo deverão deixar o poder, ou a bem ou a mal, mas o povo é que deverá decidir, porque as leis são como se vê: favoráveis à corrupção, não considerando o roubo descarado como crime. Viu-se estes dias! E nada de justificar o injustificável, pois a ordem legal é neste momento: roubem, roubem quanto e como puderem, à sombra de favores e cunhas, pois o Estado agradece que o roubo seja gigantesco, para que os ladrões e o poder também enriqueçam. O Povo que se lixe, pois nasceu e vive para ser explorado pela corja dos chico-espertos, ao abrigo das leis, por estes, elaboradas
Afinal o mesmo povo subjugado e espoliado foi quem os elegeu, portanto que grame a pastilha até à dissolução final.
Terça-feira, Novembro 18, 2008
Factos e antifactos..."EDUCARE"
Como homenagem aos professores queria deixar aqui, e perante a renitência da Ministra que continua intransigente, dois poemas da "net", que desde já agradeço aos seus autores:
Professor, missão ingrata, profissão nobre,
que ensina as crianças, a ler e a escrever,
não podia deixar de ser cantado por este pobre,
que recebeu da Escola a instrução e o saber.
Escola, fonte do saber e da cultura,
escuta o gotejar do meu pranto de saudade,
do tempo de menino e da inocência pura,
do pião, do berlinde, naquela tenra idade.
Professor, escuta bem o que te digo!
São palavras dum antigo aluno, dum amigo,
que durante a vida, nunca te irá esquecer.
Sem ti, eu seria um inútil, um boémio, um vadio,
um verme, uma besta, o corpo dum animal bravio,
atirado p’ra valeta, moribundo, p’ra morrer...
(Antero Sampaio)
Professor!
Aquele ser especial
Que se emociona quando o aluno cresce
Que sorri quando escutam sua lição
Que aprende tanto quanto ensina
Cuja sabedoria está em saber ouvir
Em saber calar
Que ensina muito mais do
Escrever e contar
Ensina lições da vida
Lições do que é amar
A lição de ser um verdadeiro homem
Um verdadeiro cidadão
E quando todos vão embora diante da luta
Ele está à frente da batalha
E não desiste nunca
Sabe que em suas mãos
Está a solução do país
Somente pela educação
Um povo pode ser feliz
(Sirlei L. Passolongo)
Sábado, Novembro 08, 2008
modelo de avaliação...injustiça...manifestação

É realmente anacrónico e inexplicável, o que actualmente se passa com os professores que, num ápice, e perante o sorriso sardónico e viperino de M.L.R, com assentimento do Governo e do Provedor de Justiça, se vêem metidos numa autêntica salgalhada de injustiças profissionais, para desgraça de alguns e satisfação de outros, dentro da própria classe. Avaliação sim, mas olhemos os antecedentes e a metodologia.
Primeiramente vejámos como poderá um docente ser avaliado por um colega subalterno, menos graduado, que mercê de um disparatado concurso de acesso a professor titular, em que lhe eram exigidos menos pontos, aliás nenhuns, para obtenção do posto, acabou por ascender a uma posição que lhe permite ser avaliador de colegas em escalão superior, mais antigos na carreira, mas a quem exigiram uma cota alta de pontuação, mínimo 95 pontos, para obter o mesmo posto, e sem lhes contarem o seu passado de dirigentes e docentes com tarefas importantes, limitando-os a um curtíssimo período de actividade docente. Porventura já imaginaram um médico do internato geral ou complementar a avaliar o desempenho dum assistente hospitalar ou dum consultor, chefe de serviço? Ridículo, ofensivo para o avaliado e até uma afronta para o avaliador, embora haja aí avaliadores, que até nem são professores (são educadores de infância, pertencentes aos agrupamentos de Escola) que regozijam por poderem avaliar verdadeiros professores, que até poderiam ter sido os seus quando passaram pelo "Ciclo" ou até pelo "Secundário". Vejam bem a injustiça e, acima de tudo, o desaforo duma Ministra que aprova tudo isto, apoiada pelo Governo e com assentimento dum Provedor de Justiça (que poderá estar mal informado e pior documentado). Esta é a verdade incontestável e provada do que se passa em muitas escolas.
Da mesma forma, como será possível que um professor, que também vai ser futuro concorrente na sua progressão na carreira, seja avaliado por outro que vai ser seu opositor na mesma ascencão nessa carreira? Só não prejudicará o seu avaliado se for "lerdinho" "masoquista" ou demasiado sério e honesto, o que não acredito. Se tem na mão a faca e o queijo para avaliar o seu colega opositor na progressão de escalão, é claro que não vai "auto-prejudicar-se". Não será isto um autêntico atropelo e até uma verdadeira utopia na luta inter-pares? Mais uma vez, só esta Ministra e este Governo não querem ver o evidente. Basta ir aos estabelecimentos de ensino e verificar estas verdades incontestáveis. Porque não param de cometer tais injustiças? Que ódios de ordem social os movem? Senhor Provedor de Justiça, confirme estas grandes verdades e ponha cobro a tanta loucura junta.
Já não pretendo falar da enorme sobrecarga de horas de trabalho, extracurriculares, que prejudicam toda uma vida familiar de milhares de professores, que se vêem assim afastados do convívio com os filhos, esposos, pais etc., em detrimento duma escola que não merece tanto sacrifício, já que os alunos até podem transitar de ano com "chumbos" a quase todas as disciplinas, e até já se preparam para, em nome do tão apregoado "sucesso escolar" obrigar, sim obrigar, os professores a "transitar de ano" todos os alunos até aos doze (12) anos de idade. Não será de admirar, pois a minha esposa que é professora, este ano tem na turma, do 5º ano, um aluno que não conhece os algarismos de um (1) a dez (10), oriundo de uma escola do concelho, e que trazia no seu "curriculum" um pedido da sua professora primária (Ensino Básico): que não fossem aplicados ao aluno, quaisquer ensinamentos, que fossem além do primeiro ano de escolaridade obrigatória. Isto é verdade, acontece, em locais que não pertencem ao "cu de Judas". Mas ninguém quer saber, e o garoto terá que transitar de ano, a fazer jus às políticas do nosso Governo ( que poderá não ter todas as culpas, mas isento é que não está...).
Esta sobrecarga de trabalho extra-laboral e um certo desencanto e desilusão não estarão a provocar a intensa debandada de docentes para a aposentação antecipada, mesmo com prejuízo no valor das pensões de reforma a receber? É claro que sim, na sua essência, mas a Ministra tem outras desculpas obsoletas e de má pagadora. É necessário empurrá-los (aos professores mais velhos) para fora do ensino, dar lugar aos mais jovens, melhor domesticáveis por políticas obtusas, mas, em minha opinião, menos conhecedores e algo mais impreparados para os grandes desafios duma Portugalidade que se exige, embora já não para o tempo destes políticos malfadados e pára-quedistas de ocasião.
Vamos ver se esta nova manifestação dará azo a mudanças, ou se porventura a surdez e indiferença continuarão a ser lema da M.L.R. e todo um Governo extasiado pela ilusória beleza do seu umbigo.






