sábado, dezembro 31, 2005

Feliz Ano Novo...essencialmente aos infelizes deste mundo

Hoje quedar-me-ei por uma mensagem simples a todos quantos me aturaram, neste hemiciclo virtual de um deputado pouco ousado e que deveria ser mais acutilante. Tempo e ocupação exagerada não mo permitiram, mas espero que um melhor ano de 2006 me conceda mais oportunidades de expressão "bloguística" e maior acutilância.

Factos para debater não faltarão, já que as polémicas reabriram em toda a linha, desde as presidenciais às misérrimas condições sociais que se aproximam, mercê do aumento substancial (1,5%) dos trabalhadores "mais bem pagos da UE" (?!...)e da baixíssima taxa de inflação (2,3%...será???!!!...), para já não falar da tendência natural e mórbida que os portugueses têm para o masoquismo, eivado de um louco amor pelo folclore romanesco e telenovelístico, com cheirinho a "coitadinhos".

Mais não digo...
Sejam felizes, mesmo que a infelicidade vos atormente e persiga, o que nem sequer é difícil nesta pontinha rectangular do velho continente.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Um Natal como tantos outros

Não poderia deixar passar esta época festiva sem, pelo menos, agradecer à mínima mole humana que teve a bondade de aqui passar para desinteressadamente me espiar os "maus pensamentos" durante alguns momentos (nunca desperdiçados).
Apesar de tanta deturpação do verdadeiro e fiel significado do NATAL, quero, também desinteressadamente, desejar a TODOS umas festas felizes, já que o Natal não passa mesmo de uma parte de FESTAS sazonais e anuais que dão aso a milhares de prendas e gastos desnecessários, bem como a fraudes comportamentais da sociefade que se torna, nesta época, mais fingidora que nunca, com falsos sentimentos de AMOR e PAZ, que rejeitam durante os restantes dias do ano. Vivemos, como é fácil de constatar, num mundo de fingimento e hipocrisia, que muito bom seria desaparecer e dar lugar à seriedade necessária para que o MUNDO viva mesmo em PAZ e AMOR.
Direi apenas para terminar: ninguém é melhor que o seu vizinho, mas seria óptimo que cada um metesse a mão na sua consciência e visse onde falhou, para que o mundo não seja um eterno inferno de maiorias e um paraíso de minorias explorando as referidas minorias.
Mais não direi...não terá qualquer interesse, pois os tempos vão correndo e mudando, mas as mentalidades quase nada mudam.
Do fundo do meu coração (algo esclerótico) um óptimo período de festas natalícias e um próximo Ano Novo melhor que os anteriores.

terça-feira, novembro 22, 2005

Qual o Rei...quais fidalgos...quais arautos da desgraça?...

Hoje apetece-me reflectir de novo, algo que desperte o marasmo em que quotidianamente me afogo, para dar voz ao pobre deputado da abstenção que vive manietado no meu mundo imaginário de alienações mil.
Nada melhor que pensar um pouco na frenética e absurda corrida dos presidenciáveis, dos quais um vai, apesar de tudo, receber o meu assentimento, quanto mais não seja, para cumprir o meu fadário de humílima cidadania lusitana. Sim, que neste recanto quase afogado por euro-atlânticas ideias, quem se abstém, jamais obtém. Da abstenção à obtenção o fosso é mais que uma mancha trans-atlântica, partindo das "búshicas" Américas até aos "putínicos" Montes Urales. Sei que não dá para entender, mas a pretensão é mesmo essa...já que, contrariamente ao habitual, é a Raínha que vai nua, para regalo dos cortesãos.

É certo que o verdadeiro Rei já anda por aí coroado, tendo emergido duma noite de ausência, vivendo, num quase silêncio de eterno "tabú", as euforias dos seus apaniguados. Fala pouco, mas é muito falado...acho que demais. Oxalá se enganem nas "doutas" sondagens que já o colocam no seu "real" pedestal de vidro, que ao menor "Tsunami" poderá ser transformado em mil vidrinhos baços e sem o brilho por tantos desejado. Não hipervalorizem o Rei, antes relembrem as suas velhas e pouco famosas peripécias de desperdício do erário público e dos milhões, então de escudos, que os euro-crentes lhe entregaram. Lembrem-se mesmo, dessa riqueza que hoje poderia estar aplicada neste miserável reino, mas que se quedou pelos ocultos bolsos e disfarçados neo-riquismos dos seus "boys" e apaniguados seguidores. Será este o Rei que necessitamos? Um sepulcral e esfíngico baluarte de tudo quanto de péssimo nos aconteceu durante os anteriores dez anos de reinado? Quem não se sente, dizem que não é filho de boa gente! E que gente somos então?!... Espero que não continuemos a ser os eternos masoquistas do reino.

Numa bipolaridade "rosa desbotada" surgem-nos dois pretensos fidalgos, tentando destronar o Rei. Qual dos fidalgos tem sangue verdadeiramente "rosa"? O velho e experiente humanista, com ideias floridas de tanta teia de aranha cultural e europeia, que pretende voltar a ver o "dejá vu", ou o inquebrantável, ousado e eloquente vate que se atreveu a escolher um "rosa mate" versus um "rosa desbotado" de tanto uso.

Escolham amigos, escolham que a reinação vai entreabrir as portas das mil promessas, e Pandora vai mostrar o miolo da sua secreta caixinha.

Com as suas flautas andam outros menores arautos, quais vendedores da sua pescaria, buscando, nas águas irrequietas desta atlântica proa, uma forma de auto-promoção barata. Que escolha será a deles, quando todo o peixe estiver apregoado e vendido?
Creio que acabarão por, já tarde e a desoras, vociferar "Abaixo o Rei, Morra o Rei". Este, em metálicas gargalhadas gritará "Abaixo os vendilhões da lota"

E assim, este maldito e miserável Reino, continuará na sua lenta e progressiva marcha rumo às profundezas do inferno terreno.

domingo, outubro 23, 2005

Folclore eleitoral...Direito à greve...greve do "Direito" judicial...insensatez

Já quase me ia esquecendo, na azáfama de tanta ocupação útil, que tinha de regressar ao blog dum mísero deputado da abstenção para relembrar que existo e também estrebucho, quando sinto oportuno fazê-lo, apesar de honorários nulos e mordomias inexistentes. Por este facto é que me dá um certo gozo estrebuchar de vez em quando, de forma a libertar os miasmas que conspurcam a mioleira cansada e vítima de tanta violentação diária.
Sei que cheguei e vi, mas estou longe, longe de vencer as utopias e erros do sistema. Também não será minha pretensão mudar sozinho o que todos juntos não conseguem, pois tal é que seria a maior utopia. Ajudarei os que lutam...mesmo não vencendo.

Houve eleições recentes e confesso que em nada me desiludiram, atendendo à conjuntura política que então, e ainda se vive. No meio de tanto folclore, telenovelas e populismo lusitano, mais nada se poderia esperar, e se alguém se enganou desmesuradamente é porque não meditou nos factos que se viviam, pós medidas drásticas de Sócrates, nem sequer se terá dado à pachorra de regredir um pouco no historial das eleições. São quase sempre iguais, quer o resultado quer a própria campanha. Vencem os populistas e os críticos oposicionistas, e todos fazem campanha de beijos, abraços, promessas e ofertas que já vão roçando o ridículo. Desta feita, num autêntico adejo folclórico e novelesco, muito a gosto do lirismo lusitano, venceram também os que estavam sob a alçada da justiça. Razão tem quem afirmou que "ganhou o poder político ao poder jurídico"...mas olhando ao contexto reivindicativo actual, nada de diferente seria de esperar. Na realidade quem é que acredita hoje na justiça? Quem dá ouvidos aos juízes? Só se forem os seus amigos e os venerandos e respeitosos cidadãos portugueses que hoje se vão contando quase pelos dedos.

Deixem-me transcrever um excerto do jornalista Miguel Sousa Tavares, que me marcou seriamente, e com o qual concordo, essencialmente se fizer, modéstia à parte, uma comparação com aquilo que fiz e faço, numa profissão de certo modo também privilegiada na Função Pública. Diz assim, no Público de 30/09/05, num artigo intitulado “Direitos, privilégios e desperdícios”:

“Quando um cidadão comum olha para o estatuto profissional de um juiz, o que vê é que eles, assim que saem da escola, têm emprego garantido, começam por ganhar 2330 euros, mais 700 de subsídio de renda de casa (que manterão ao longo de toda a carreira, mesmo depois de reformados...), têm um regime especial e privilegiado de segurança social (o qual é pago em mais de 50 por cento pelos utentes da justiça), têm mais de dois meses de férias por ano, são independentes, isto é, não respondem perante ninguém, são irresponsáveis nas suas decisões, por mais incríveis que estas possam ser, são inamovíveis para sempre, por piores que sejam, e só respondem disciplinarmente perante os seus próprios pares, com toda a escandalosa benevolência que daí tradicionalmente resulta. Que outro emprego existe assim no mundo normal onde as pessoas vivem sem ser à sombra do Estado?"

Na realidade, com tamanhas benesses e favorecimentos, ninguém de bom senso poderá compreender o motivo da sua greve em 26 e 27 deste mês de Outubro. Ninguém discutirá os seu direito à greve, creio eu, mas greves por mais benesses ou, neste caso por perda de algumas (onde todo o mísero funcionalismo público mais penará, com maiores sacrifícios para os mais baixos assalariados da Administração Pública), acredito que é um atentado aos mais pobres e ainda a técnicos superiores da função Pública que nunca usufruíram de tantas mordomias e regalias! Haja sanidade mental!
Vejamos, pois o meu caso de médico da carreira hospitalar, num regime de 35 horas (o chamado regime mais pobre das carreiras médicas, em comparação com os de regime exclusivo de 42 horas, e doutro abolido há poucos anos de 35 horas na exclusividade) que me encontro no topo da carreira (Chefe de Serviço) após anos de intensos sacrifícios com provas públicas exigentes, e ainda hoje não ganho aquele valor mensal referido de 2330 euros adicionados de 700 de subsídio. Nem sequer os médicos têm subsídio de renda, todavia andam anos de Anás para Caifás, sem possibilidades de fixação domiciliária que só conseguem muito tarde na carreira, salvo raríssimas excepções. O nosso regime especial é o da Função Pública geral, com ADSE, para o que descontamos proporcionalmente ao honorário recebido. Na questão de férias, temos como qualquer funcionário público, actualmente 25 dias fixos, com ligeira adenda relacionada com idade e anos de serviço, que não ultrapassará mais cinco dias. Apesar de tudo, e falo por mim, todos os fins de semana e férias, trago para minha casa muitíssimo trabalho hospitalar cujas horas de serviço não me permitem concluir, e que não me é pago como trabalho extra. Todavia sacrifico a família com tal ocupação, além do próprio sacrifício pessoal. Outra coisa que nunca nos será paga por Governo algum, são as 24 horas consecutivas de Serviço de Urgência, obrigatórias, com engate imediato das horas de enfermaria, que nos obrigam a estar “despertos” tantas horas, por vezes sem condições físicas e psíquicas para resolução de casos de vida ou morte que surgem altas horas da noite. Vá lá que os doentes vão confiando nos médicos e outro pessoal da Urgência, e verdade seja dita que em tantos anos de longas noitadas não me lembro de qualquer insucesso perante emergências médicas. Mas, não vejo qualquer Governo duplicar-nos, como aos políticos que nem sequer trabalham mais, nem têm casos de Vida ou Morte, o tempo de serviço. Nenhum médico nestas circunstâncias faz este serviço por desporto ou lazer, mas sim porque não há outros que o possam fazer e todos somos poucos. E estas horas extraordinárias nem sequer são contabilizadas, como disse, mas também são miseravelmente pagas, em função do ordenado/hora que leva a discrepâncias e injustiças conforme se trate de médico no regime das 35 horas ou das 42 horas (estes recebem quase o dobro/hora, comparados com igual escalão dos primeiros!...graças ao Dec. Lei 73/90 de divina inspiração da então Ministra da Saúde Dra. Leonor Beleza).

Bom, mas isto só para dizer que destas desgraças não têm os juizes, mas vão fazer greve.
Tenho pena que não leiam este modesto excerto, e procurassem ver se falo ou não verdade, pois perante tantas acusações de mordomias a médicos, gostaria de saber que raio de mordomias são estas, apesar de, afirmo, nem todas as especialidades médicas serem tão prejudicadas, pois muitos não sabem o que é fazer noites, feriados, fins de semana e nunca saborearam a dureza duma verdadeira urgência de Medicina, mas isso são outras guerras hospitalares e inter-pares.

domingo, setembro 18, 2005

Fragmentos...de factos e anti-factos (3)

Quando um cidadão anónimo regressa de umas pacatas férias, a ausência de informação temporária, apesar de ter estado tão perto e no país vizinho, deixa-o deveras espantado. Como será possível que os acontecimentos das últimas três semanas sejam um autêntico repositório de tudo aquilo que não se pretendia nem se augurava, uma autêntica repetição de factos já passados e até censurados pelos actuais detentores do poder político? Afinal existe motivo para se concluir que, mais pincelada, menos borrão, todos agem da mesma forma, assentes nos mesmos interesses.
Sempre pensei que a atitude moral e rígida do Eng.º Sócrates, fosse para agir de forma a que todos fossem pagadores de uma crise que quase só políticos anteriores (entre os quais ele próprio) criaram e alimentaram. No entanto, contrariamente ao voluntarismo inicial que mostrava, concluo (como muitos) que afinal eram apenas promessas e palavras ocas, na maioria dos casos. Como sói dizer-se, a montanha lá vai continuando a parir ratos...e às vezes é cada ratazana!

No que concerne ao rescaldo da anormal quantidade de incêndios durante este Verão, apesar de haver uma maioria de fogos postos, não são procurados os verdadeiros, repito verdadeiros, causadores de tamanha destruição do nosso património florestal e de muitas vidas (incluindo humanas e animais da nossa fauna), para já não falar de lares destruidos e bens familiares desfeitos em cinzas.. Prendem-se, temporariamente, alguns pirómanos suspeitos, mas nada mais se faz, esquecendo-se que, em grande parte destes incêndios, há subjacentes interesses de pessoas e empresas em que ninguém parece querer mexer, ou, nem sequer, indagar.
O prejuízo foi enorme, mas creio que tudo vai passar ao esquecimento, como sempre, e no próximo ano, com ou sem meios mais sofisticados, vamos ter mais do mesmo...estamos habituados.

Mário Soares acabou por ser candidato. Não posso, nem devo censurá-lo na plenitude, pois afinal foi mais ousado que outros para se colocar na área de influência do partido socialista. No entanto sabemos que numerosos militantes e simpatizantes socialistas não morrerão de amores pela sua reeleição. De receosa, e quiçá cautelosa, disponibilidade em disponibilidade, Alegre não teve a ousadia, até hoje, de se lançar na praça das candidaturas, talvez para não ferir a disciplina partidária e táctica de Sócrates, ou, até, por não ter a certeza de ser capaz de confrontar essa tão arreigada disciplina partidária que o poderá transformar num renegado do “clube da rosa”.
Cavaco, que Soares catalogou como carente de “cultura humanística” e de “falta de perfil” para ser Presidente da República, apesar de o elogiar como homem, acabou por se manter agachado por detrás do seu eterno “tabu” e, numa jogada tipo “prognósticos só no fim”, reserva-se para o período pós resultados das autárquicas...verdadeiro jogador! Será que esta atitude entra na sua falta de perfil...ou será falta de coragem perante ausência de eventual contexto político actual? O resultado da queda dos socialistas (que se adivinha nestas autárquicas) talvez possa ser o trampolim da sua candidatura, mas que se acautele o Professor porque o eleitorado português é sempre imprevisível, e o “tabu” poderá eternizar-se.

“Passo a passo, devagarinho, para se notar pouco, o Governo e a maioria do PS estão a tomar de assalto todos os lugares-chave que constituem o verdadeiro poder” dixit Luis Delgado, in Diário de Notícias, a 16/09/05.
Certíssimo e incontestável. Todavia nada que os anteriores detentores do poder político, mai-los seus antecessores, etc., não tenham, como todos sabemos, feito, perante a impotência de quem lá os colocou e nada recebeu...a não ser promessas incumpridas.
Pessoalmente, com alguma ingenuidade, acreditei que Sócrates não fosse repetir tanto esta distribuição de benesses pelos seus apoiantes no poder, mas realmente tenho a evidência que o clientelismo partidário continua a ser uma avassaladora praga do nosso sistema político, sempre em nome da confiança política e da necessidade de homogeneizar e optimizar a eficiência do sistema vigente. Creio que existem efectivamente lugares de necessária confiança, mas não tantos! Reafirmo, que se todos somos portugueses e queremos (quererão todos?) o desenvolvimento e progresso do País, porque motivo desconfiar da governação de um social-democrata em qualquer ministério dum governo socialista, se for um gestor sério, eficiente, acima de tudo, e se limitar a cumprir o programa do mesmo Governo, sem boicotes e com os olhos postos no futuro do nosso País. Concerteza a sua conduta e eficácia seriam fiscalizadas, tal como a de outro qualquer governante, pois todos deverão responder pelo seu desempenho nas tarefas governamentais. Teremos é que, sem tecnocracia doentia, colocar bons técnicos em todas as áreas dos ministérios chave do País, caso contrário continuaremos pelas veredas da injustiça social, corrupção e falta de seriedade, acabando por desaguar, como será previsível, numa labiríntica bancarrota sem porta de saída...e, daqui aos caos e lutas fratricidas, faltará apenas a espessura de um cabelo.

“Então não me cumprimenta? Extraordinário! Que grande ordinário!”, dixit Carmona Rodrigues, após debate com Manuel Carrilho, in SIC Notícias, a 15/09/05.
Eis realmente comportamentos políticos, ordinários no fim e durante debate. Um, permita-se a expressão, recorda e chama ao debate a história da “merda”, com que tenta sabujar a imagem do outro. “Merda” que já tinha sido resolvida em Tribunal, e a favor do ordinário que, para não sujar de merda a mão de quem o sujou, preferiu mandá-lo “à merda”. Qual dos dois o mais ordinário? Logicamente que as opiniões se dividirão conforme as simpatias políticas e até pessoais, pelos dois intervenientes, no entanto concluirei...a verdadeira merda e ordinarice foi o debate que, felizmente, não se repetirá nesta fase eleitoral.

Para terminar não queria deixar de abordar aquilo que muitos consideram um autêntico contra-senso: os Magistrados vão fazer greve. Um órgão de soberania vai agir de forma autenticamente impensável, aproveitando, ainda por cima, o período do feriado de uma quarta-feira, feriado nacional. Oportunismo? Terão razões lógicas para tal atitude já conotada de corporativista?
Acredito que estejam “ofendidos” pela perda de regalias (direitos adquiridos?) que a maioria não tem, nunca teve, nem terá. Creio que as férias judiciais nunca seriam razão bastante para esta atitude, pelo que as benesses que perderão são acrescidas a esse facto, tais como aumento da idade da reforma e passagem ao regime de ADSE. Nada que outros funcionários públicos, menores, não tenham sofrido também, mas com menor alarido. Acredito que nem todos os magistrados sejam apologistas de tal greve, assim como acredito que tenham razão para se queixarem, mas neste aspecto, também muitos outros funcionários públicos, menores e quadros técnicos superiores, terão razões para indignação, essencialmente quando os políticos continuarão a ter benesses e alcavalas que não serão suspensas já.

É, afinal, a contradição e falta de seriedade política do Governo de Sócrates, que dizia que todos seriam penalizados, mas não é bem assim, pois estes malandros que se encontram no poder, ainda usufruirão das benesses de antanho, sendo que as perdas serão para os que vierem. No funcionalismo público não está a ser assim, senhor Eng.º Sócrates. Será, então, esta a sua visão de equidade e justiça? Assim estamos deveras mal, e para pior caminhamos.

sábado, agosto 27, 2005

férias...momento destempado...e destapado!

Também chegou a minha vez de ir de férias. Gramei um verão de incendiários à solta e PM no Quénia...além doutras férias, doutros fulanos, cicranos e quejandos, muitos gozando acima das suas posses, sem que ninguém tenha nada com isso, mas que gozam os prazeres da vida, "sui generis", mas por vezes até gozam com o povo...uma gozação.

É que às vezes, falam contra os outros, o seu "modus vivendi", mas não reparam que têm telhados de vidro...todos temos! Uns mais...outros menos!

Por norma somos quase sempre do contra...anti-qualquer-coisa, anti-tudo, anti-nós-próprios!...uma autêntica antítese do que deveríamos ser.Mas...cada um é como...

Nada que não se saiba. A política vai aquecer com as novas candidaturas do "outrora, já o foram", no mínimo três figuras de proa, numbarco que se adivinha em abalroamento e afundamento...mais dia, menos dia...e nem só eu o digo! De Jerónimo (não-apache, não-índio), até Soares (não suarás muito, hiper-fixe!), passando por Cavaco (ainda algo encavacado...mexa-se Prof.!...) e desaguando noutras personalidas menos "heavy-people", tudo vai fumegar pós autárquicas. Mas não cairão, nem "Carmo, nem Trindade"...a roleta continuará a girar, cada vez com "mais igual" velocidade...mas o tempo vai-se escoando, no gomil da muitas vidas.

E tudo isto, porque vou iniciar uma fase de relaxe temporário, sem trabalho obrigatório e sem recurso a este pequeno e humilde "cavaqueador" de aleatórias escriturices.

Prometo ser mais assíduo no futuro, e quiçá mais acutilante...mesmo que não me aumentem o salário de deputado da abstenção. Afinal atá não ganho mal, para o pouco que aqui faço!...Aqui todos estarão de acordo...e muito logicamente.

Até breve!

terça-feira, agosto 16, 2005

Lazer...distância...esquecimento...línguas de fogo

Antigamente, quando se pegava incêndio a uma casa da minha aldeia, era habitual, em caso de ausência do senhorio, chamá-lo, em gritaria louca, com "aqui-del-rei" e "fogo". É óbvio que, de imediato, localizado o mesmo, este corria, a bom correr, para defender os seus bens, quer o prédio quer o seu conteúdo. Mal dele se o não fizesse, pois seria considerado um verdadeiro louco.
Pois é, a nossa pátria tem ardido, num desespero lancinante, e aquele que elegemos recentemente para dirigir os seus destinos, encontra-se ausente, embora informado, e não parece mostrar vontade de acudir um pouco ao objecto das suas incumbências. Porquê? O seu substituto, co-gestor do quinhão, acha que será desnecessária a sua presença? Creio que é um pouco isso, mas devo frisar que não me parece boa atitude a do principal gestor da parcela em perda, essencialmente quando na mesma vivem e sobrevivem milhares de amigos e compatriotas que vão perdendo as suas partes da grande fatia, alguns as suas vidas, outros a esperança de um futuro melhor.
Não se poderia, mesmo à distância, sem interferir minimamente no usufruto das suas horas de lazer e prazer, lançar uma palavra de apoio e solidariedade para com os massacrados inquilinos da parcela? Não existirão meios sofisticados de telecomunicação capazes de lhe permitir essa atitude solidária? Ou será que a terriola (?) onde relaxa de prazer, em férias algo precipitadas para quem não havia ainda cumprido o tempo legal de actividade que lhas permitisse, não tem esses meios de massificação? Não acho, não acredito, não sou, nem somos todos parvos, apesar de até podermos ser tomados como tal. Não defendo que abdicasse do gozo das férias, com os filhos a quem as prometeu, e não deveria torná-los infelizes, mas deveria utilizar os meios de comunicação possíveis e dirigir-se ao seu povo, que o elegeu para as graças e desgraças. Uma mensagem de solidariedade, como referi.
Não sei, realmente, se este nosso Sócrates, apesar de aparentemente ser bom rapaz, será pragmático e racional. Se Descartes dizia "cogito ergo sum" (penso, logo existo), parece-me que o nosso primeiro ministro não sabe se pensa, nem se existe, embora viva para a existência feliz, infelizmente impensada. Gostaríamos que existisse para pensar mais no seu povo e no que lhe prometeu, sem se manter distanciado, ausente dos seus compromissos assumidos, numa quase assumida inexistência temporária. Sei que são trocadilhos verbais, quiçá inopinados, mas que se aplicam, aplicam.
Até simpatizo, convenhamos, com o nosso PM, mas entendo que ele deveria tomar uma atitude de solidariedade, à distância, usando um pouco da sua imagem ainda (?) pouco chamuscada, para, pelo menos, mostrar que até está connosco e sofre dos mesmos sentimentos pelos infortúnios de muitos compatriotas, vítimas dos incêndios e dos terroristas incendiários.
E por falar destes últimos terroristas, alguns pirómanos doentios a necessitar de jaula e disciplina monástica, outros autênticas remanescências de aliados e seguidores da Al-Quaeda, que lhes deveríamos fazer? Aplicar o Código de Hamurabi? Olho por olho, dente por dente? Carbonizá-los, com a mesma indiferença que os move, dentro do braseiro que eles próprios criaram?
Talvez não tanto radicalismo ou estertores de vingança, mas é necessária legislação muitíssimo mais pesada para os criminosos do fogo posto e, nunca se esqueçam, dos seus mentores, com interesses que deverão ser indagados até à medula. Leis que rejam as propriedades, o seu conteúdo, os destinos da terra e das árvores, as transacções dessas terras e seus produtos, e as intenções de quem quer transformar o verde em betão.

terça-feira, agosto 02, 2005

Soares...um Alegre não Manuel

Sempre adorei poesia de Manuel Alegre, essencialmente nos tempos da intervenção política pré-vinte-cinco-de-Abril. Chorava-se de ódio contra o sistema faccioso e fascista, e declamavam-se as palavras e armas, clamando aos ventos passantes as novas deste País.

Sentia na poesia de Manuel Alegre esforços e laivos de contestação e luta, as memórias do exílio e a temáticada guerra colonial:
Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal.
Passei os olhos pelas suas obras iniciais: Praça da Canção (1965, a sua primeira obra); O Canto e as Armas (1967); Um Barco para Ítaca (1971), e depois outras obras, mas cujo eco não me era tão querido, face a um país em decadência. É claro que num contexto político actual, estas poesias já não concitam ideias e sentimentos dessa minha juventude de conceitos desalinhados. Mas ainda me fervem nos neurónios e fazem-me reviver ousadias daqueles tempos.
Ora não é que este poeta, hoje um político de monta (mas não tanto!) nas fileiras do PS, não se disponibiliza para a lista dos perfilados à Presidência da República? Fica-lhe bem tal disponibilidade, mas nas desgraças e tempo que passa, não sei se será oportuno para ele tal facto. No seu lugar já não aceitaria tal proposta, mesmo que ela partisse do seu PS. Acho que poucos dos políticos socialistas que fazem da política um emprego lucrativo (mais quando se larga a efectividade) o apoiariam cordialmente e com emoção necessária a eventos deste cariz e pesado simbolismo. Não é que o Manuel Alegre não mereça ser um poeta Presidente...para nós até seria motivo de orgulho, mas assim, desta forma, com um outro candidato a candidato a intrometer-se...Deus proteja o poeta!
É claro que no fundo do meu portuguesismo (já foi mais intenso) não critico o Dr. Mário Soares, por aceitar um autêntico empurrão dos socráticos para avançar, pela terceira vez, para Belém, mas...mas, tal não lhe ficará muito bem, apesar de inédito na nova República. A velhice é um posto, muito mais quando a lucidez prevalece. Não me parece que o homem enferme de Alzheimer, essencialmente quando se analisam as suas crónicas e opiniões dos últimos tempos. Só quem o detesta (como o Portas!) poderá tirar tal ilação. Penso que Soares ainda terá sensatez e saúde suficiente para, pelo menos mais um mandato...e se não concluir, gastem-se mais uns euros em novas eleições antecipadas...o povo está habituado a pagar isto tudo, mai-las mordomias dessa corja toda.
Manuel Alegre não reunirá consensos dentro do PS, Soares parece-me um recurso "in extremis" dos socialistas que pretendem manter uma hegemonia rosa. Todavia, atentemos que Cavaco não será fácil de roer e, como muitos pensam, talvez Sócrates possa conviver politicamente melhor com Cavaco que com Soares.
Soares poderá ser boa e eficaz alternativa ao poeta Alegre, mas não me parece ser a melhor solução, embora a escassez de recursos impere nas hostes socialistas...e isto é o que faz a não renovação de quadros...os "caras" são sempre os mesmos dos últimos trinta anos de esbanjamento de dinheiros nacionais.
Alguém terá que ser o candidato, mas se o poeta, dignamente, renunciar, terá que relembrar a letra e a música que lhe e me ficaram concerteza no coração:
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

domingo, julho 10, 2005

Sócrates...a coragem de ser anti-...

Não vou passar a vida inteira a desculpar-me das ausências no mundo da bloguística, mas na realidade este intervalo de cerca de um mês não estava nos meus propósitos. A verdade é que a vida e afazeres de um “verdadeiro clínico” ligado de corpo e alma à sua profissão, de sobrecarga temporária e desgaste inavaliável, não se contempla com ocupações secundárias e hobbies intemporários. O prazer de escrever e comentar é muito, mas o tempo disponível é reduzido. Não gosto muito de blá-blá papagueado e despropositado, mas procurarei deixar algo que penso ser útil para quem tem a pachorra de me ler (se alguém existe).

***
O tempo que mediou entre a pausa e o dia de hoje foi rico em acontecimentos e factos. Politicamente as medidas de correcção do défice, boas para nenhuns, más para a maioria, agradáveis para invejosos, desagradáveis para comodistas do sistema. Sócrates, apesar de não poder justificar logicamente as medidas tomadas, olhando ao eleitoralmente prometido, até teve, como sói dizer-se, os tomates no sítio, ao enfrentar interesses instalados e “direitos” adquiridos. Claro que eu sempre questionei e questionarei se tais mordomias e alcavalas era realmente “direitos”...a serem, continuarei a dizer que os direitos só existem para determinadas pessoas e classes sociais, preferentemente para os políticos no poder (em cada fase) e seus correligionários. Felizmente a discussão do défice trouxe o azeite à superfície, e muitos dos privilégios (podem chamar-lhe “direitos adquiridos”, que eu não lhe mudo o nome) começaram a ser debatidos pela imprensa, e comentados pelo cidadão comum. Até aqui os decretos-lei de favorecimento de certas clientelas privilegiadas eram mal divulgados e logo guardados em gavetas de sete chaves. Ninguém comentava, a ninguém eram disponibilizados, e só aos beneficiados era dado conhecimento público. Tudo caladinho, pois o povo não deveria saber dessas benesses...conviria pouca divulgação. Mas o povo e o verdadeiro défice começaram a entender-se...forças circunstanciais, e aqui-del-rei (ou do presidente da República) que muitos gajos (permita-se o calão) iam perder direitos adquiridos. Em vez de serem favorecidos com um milhar, iriam passar a três quartos de milhar...grande perda de privilégios! Que dirá o Zé Povinho que vai perder quase tudo?...Que aguente, porque já está habituado, já sabe o que é pedinchar e viver sem um “tusto”... Já está com o corpo calejado de tanto penar e passar necessidades primárias. Mas os que estavam muito bem e mordomizados, não podiam perder direitos...de contrário já não poderiam oferecer o casaco de peles à amante, o carro desportivo ao filhote, aquela jóia encantada à esposa (enganada), e jogar na roleta...para comer haveria sempre, mas os vícios, porra...como alimentá-los?!...Ah!, os pobres...que se lixem (com ou sem “F”), comam o costume...ou nada.
Gostei bastante de um artigo que ontem o grande constitucionalista Prof. Jorge Miranda escreveu no “Público” ¾ «As corporações e a República». Poderia fazer link do artigo, mas confesso que não sei, pelo que aconselho as pessoas a lê-lo. Creio que poderia ser ainda mais contundente, pois dos profissionais abarcados, mais alguns deveriam ser referidos, mesmo os médicos, contra a minha profissão falo...embora nem todos os profissionais, de qualquer ramo de actividade, devam ser tratados de igual forma, pois existem os bons e os maus, como todos sabemos.
Como dizia antes, acho que o eng.º Sócrates teve a coragem, nada fácil, de afrontar tudo e todos, em nome de um futuro que ainda se augura muito difícil e dum miserável défice que eles, políticos, sabiam existir, maior ou menor, mas que teimavam ignorar, ou pretender que fosse ignorado. Tanta riqueza que veio da União Europeia, tanto capital a fundo perdido, mas só eles, políticos e seus amigalhões, dela usufruíram. Onde está esse dinheiro? Seria tão bom que fosse possível descobrir-se onde e por quem foi aplicado (entenda-se gasto). Não ficaríamos muito surpresos, mas concerteza iríamos ter a confirmação da existência de uma grande CORJA POLÌTICA.
Sei que o primeiro Ministro vai ter movimentos grevistas pela frente. Sei que vai ter um pesadelo com as eleições autárquicas, mas acho que apesar dos sacrifícios pedidos e algumas dissonâncias sócio-económicas, com matizes de injustiça social, todos deveríamos entender o ónus destas medidas por mais injustas que possam ser. Deveremos é lutar por uma maior igualdade de direitos sociais e económicos entre todos os portugueses, e ajudar a construir um futuro melhor para os nossos herdeiros. As injustiças sociais devem ser combatidas, mas no contexto actual, não sei se determinadas greves, mal geridas e fundamentadas, irão resolver parte dessas injustiças. Vamos pensar com mais razão e menor emoção.

segunda-feira, junho 06, 2005

Homo politicus lusitanus...um vírus imparável

Por razões óbvias estive afastado uns dias da actividade bloguista, mas fui acompanhando os últimos acontecimentos, sobre o défice, que vão fazendo faísca por tudo quanto é agente pagador do mesmo. Afinal, como em todos os tempos da história, a arraia miúda é que paga a crise e as promessas incumpridas. Nos vários “postings” anteriores fui alertando para as mordomias e alcavalas dos políticos, e como viram as coisas apenas foram beliscadas nesse aspecto. Vão continuar incólumes, embora se antevejam promessas “socráticas” de algumas perdas de regalias na classe política. Mas quais? E quem as vai controlar?
Os veículos continuam a proliferar nos vários Ministérios, Secretariados, Empresas Públicas, Hospitais EPE, etc, caros, bons consumidores de combustíveis, apenas com condutor e “gato pingado” passeando de lado para lado, as patroínhas e os meninos na pendura ocasional, mas quase sempre diária, sem que se anteveja um travão a esta estapafúrdia. Ah!, mas eu, um mísero funcionário público, embora quadro superior e corpo especial (não vejo regalias disto, confesso), continuo no meu velhinho veículo a gasóleo, mastigando cerca de cinquenta quilómetros por dia, mas à minha custa e sem pendurices oportunísticas. Pago a manutenção do veículo, o seguro, o combustível, as reparações, etc., tal como os outros cidadãos que não trajam cartão político de poder efémero, mas poder devorador de dinheiro (nosso, suado, sofrido, expoliado...). Afinal qual é a verdadeira UTILIDADE da grande maioria dos figurões que estão no Governo? O que é que, na realidade eles fazem por nós? Hei!, você já notou algum efeito útil desses bacanos que comem as nossas poupanças, os nossos ganhos suados? Se notou explique às pessoas, como eu, que ainda não vi nada de objectivo. Que riqueza criaram esses fulaninhos, que tipo de bem fazem às pessoas e à sociedade? Ah!, levantam o dedo e conseguem arranjar-nos mais uns impostos?!...Bem me parecia!...E você, não sabe levantar o miserável de um dedo?...Pois sabe, mas não foi eleito...Eles sim e que criaram?A carestia, a inflação, o desemprego, a fome, a vergonha de sermos portugueses de segunda, farrapos da UE...a própria vergonha, não sentida, deles próprios. Será que a sentem?!...
Agora vêm com a desculpa dos “direitos adquiridos” defender as chorudas reformas que auferem e não pretendem ver “extorquidas”, nem que seja em nome da moralidade e ética. Que exemplo dão estes miseráveis açambarcadores? De que maneira, e é preciso indagar, chegaram eles a esta “aquisição” de direitos? Contando tempos de serviço a dobrar, só com meros actos cívicos de pseudo-arte política? Que direito tem um político, à frente duma edilidade, para dobrar os primeiros dez anos de exercício cívico, quando eu (e milhares como eu) fiz mais de 20 anos períodos consecutivos de 24 horas semanais, e mais, de serviço de alto risco profissional, sem que me tenham dado sequer mais um ano de contagem de serviço? A noite não é tempo de serviço? As horas obrigatórias, repito obrigatórias, de trabalho extra, não foram tempo gasto em serviço? Contem-nas e vamos ver quantos anos me roubaram, pois foram pagas a preço de trabalho de escravo. Nem duvidem.
Mas agora os políticos é que se sentem dos direitos adquiridos que deveriam perder, e estão-se a marimbar nitidamente para quem trabalhou muitos mais anos que eles, e em trabalhos penosos, desgastantes, de risco.Até parece que eles é que trabalham e levantam o país. Realmente levantam, mas é o défice e as desgraças.
Razão tem quem lhes chama “cambada de malandros”, e ainda é muito suave tal tratamento!... Afinal continuarão a existir filhos da pátria, da mátria e da...outra senhora.
Sei que, apesar de tudo, eu até nem estou mal como a maior fatia do povo português, mas a solidariedade obriga a lutar pelos mais necessitados, essencialmente se esses necessitados são, como os portugueses pobres, uma alavanca para a opulência daqueles que gerem o seu destino a troco de votos miseravelmente mendigados e frustradamente oferecidos.
Como já nos vamos habituando, o HOMO POLITICUS LUSITANUS é um agente de altíssima virulência.

terça-feira, maio 17, 2005

O défice...esse monstro ciclópico

"Há o momento para que o país conheça a verdade e há o momento depois para acção, porque a acção só se pode basear na dimensão do problema. Vamos esperar pelo resultado e depois falaremos», disse, em Varsóvia, José Sócrates.


Tudo isto a propósito da valiosíssima descoberta constanciana, no nosso século XXI, após pesquisas gisadas ao longo de vários e aturados anos no Banco de Portugal, que o défice é CICLÓPICO e esteve tão oculto e disfarçado nestes últimos tempos.Poderá até ser verdade, mas há já muito tempo que eu ouvia comentários de cegos, e outros debilitados visuais, referindo que até a sua deficiência lhes permitia ver o móbil da recente descoberta de doutas gentes, dissolvidas em solutos governamentais. Acredito que, se não estivessem diluídos no meio político, em autêntica simbiose com os Grã-Comedores do Reino, até ignorassem esse Ciclópico défice, no entanto, acho que mesmo alguém hipnotizado não vai ficar sempre entorpecido, estuporoso, ausente da realidade.Ora, como agora se vê, a olho nu, a magnitude do BURACO, e todos passam a falar dele, a mandar palpites sobre etiologia e terapêutica, achei por bem emitir o meu acérrimo palpite.
"Penso de que...", conforme outras opiniões mais futebolísticas, afinal o mal do défice começou no pós-Descobertas. Não se espantem, pois conversas antigas, na oficina do meu pai, alfaiate de aldeia, já me diziam: "olha, rapaz, Portugal é um País que vive apenas de aparências e vaidade! Primeiro descobriram Mundos e foram grandes e ricos. Depois, embevecidos na vaidade de tamanha grandeza viraram gastadores compulsivos, enquanto os outros países se apoderavam das riquezas por nós conquistadas. Vivíamos do fausto e esquecíamo-nos que tínhamos um Império para gerir. Apenas construíamos palácios, monumentos, estátuas, enfim, um sem número de emblemas de pedra para perpetuarmos a nossa grandeza! Enquanto isto sucedia, a Europa crescia economicamente e nós íamos perdendo território (com ou sem mapas cor-de-rosa) e nem sequer ensinávamos os colonizados a falar a nossa língua. Apenas os escravizávamos, para podermos descansar à sombra das palmeiras e bananeiras, enquanto eles produziam o pouco que nos bastasse. Enfim, acomodámo-nos e perdemos pau e bola..."Participei, ainda adolescente em muitas destas aulas de história, e hoje vejo que mantemos a apatia ali descrita...acomodámo-nos e deixamos os maus gestores acabar com o resto do nosso tesouro, além de os deixarmos esbanjar as ofertas e auxílios monetários da UE. Para onde foi tanto dinheiro que nos deram com intuito de evoluirmos economica e socialmente? Quem gastou e em quê esses dinheiros? Todos sabemos que foram os maus gestores políticos dos últimos 15 a 20 anos, que nem sabem sequer como tal sucedeu, e agora, em alternância de poder, vão acusando uns aos outros, sem contemplações.A Administração Central, com os ordenados chorudos dos políticos, boys e correligionários, com as mordomias, subvenções, logística aparatosa de serviços megalómanos, continua a gastar a maior fatia do Orçamento da Função Pública, e não se prevê que essas despesas sejam sustidas ou diminuídas. É muito bom para eles tanta regalia, mas não pensam que quem lá os pôs também de lá os tira.
É chegada a hora do GRITO DO IPIRANGA lusitano: Acabem-se com as mordomias dos políticos e sua camarilha. Abaixo as subvenções chorudas. Abaixo os carros de luxo dos políticos e gestores do sistema. ABAIXO A MISÉRIA SOCIAL DOS PORTUGUESES.

terça-feira, maio 10, 2005

Fragmentos ...de factos e anti-factos (2)

Hoje li algures que a Galp Energia obteve lucros de 162 milhões de euros no 1º trimestre de 2005. Lucros! Lucros!
No entanto o petróleo ultrapassa os cinquenta dólares o barril...todos sabemos. Os nossos bolsos pagam os combustíveis a preços onerosos...nunca vistos. Prejuízo! Prejuízo!
Os transportes públicos têm preços que ...mordem qualquer carteira de cidadão comum.
Mas, a GALP ENERGIA tem ciclópicos lucros...quem diria, numa altura de recessão económica, período de vacas magras, proliferação de desemprego e pobreza extrema, enfim...uns tipos ganham ao desbarato, outros, que são a maioria (aqui nunca tem razão) morrem de fome e espantam-se com tamanhos lucros, sem conhecerem a cor do dinheiro.
Mas tristezas não pagam dívidas, sói dizer-se, pelo que alegremo-nos, pois alguém é feliz à custa da nossa infelicidade...de ordem social, económica e política. Sim, política, digo bem, pois é a permissividade política que contrói tamanhos lucros...e tanta pobreza.
Urge distribuir lucros, sem prejuízo para empresários, mas não vejo porque há-de ser tão vasto o lucro. Menos uns milhões e eles eram ricos à mesma...e o sobrante fazia muita gente feliz, num país de tanta lágrima oculta.
***
Também li que o pessoal, que anda nas estradas, vai comer por medida se não tiver os coletes reflectores dentro dos padrões exigíveis. A Brigada de Trânsito disse que não vai perdoar os 60 euros de multa. Sem perdão...nem tolerância!
Achava muito bem se tudo fosse bem explícito, quando se começou a publicitar a necessidade desses coletes a partir de 23 de Junho. Mas que aconteceu?
O povo, vendo coletes à venda, desde feiras, lojas chinesas, supermercados, gasolineiras, etc., tratou de se fornecer, ignorando, por falta de informação, as verdadeiras referências do material exigido. A nível dos media, jornais e televisões, nunca se viu, até hoje, insistir na informação e elucidação correcta das características dos coletes apropriados. Era necessário haver imagens diárias nesses meios de comunicação, além doutras fontes de informação correcta, de molde a que as pessoas não tivessem já comprado coletes que afinal não servem e serão objecto de multa. Quem vai retribuir aos compradores o dinheiro aplicado na compra desse material impróprio que comprou sem qualquer informação prévia? Devolver os coletes ilegais, como alguém disse, é simplesmente risível, pois as lojas e os feirantes não aceitarão...às vezes nem recibos deram das compras efectuadas, e até dirão que não foram compradas naquele local!... Só agora vejo as primeiras explicações sobre as características desses coletes, e em revistas de automóveis, na sua maioria. Para que serve a televisão do Estado? Não poderia exibir informação diária sobre este facto, com imagens explícitas, de firma a evitar futuras multas? Ou estará o Estado interessado em multas para rechear os cofres e pagar ordenados à BT.
Já agora, se somos membros da UE, porque não poderão as etiquetas ser redigidas em qualquer das línguas oficiais da mesma UE? E que qualidade atribui a referência da norma 471, sob forma de EN471 ou NPEN471, ao colete reflector? Se nada lá estiver escrito o colete tornar-se-á menos visível e eficaz? Já entramos no jogo dos coletes de marca, como nas roupas e calçado? Isto cheira-me a negócio...com múltiplos interessados, como se depreende.

domingo, maio 01, 2005

Fragmentos...de factos e anti-factos

Não foi propositadamente que deixei de evocar o dia 25 da Abril e o seu simbolismo, porque na realidade, para qualquer cidadão português que tenha vivido os tempos do Salazarismo, todos os dias são dignos de relembrar a efeméride em questão. Só quem não sentiu os arrepios daqueles tempos, e os horrores da PIDE e correligionários, é que não poderia fazer menção quotidiana aos dias de hoje. Os tempos eram de silêncio obrigatório e falas apenas censuradas e contidas. O monolitismo fascista não admitia sequer os ajuntamentos de pessoas e a liberdade de reunião e expressão, como muitos bem recordarão. Ainda me lembro, pouco tempo antes desse 25 de Abril/74, as vezes que tivemos de encarar a polícia que ocupava os pisos académicos da Faculdade de Medicina (Hospital de S. João), e não nos permitia conversar em grupo, mesmo tratando-se de discussões meramente académicas e clínicas. Quantos paralelos daqueles pavimentos exteriores não ajudei a arrancar e lançar contra esses polícias, que afinal cumpriam mandatos superiores, muitas vezes eles próprios contrafeitos, penso eu. Creio pois que, quem viveu isso e mais ainda os tempos de opressão cultural, com liberdades coarctadas em todas as suas expressões, não poderá jamais esquecer uma data como é o 25 de Abril de 1974. Mas hoje pululam por aí alguns politiqueiros de algibeira que não sabem sequer o que era a censura...quanto mais a opressão e ausência de liberdades. No entanto, alguns pertencem ao rol daqueles que se aproveitaram do pós 25 de Abril e, afilhados e amigos dos detentores do poder político-partidário, acabaram por receber os tais “jobs for the boys”, e por aí vivem, inchados de mordomias, e alheios, muitas vezes, às necessidades dos que contribuíram para o seu imerecido bem-estar.
Saibam ao menos salvaguardar os direitos e liberdades adquiridas por todos nessa data, sempre celebrada, do 25 de Abril de 1974.
***


Ontem, na sua primeira investida no debate mensal no Parlamento, o Primeiro-Ministro, José Sócrates, ousou mexer na Justiça do país, lançando algumas medidas que visam descongestionar os Tribunais e “acabar com os bloqueios existentes”, de forma a colocar alguma disciplina em tamanho caos dos nossos tribunais. Não sei se as medidas, na sua globalidade, terão as repercussões ideais e desejadas, mas concerteza vão surtir algum efeito e acabar com a morosidade dos processos e julgamentos, de forma a não prescreverem, por razões autenticamente absurdas, em muitos casos.
Acho meritória a medida de acabar com a renovação automática dos contratos de seguro automóvel, pois eu próprio sei o que isso é, sem culpa formada, quando os agentes se atrasam nas comunicações de mudança de empresa seguradora e esta cai, habilmente, sobre o segurado, sem qualquer culpa do mesmo, que atempadamente fornece os elementos necessários. Aliás creio ser uma medida de coacção a renovação automática, pois sempre entendi que a seguradora deveria contactar previamente o segurado para avaliar do seu desejo de continuar seguro na mesma empresa e nos mesmos moldes. Boa medida, entendo, mas sei que na fase de renovação, se a comunicação falhar e se o acto se arrastar no tempo, muita gente vai andar, temporariamente, sem seguro automóvel, logo deverão ser elaboradas medidas para que tal não suceda por interesse ou desinteresse das próprias seguradoras. Apesar de tal medida acabar com cerca de 12 a 15% da sobrecarga processual dos tribunais, creio que deverão ser tomadas medidas para que não sucedam os referidos atrasos.
Quanto à introdução de processos de injunção para créditos até valores de 15 mil euros, é certo que desviará dos tribunais cerca de 15 mil processos por ano, já que tudo poderá ser resolvido a nível de secretaria. Mas face à forte impossibilidade de contestação, iremos concerteza ver muitos cidadãos a receber condenações quase sem se aperceberem. O tempo e quiçá regulamentação apropriada poderão resolver problemas advenientes desta medida.
Os cheques sem provisão, até aos 150 euros, passarão a não ser criminalizados, enquanto até agora eram até ao valor de 62,50 euros. Claro que esta medida acabará com larga sobrecarga dos tribunais. Basta ver os valores referidos nos primeiros três meses deste ano, em que foram devolvidos 40.000 cheques até 150 euros! No entanto estou mesmo a ver a classe dos comerciantes a exigir à banca o ónus desses valores sem provisão, como já se diz por aí. Podemos ver os oportunistas a servir-se deste facto, mas espero e entendo que também deverá ser regulamentada nova forma de punir os faltosos.
As transgressões e contravenções também passarão a ser consideradas ilícitos administrativos, o que irá diminuir sobremaneira os processos crime, já que tais casos deixarão de ser discutidos em salas de tribunais e tal facto acelerará a aplicação das coimas. Todavia as pessoas vão passar a ter poucas possibilidades de impugnar decisões deste tipo, pois não poderão fazê-lo nos tribunais.
No que concerne à distribuição dos processos pela área residencial do consumidor, crê-se que tal facto favorece este último em detrimento das empresas, e vai concerteza aliviar a excessiva carga de processos em determinados tribunais.
Falou-se ainda da redução das férias judiciais de dois para um mês. Na sua essência estou de acordo, pois como médico e trabalhador de alto risco profissional, sem subsídio de risco ou outro, acho que os juizes não devem ter mais direitos que outros profissionais, também eles com excessiva carga de trabalho, incluindo estudo de processos e elaboração de relatórios que deveriam ser efectuados no local de trabalho e nunca no domicílio do trabalhador. Aliás esta é uma constante em várias áreas profissionais que estão sobrecarregadas no seu local de trabalho, por exigências directivas, mas com necessidade de prolongamento de serviço, gratuito e prejudicial para o trabalhador e sua família, que só poderá ser resolvido no seu domicílio. Isto, tecnicamente poder-se-á chamar um roubo ao trabalhador, já que nada recebe por este trabalho necessário, mas acessório. Nisto o Estado é perito. Portanto, se os juizes tinham o segundo mês de férias para organizar processos e o próximo ano judicial, também os médicos e outros profissionais, pelas mesmas razões, deveriam ter dois meses de férias. Como acréscimo direi que há países em que os profissionais de trabalhos de alto risco e desgaste, como médicos e enfermeiros que trabalham com doentes oncológicos, terminais e outros, têm realmente dois e três meses de férias, mas interpolados, para recuperação de cansaço físico e psíquico. Aqui, as nossas necessidades terceiro-mundistas não o permitem, alé porque se existirem benesses essas serão preferencialmente para a classe política e seus correligionários...enfim, é o país que temos!

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Para não ser maçador nestes meus fragmentos, só queria ainda referir-me à “excelente” governação anterior do Dr. Bagão Félix, que, contrariamente ao que afirmava sobre proteccionismo fiscal, acabou, na sua rápida largada do poder, tão almejado, por fazer uma autêntica borrada, permita-se a expressão, quando emitiu um despacho que adiava para 2010 (quem viesse, que se lixasse) o acerto das dívidas do futebol. Ter atitudes destas para lobbies com a dimensão do nosso mundo futebolístico é, no mínimo, execrável e uma ofensa à miséria e pobreza nacionais.

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E agora para terminar uma breve referência a uma notícia, que já ninguém comentou porque não havia qualquer interesse no já sabido, mas voluntária e convenientemente “ignorado”, facto da CIA ter anunciado, ao fim de dois anos (!...) de intensas pesquisas, que afinal não havia no Iraque armas de destruição maciça. Mas que espanto, só quem não acompanhou essas buscas antes da invasão de Bush-filho é que poderia ter dúvidas. É claro que Saddam era um ditador dos terríveis e um incontestado criminoso para os seus adversários políticos, mas não foi ele, nem é, que alimenta a crescente e imparável espiral de terror que se abateu sobre o Iraque. Foram, isso sim, os interesses (Quais? Obviamente...nada acrescento) de G. W. Bush e seus apaniguados seguidores que criaram o terrorismo onde ele não tinha as feições actuais. Por acaso alguém se lembra de tantos atentados mortíferos no Iraque como os que agora lá sucedem? Antes, Saddam eliminava os seus opositores e o terror era outro, embora também de dimensões assustadoras, mas ninguém olha para o Darfur, o Zimbabwe, o Congo, a China e muitos outros, onde os direitos humanos são palavras inexistentes...mas petróleo também não têm. E terá valido a pena tal invasão? Pensem bem, mas se foi pelo petróleo, que os deuses nos valham porque de vinte dólares o barril já vai acima dos cinquenta! Viva a invasão...abaixo o petróleo...procurem-se energias alternativas nem que sejam para invadir e preocupar outro povo qualquer, que não o americano. Até porque o imperialismo, tal como foi o Maoísmo, não passa de um “tigre de papel”...e o papel arde com muita facilidade, daí que a América, com tantas mortes desnecessárias, já tem ardido bastante...até quando?

sábado, abril 23, 2005

Da vida à morte...decisão consciente

A vida é um bem que ninguém, de bom senso, coloca em perigo. Nem a própria loucura dos suicidas me parece um acto consciente e, muito menos, sensato, pois tem subjacente estados de alma caóticos e influências nefastas e devastadoras dum ego destruído, voluntária ou involuntariamente. A morte aproxima-se de nós inevitavelmente, numa compassada cadência, ao sabor do ignoto tempo. Cada segundo uma esperança, cada dia passado um sonho realizado.
Mas que vale a vida se mal vivida? E que conceito teremos do que é uma vida bem vivida? Sonham-se boas vidas, mas, escalpelizadas, não passaram de vidas mal vividas...atropelos, usurpações, escravatura, ignomínias, enfim, uma infindável lista de itens responsáveis por pseudo-boas-vidas. Outras, más vidas, foram vividas da melhor forma, embora muitas vezes no fio de lâminas de fazedores de desgraças, estes com vidas, muitas vezes, não melhores que as dos que procuraram subjugar.
Se a vida é a maior valia da humanidade, porquê tanto contra-senso, tanta aberração comportamental, tanto alarido político e religioso sobre a mesma? Que importa, para a maioria da humanidade, a definição de vida, a sua caracterização, onde começa e onde acaba essa própria vida? Parece mais um problema para distrair cérebros ávidos de ciência e geradores de conflitos, embora na sua essência não o seja. Toda a discussão tem o seu lugar e tempo próprios.
Discute-se quem comanda a vida, e presume-se que tem razão a canção de António Gedeão: “O sonho comanda a vida”. Então não deveremos desfazer os sonhos de quem vive, e muito menos dos que vão diluindo a vida, com outros sonhos, até ao desfazer de todos os sonhos...a morte, lógica ausência de vida.
Procuram, desde os meandros religiosos aos políticos, numa sociedade desgastada e agastada, decidir da vida e da morte de cada ser vivente, não só humano. Concílios, conferências, mesas redondas, encontros...tudo serve de campo decisório, para se julgar a vida e a morte. Em nome de todos e de ninguém...em favor de alguns e prejuízo de muitos mais...sem que alguém lhes tenha passado procuração para tão alta decisão.
Criminaliza-se quem comete aborto e rouba a vida do feto intra-uterino, mesmo que a razão abortiva ultrapasse os valores da consciência humana. Não se procuram essas razões e colocam-se as mulheres em posições ignominiosas como se prazer e bem estar lhes proporcionasse tamanho sacrifício abortivo. Acham esses pensadores de filosofias preconceituosas e seguidistas que, quem sofre na pele o aborto, se vai sentir feliz, livre de alguns remorsos, capaz de repetir por prazer nova cena ...nem pensem nisso! O aborto nunca foi nem será motivo de felicidade e bem-estar para quem o faz, para quem o efectiva e para quem, por múltiplas e ignotas razões, o pretende e nele participa. Não é só a mulher que aborta a desejosa de tal facto, na maioria das vezes, pois por detrás da decisão estão interesses de terceiros, homens, maridos, amantes, pais, irmãos...fugas de escândalos, de misérias ocultas, de amores falhados...enfim, de mil razões que não deverão ser julgadas nem punidas por interesses e intenções bacocas e em nome de religiosidade perversa e fundamentalista, ou politiquices de submissão obsessiva.
Ninguém deverá impor as suas ideias em nome da fé, qualquer que esta seja, e muito menos em defesa de determinados princípios políticos, eivados de conservadorismo radical e baseados em dogmas ancestrais e anacrónicos. O respeito pela vida, na sua essência, passa pelo respeito das pessoas que já representam vidas activas, valores indiscutíveis da própria essência existencial.
Sem pretender fazer julgamentos de quem quer que seja, gostaria de encontrar uma explicação lógica para se avaliar quem é o maior criminoso: o que promove a morte de um feto que ainda não comungou o contacto da natureza agreste, ou aquele que envia para a frente de batalha milhares de jovens, já conhecedores dos prazeres terrestres, sabendo que vão ser, muitos deles, mortos em defesa de nada e de ninguém a não ser interesses de quem os manda. Mais concretamente, interrogo: Não será Bush mais criminoso que uma mulher que aborta? Magiquem, vejam prós e contras e, em consciência, sem influências religiosas e políticas doentias, decidam a intensidade dos crimes nestas situações. E agora, porque será “pecado” matar o feto, e não é “pecado” condenar à morte milhares de jovens soldados que não defendem nada de seu, a não ser a própria vida. Já nem quero falar das penas de morte institucionalizadas em alguns países ditos democráticos e respeitadores dos valores éticos e morais. Que valem esses valores? O valor que cada um lhe atribuir, em consciência e sentimento de justiça social.

Não queria acabar este problema de vida e morte sem focar a eutanásia. Aceito que não se induza a morte a um doente vegetativo que apresenta autonomia e sustentabilidade vital sem apetrechos complementares (vulgo, máquinas), mas entendo que, quem não consegue, per si, sobreviver sem esses complementos da modernidade tecnológica, deverá, se for assentimento da família, ser desligado do cordão umbilical de suporte e falecer com dignidade e de acordo com a lei da natureza, em que tudo tem o seu efémero tempo de passagem. Chamar pecado a este acto de dignidade humana é que será um verdadeiro pecado. Da mesma forma se deverá apodar o acto de prolongar a vida irrecuperável de um doente em estadio terminal, com meios técnicos de suporte, mas com enorme sofrimento do mesmo, já que tal não passa de distanásia. O sofrimento, qualquer que seja a sua feição, destrói o homem, pelo que urge de forma racional e consciente, erradicá-lo quando se torna irreversível, apesar de hoje os cuidados paliativos conseguirem controlar muito do sofrimento humano. O grande problema das sociedades é que a dor de uns não é a dor de outros, e a empatia do sofrimento esbarra em preconceitos, tabus de conduta político-religiosa e no egoísmo generalizado das sociedades consumistas, exploradoras e indiferentes aos verdadeiros valores humanos.

terça-feira, abril 12, 2005

A vã cobiça de mandar...até quando?

A cadeira do poder é, na realidade, um local de sedimentação para muitos políticos que após fruição e habituação a tantas e tão saborosas mordomias, jamais querem despegar...é que , ter poder e capacidades de manobra na máquina administrativa e noutras de grande importância, não é apenas prestígio, mas direi que mais parece arte de prestidigitação de gentes e dinheiros.
Sabemos, é velho e soa por todas as esquinas, que o poder leva à corrupção. Ninguém terá dúvidas dessa realidade, no entanto o poder também domina quem se lhe opõe, logo extermina qualquer hipótese de contrariação, a menos que lhe escape ao conhecimento e próprio poder. Temos conhecimento de poderes que se prolongaram no tempo até à queda dos seus detentores, que muitas vezes só com a morte dos mesmos, ou com revoltas dos mais poderosos, seus afins e conhecedores das suas debilidades. Outros poderes prolongaram-se nos tentáculos familiares, quais monarquias de direito próprio, hoje em desaparecimento global, a menos que tenham prática democrática e imagem simpática e popular, como algumas que se vão mantendo mundo fora. As que assim não forem, cairão de putrefactas e o povo, mesmo com sangue derramado, depô-las-á se a tanto for obrigado.
Bem, mas este palavreado vem mais a propósito, pela recente atitude do Governo Sócrates, em colocar um limite nos mandadtos dos políticos. Bem haja, amigo Sócrates, pois será a forma de derrubar legalmente os coladinhos ao poder e corruptos como o quase inimputável João Jardim, que faz da Madeira o seu reinado absolutista e se ri, às gargalhadas, menosprezando o poder central de Lisboa. Também os vários presidentes de Câmaras que se apoderaram dos municípios e fizeram fortunas familiares inexplicáveis, mesmo ganhando os ordenados que tal não permitiriam. Não querem perder privilégios nem mordomias, e por muito que façam pelo município, terão que se compenetrar que não são insubstituíveis.
Mas, além da limitação dos mandatos, amigo Sócrates, é preciso, urgentemente, em nome da igualdade de direitos no trabalho, colocar um fim às chorudas subvenções e aposentações precoces de todos os "boys" da engrenagem política, bem como à duplicação do tempo de serviço, para contagem de aposentação. O sistema político em vigor para toda esta corja, concede-lhes benesses que nenhum funcionário da administração pública possui, mesmo tendo categorias e profissões de maior responsabilidade perante os cidadãos e o País. É UMA VERGONHA, esta desigualdade institucionalizada. Acabem com ela. SOMOS TODOS FILHOS DA PÁTRIA, e não da ...

sábado, abril 09, 2005

Medicamentos de venda livre...lobbies e deontologia

Não me tinha ainda debruçado sobre o cada vez mais polémico negócio dos fármacos de venda livre que muito irrita certos lobbies, como não poderia deixar de ser, já que a negociata implicará perda de valores para muitos farmacêuticos com lojas fortes e até múltiplas, além de lhes cercear o exclusivo monopólio de fornecimento, ao público, de enorme fatia de medicamentos. Creio que quem pode vender nas farmácias produtos não farmacológicos, como champôs, chupetas, fraldas, leites, cremes de beleza, etc., deverá aceitar que, nos estabelecimentos comerciais destes e doutros produtos similares, se comercializem também medicamentos de venda livre.
Poderá caber-lhes razão na não aceitação de uma autêntica balda, na forma de venda desses medicamentos, ou seja, distribuição "ad libitum", sem supervisão de perito conhecedor de eficácia e risco dos fármacos vendáveis, e até no tipo de armazenamento e local do mesmo. Creio que poderá ser um erro tremendo manter certos medicamentos, hoje de venda livre, em estantes de acesso fácil, ao alcance das mãos de crianças e certas pessoas menos informadas, tendo em conta que a grande maioria desses fármacos não podem ser considerados inócuos e até são perigosos se usados desmedida e irracionalcionalmente. A maioria das pessoas desconhece, como exemplo de produto de venda livre, que a vulgar "ASPIRINA", no mercado há mais de cem anos, se for ingerida sem alimentos no estômago pode provocar uma úlcera e levar até à morte, para já não falar das frequentes e graves alergias a este mesmo produto. Portanto...que se cuidem os incautos.
Assim, entendo que alguém que domine a farmacologia deverá estar subjacente a tais vendas, em áreas que não farmácias. Os fármacos deverão estar em secções estanques, bem acondicionados e acessíveis apenas a funcionários apropriados e sob orientação de responsável conhecedor dos mesmos produtos.
E porquê alguém conhecedor dos efeitos e riscos decorrentes do uso inapropriado do medicamento? Pelo simples facto de que se um cliente não necessita de receita médica para aquisição desse produto, deverá sempre ser informado dos tais riscos por alguém capaz de lhe fornecer a informação que não teve, por omissão de clínico prescritor.
Aqui entramos noutro aspecto que nunca vi debatido pelos media. Só os farmacêuticos é que podem informar os clientes acerca do fármaco a adquirir? Não sei se para além de médicos e farmacêuticos, mais alguém recebe ensinamentos científicos consistentes sobre Farmacologia e Terapêutica, pelo que entendo, que nas áreas de venda livre, os responsáveis técnicos sejam os licenciados em Farmácia. No entanto, e aqui é que reside a minha opinião que ainda não vi debatida, porque não poderá existir nos próprios consultórios médicos, por absurdo que pareça e até pouco deontológico, uma secção de venda desses produtos? Poderá essa área nem sequer ser pertença ou exploração do mesmo médico que ali consulta. E se for, não estará o médico acima de qualquer suspeita técnico-científica de conhecedor dos produtos, das suas indicações e efeitos colaterais? Mesmo que o doente não vá à consulta desse médico, despesa que evita, poderá entrar na área anexa de comercialização, e se necessário poderá ter informação fidedigna imediata, mesmo ali ao lado. Também os doentes consultados e com prescrições desses fármacos de venda livre poderiam, logo ali, adquirir esses produtos, possivelmente a preços mais baixos. Seria de repensar, sem pruridos, esta questão, embora saiba que iria estalar uma autêntica guerra com farmacêuticos mais renitentes, ir-se-ia apelar à deontologia profissional, e acima de tudo iriam apodar os médicos de monopolistas. Mas vejam bem que se trataria apenas de venda de produtos medicinais de venda livre, e não de toda a restante farmacopeia que na realidade acho que apenas deverá ser vendida em farmácias convencionais. Além de mais a exploração dessa secção poderia, como disse, pertencer a outra pessoa que não o médico, ou médicos, que ali exerçam.
Importante e muito benéfico para os doentes seria também abrir, como já se pensou, as farmácias hospitalares a todos os doentes dessas áreas de referência, pois seria certamente uma forma de tornar mais baratos os medicamentos que, como sabemos, são parte onerosa de muitos orçamentos familiares, essencialmente dos idosos e doentes crónicos. Se os funcionários fossem poucos na farmácia hospitalar, até seria motivo para criação de novo emprego.
Não queria deixar de acrescentar, como opinião própria e correlacionada com o assunto, que qualquer diplomado em Farmácia, deveria ser autorizado a abrir o seu estabelecimento farmacêutico onde quisesse, sem limitações por área e habitantes, tal como os médicos abrem consultórios onde e quando o pretendam. A lei vigente sob aquisição de farmácias é que favorece parte de uma classe, a dos farmacêuticos, mas prejudica os jovens licenciados que terão de optar por outras áreas farmacológicas, como a laboratorial, ou então viram autênticos empregados de promotores de lobbies e de um verdadeiro monopólio.
Espero que a nova regulamentação para venda desses produtos não vá causar mais danos que os já existentes.

terça-feira, abril 05, 2005

Após um discreto interregno para férias acabei por voltar às minhas habituais e espaçadas "blogadas", já refeito dum certo cansaço profissional.

Ninguém ficou indiferente ao desaparecimento esperado dum Homem, cidadão do Mundo, de nome Karol Wojtyla, nado na Polónia mas abrangente do terráqueo Universo.
Deixou-nos uma bela imagem de sorrisos esparsos em cada olhar, de gestos amigos em cada aceno, de serenidade luminosa em cada palavra solta.
Amigo de todos e mobilizador da juventude, que tanto acalentou, foi um digno representante de Deus, interlocutor e apaziguador de deuses menores com quem não procurou o confronto, mas antes pediu perdão de ancestrais actos ignominiosos e praticados em nome do Deus, que serviu na plenitude das suas forças.
Condenou as ambições dos políticos que alimentam a guerra, mesmo sabendo que estes se iriam agora genuflectir perante a sua despedida e viagem final.
Com glória e martírio deixou a sua marca mundo fora, sem olhar aos credos ou às cores políticas.
No seu indiscutível mediatismo, deixou-nos após alguma modernização da Igreja, mas sem conseguir, mesmo assim, resolver alguns dogmas de fé, sem demolir o pecado de tabus como a eutanásia e o aborto. Os tempos hodiernos exigiam uma reavaliação dos problemas que afectam os valores das novas sociedades, sem vertigens, mas sem pruridos de ordem ética e moral.
Vamos ver o que nos reserva o novo Papa que vai sair da nublosa fumaça, esperando que nos traga uma nova Luz de Esperança, para que a Igreja, em consonância com outros credos, nos faça acreditar nas energias divinas para resolução dos problemas mais candentes deste nosso conturbado planeta.

terça-feira, março 22, 2005

O CDS-PP... Freitas do Amaral...e Administração Bush "and friends"

Ontem na apresentação do Programa do Governo notou-se, sem necessidade de perspicácia maior, que o azedume dos maus fígados continuava à flor da mente dos deputados do CDS-PP (mais PP que CDS), no que se referia à presença do Dr. Freitas do Amaral, como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. A ofegante crispação, as palavras dardejantes e viperinas do Dr. Paulo Portas e sua comitiva ecoavam sonoras na amplitude do hemiciclo, contra o seu adversário de ocasião, e num manifesto apoio às políticas pró-W.Bush. O ressentimento estava ainda latente e fervilhava-lhes nas veias e artérias, com pulsações ecoantes no silêncio ambiental, e frémitos visíveis a olho nú. Até parecia que Bush era o Deus e o verdadeiro guru da seita PP(ista), o intocável do momento político internacional e português. Ainda bem que o visado lhes prestou uma atenção proporcional ao seu (deles) parco valor representativo no hemiciclo, mas sem os zurzir ou desconsiderar.
Sei que as opiniões do Dr. Freitas do Amaral sobre a política de Bush feriram as sensibilidades da direita mais fanática do nosso país, mas devo dizer que comungo da maioria das suas opiniões sobre esse maléfico promotor do terrorismo no Médio Oriente, criminoso de guerra e desrespeitador das normas internacionais, que se marimbou para as directrizes da ONU, tal como os seus amigos judeus de Israel, com o único intuito de se afirmar o mais forte do Mundo, que manda e faz o que quer e quando quer. Será isto espelho de DEMOCRACIA? Se é, então os compêndios políticos e a deontologia dos seus praticantes estão errados. Quais trogloditas, escusamos de frequentar escolas e devemos voltar à lei da selva, onde impera a lei do mais forte e, onde a inteligência e a ética não têm cabimento.Ou estaremos perante os tão vaticinados tempos da Besta do Apocalipse?
Sabemos que ainda é recente a nomeação de Paul Wolfowitz (segundo dizem, pouco especialista em assuntos de economia de crescimento e de desenvolvimento económico) para suceder a J. Wolfensohn a partir de 01/06/05 à frente do Banco Mundial. Sendo este uma instituição que funciona sob a égide das Nações Unidas e procura implementar o desenvolvimento económico em países mais necessitados, estamos mesmo a ver que, sendo essa nomeação praticamente feita pelos Estados Unidos, a sua administração Bush vai-lhe dar o destino que se está a adivinhar...reconstrução do Iraque e Afeganistão ( que destruiram, "motu proprio"), além doutros países pobres da sua confiança política, imaginamos. Pois bem, e quem irá receber esse dinheiro lá aplicado? Provavelmente "reconstrutores" americanos (os preferidos) e os "friends" dos States...Será que Portugal irá ser contemplado? Duvido, meus caros. Já nem quero falar do FMI, outra instituição bem conhecida e também controlada pelos States, devido ao seu peso indiscutível no controlo da economia mundial. Mesmo sendo um país tão grande em vários sentidos, essencialmente no desenvolvimento económico (apesar dos enormes desequilíbrios sociais, e enorme pobreza...) creio que não lhe ficaria nada mal permitir alguma rotatividade e maior decência na direcção dessas instituições de enorme peso e influência mundial.

quarta-feira, março 16, 2005

Chegar, observar...programar melhor

Não sei se a constituição deste Governo defraudou as expectativas gerais, mas na realidade contava já com elenco similar, para além deste ou daquele nome mais sonante, ou de alguém recuperado dos Governos guterristas. Desiludiu-me apenas, como a muitos como eu, a anémica representatividade feminina que se quedou por dois ministérios, em dezasseis, e por quatro secretariados de Estado, em trinta e cinco. Parece-me pouco se atendermos que as mulheres hoje representam uma belíssima fatia dos nossos quadros técnicos superiores, algumas de elite e valor relevante. Mas nada se perde, acreditando que não se vai cair na loucura de movimentações feministas de Mulheres Socialistas (e “independentes” afins) , essencialmente de algumas que já passaram pelos Governos Socialistas e não me deixaram qualquer saudade. Receio um pouco a falta de “poder de encaixe” de mulheres com valor reconhecido, como Ana Benavente, Edite Estrela, Ana Gomes e outras, mas o poder não pode contemplar todas as que por lá passaram...e valores há muitos, felizmente, fora os que não militam nas cores Socialistas. Estamos expectantes perante o Programa a apresentar e que queremos ver cumprido, para além de todos os défices e querelas económicas e laborais. Espero que na reestruturação da Administração Pública sejam revistas as mordomias exageradas dos políticos, acabando de vez com tanto gasto, tanta ostentação e, acima de tudo com direitos que outros funcionários não têm, dentro e fora da Administração Pública. É preciso rever as subvenções e indemnizações dos “boys” do poder político, as contagens a dobrar do tempo de serviço (um autêntico bónus, imerecido, que menospreza e avilta qualquer funcionário que luta diariamente em trabalhos de muito maior risco), e muitas outras alcavalas de ordem logística quotidiana, para já não falar de honorários abastados, quando também comparados com os de muitos quadros técnicos superiores que trabalham para a Administração Pública. É preciso acabar com cidadãos de primeira e de segunda dentro do funcionalismo público, incluindo os políticos que são transformados em funcionários públicos transitórios e efémeros, mas que comem a maior fatia do orçamento da Função Pública. Acabem com essas discrepâncias injustas, mas acima de tudo acabem mesmo com a pobreza e a miséria deste país que se pretende europeu e de vanguarda.
Ontem li no Correio da Manhã um inquérito que questionava as pessoas (não referia o global de inquiridos) se estavam de acordo que o tempo de serviço dos autarcas valesse a dobrar (só nos primeiros dez anos?) e 96% foram peremptórios no NÃO; apenas 4% disseram SIM (familiares de...ou autarcas?). Cada um tire a sua ilação, mas cá está uma coisa que se deve extinguir. Ridículo que um representante da Assembleia Municipal, que trabalha lá quase de borla, não tem sequer um dia a mais por cada ano de representatividade nessa função de deputado municipal...injustiças de um país que só serve o poder político e alguns seus correligionários.

Já agora não queria deixar de fazer uma alusão ao retorno das Secretarias de Estado a Lisboa. Muitos não gostaram, por óbvias razões, mas na realidade, embora eu seja um apaniguado da descentralização do Poder, acho que, no contexto político e económico do momento, se exige maior eficiência e menores dispêndios, de acordo com Sócrates, já que a distância e a despesa eram maiores. Convirá é governar bem e sem os pruridos de que cada terra deveria ter ou manter uma Secretaria de Estado.

terça-feira, março 08, 2005

Freitas do Amaral...o renegado.

Achei extremamente curioso o facto de o CDS-PP enviar o retrato de honra do Prof. Freitas do Amaral, da sede do partido para o Largo do Rato. Sem dúvida um acto corajoso dum partidozito em vias de extinção que, segundo imagino, vai colocar no lugar vazio a foto de Salazar, o verdadeiro mentor da criação daquele grupelho político de saudosos princípios, agora dominado por agitados e frenéticos betinhos de recente promoção. Não sei se também retiraram o quadro com o retrato do Dr. Manuel Monteiro, mas creio que seria lógico e consensual fazê-lo, em nome do verdadeiro espírito da caça às bruxas.
Qualquer dia será a vez do ainda actual líder, Dr. Paulo Portas, que por questões de continuidade na política, uma das suas grandes ambições de sempre, poderá ter que migrar de partido para usufruir de estatuto político, e então também será lançado janela fora, qual Vasconcelos traidor, duma qualquer restauração do século XXI.
Será que já não se prestam as honras devidas a quem teve, e tem valor indiscutível? E o respeito pela amizade de muitos anos?...Para o CDS-PP tudo é letra morta. Eis a verdadeira face de um partido democrático! Eis a verdadeira máscara de um partido fascista e fascizante...Já ouço, no horizonte próximo, um discreto Requiem pela quase esfarrapada família CDS-PPopular.

quinta-feira, março 03, 2005

Do riso à depressão...lusitano fado

Adoro ler a poesia do Zé Gomes, como chamavam ao poeta militante, José Gomes Ferreira, que em 1931, no intróito do seu livro “Poeta Militante I” já dizia numa belíssima composição que “Viver sempre também cansa.” Gosto imenso da parte em que diz: “Ainda por cima os homens são os homens./ Soluçam, bebem, riem e digerem/ sem imaginação.”

Isto vem a propósito dos recentes números que referem um aumento de 45% no consumo de antidepressivos em Portugal, nos últimos cinco anos. Mais, ainda durante o ano transacto, apenas ultrapassados pelos irlandeses, consumimos cerca de seis milhões de embalagens desses fármacos.
Afinal que raio de vida é esta, a dos portugueses, para, do tão badalado povo alegre e risonho, passar para o mais deprimido e tristonho?
Razões havê-las-á, mas serão múltiplas e discutíveis, no entanto não poderemos deixar escapar as condições sócio-económicas e financeiras, com alto índice de pobreza e miséria, desemprego, fome e outros condicionalismos terceiro-mundistas, por demais conhecidos de todos, mas subvalorizados e até menosprezados pelos sucessivos governantes.
Vivo na minha prática clínica diária, paredes meias com todas estas condições de degradação social que induz tamanho consumo de antidepressivos e muitas vezes outras atitudes que rasam o suicídio e suas tentativas goradas. Falar dos casos é apenas um acto de conhecimento superficial, mas, vivê-los no quotidiano, é um exercício de sofrimento solidário que não permite contemplações nem falta de lucidez.
Acredito que o Povo Português, apesar do sentimento trágico e sebastianista, com laivos de velhos do Restelo, terá, na realidade motivos para comportamentos ansio-depressivos. É triste pertencer-se a uma União Europeia, ter necessidades idênticas aos seus membros globais, partilhar despesas similares, mas usufruir de condições sócio-económicas e financeiras muito piores e de cariz terceiro-mundista. Contudo o que mais custa é ver-se um enorme desnível entre os pobres e os ricos deste país, sem que estes, na sua maioria, tivessem razões para tanta riqueza. Não estamos em tempo de subsídios de comiseração e salários de vergonha europeia, temos é que dar o justo a quem o merece e trabalha, acabando com os ciclópicos lucros de muitas empresas que deveriam procurar servir melhor e explorar menos. Não sou anti-capitalista, mas sou anti-monopólios, pois estes servem para subjugar economicamente um povo, já de si tão maltratado e explorado.
Não se admirem pois que o povo consuma drogas sob forma de ansiolíticos, antidepressivos ou, como muitos deserdados da sociedade que procuram na toxodependência o lenitivo das suas desgraças. Acima de tudo não pensem que os clínicos, psiquiatras ou não, se divertem com prescrições destes fármacos.
O Povo Português ri-se muito, mas não sabe se ri a chorar, ou chora sorrindo às desgraças que o molestam. A verdade é que mitiga as tristezas com antidepressivos ou com ânsias de lento suicídio, essencialmente quando já não acredita na força divina das preces.
Tal como comecei, e apesar de viver continuar a cansar (sempre), vou deixar um poema do mesmo autor, dedicado à Tristeza.

Tu, outra vez, Tristeza
- que vens do frio das lâminas
e abres nas flores
caveiras secas
num gelar de centelhas apagadas.

Tu, outra vez, Tristeza
- que iluminas os olhos de frio,
deste frio de alma
que corre por dentro do sol
num desânimo de lágrimas ocas.

Tu, outra vez, Tristeza
- como se o mundo fosse acabar
e saíssem cá para fora,
das pedras e das árvores,
garras de cinzas...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O erro político...dimensão da culpa

Ao menosprezar a atitude do Presidente Jorge Sampaio, Santana Lopes reconheceu, por fim, ter errado. Afinal o demissor não se afastava dos anseios da maioria do Povo que passou um cheque em branco ao candidato do PSD.
Creio que só os seguidores e apaniguados do Governo moribundo ainda acreditavam no incrível e inviável.
Será Santana o único culpado dos erros cometidos pelo Governo demissionário? É claro que, à partida, um erro não exigirá sempre culpados, mas sempre responsáveis. E quem foi responsável pelo descalabro em evolução? Porventura apenas aquele homem que, apesar de narcisista quase desde o berço, não deixou de acreditar em si próprio, poderá receber o carimbo da culpa? Pessoalmente acredito que não. Santana Lopes é apenas um correponsável pelo falhanço governativo anterior, mas entendo ainda que talvez não tenha sido o maior dos corresponsáveis, porque alguns se esconderam, mal e posteriormente, por detrás da evidência e protagonismo do cabeça de Governação. Até andaram na campanha pré-eleitoral disfarçados e clamando isenção de responsabilidades na prática dos seus erros.

Agora vai-se formar novo Governo que se aguarda com ansiedade. Eivada de secretismo, talvez por razões de segurança e para não descambar numa escolha desastrosa, a formação do elenco requer muitas cautelas e escolhas selectivas. Entendo que não se poderá abusar de nomes que pisaram as veredas do Guterrismo, caso contrário veríamos e sentiríamos o peso duma continuidade que também foi um erro. Será que duma corresponsabilidade negativa pretendemos confrontarmo-nos com outra semelhante? Cuidado Engº Sócrates, as atenções e vontades rapinantes caem sobre as suas escolhas. Os censores, desde os orgãos de comunicação aos empresários e trabalhadores, estão ávidos de informação e prontos a criticar, mesmo antes da actividade e dos erros futuros. Sim, erros futuros, pois não julgue o futuro Primeiro-Ministro que vai ter um Governo inócuo e isento de erros. Mas, muita atenção, com culpas ou sem culpas desses erros, seja responsável por parte deles, e acima de tudo tente fazer tudo para que esses erros sejam irrelevantes para o mal-estar dos portugueses que confiaram no seu projecto.

É claro que nem sequer tem o Governo formado, mas acredite que vai ter choro e ranger de dentes entre muitos camaradas seus e amigos que forem preteridos, essencialmente entre os mais convencidos e senhores dos seus botões, também algo narcisistas, que se julgam insubstituíveis nesta ou naquela pasta. Ignore essas atitudes, pois só poderão vir de quem lhe possa crer mal e se julgue melhor que os melhores. Estes últimos não costumam ser narcisistas e vivem recatados na sombra de grandes obras, por vezes ainda desconhecidas por pouco propaladas, face à sua humildade. Fuja dos vaidosos que por já terem estado em lugares políticos se vão perfilar na primeira linha para serem mais visíveis. Olhe mais para as filas de trás, onde os mais capazes não alardeam qualidades. A humildade não procura visibilidade ostentatória.

Para finalizar direi como todos sabemos: "Errar é humano", mas também sói dizer-se que "na primeira quem quer cai, na segunda cai quem quer"

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Está consumado o facto...vae victis

Hoje vou escrever o verde da esperança, contando que esta mesma não venha a ser uma futura desilusão. Espero que o próximo Governo de Sócrates seja capaz de corrigir e fazer esquecer muitos dos erros do passado tenebroso que nos vinha sugando a medula. Estamos fartos do atraso perante os nossos parceiros da UE. Estamos cada vez mais reduzidos a parentes próximos dos países terceiro-mundistas. Estamos ávidos de mudança para melhor. Tenho fé neste próximo Governo, pois creio que vai tentar lavar a imagem que Guterres deixou quando depôs as armas da Governação, tendo oferecido o ouro aos bandidos.

Ontem, apesar de muitos pensarem que não, fui votar mesmo ao cair do pano. Mil rostos de esperança rondavam as salas e corredores da Escola onde decorreu o acto. Alguns, ávidos de conhecer as mudanças, outros cabisbaixos por anteverem essas mesmas mudanças. Valeu a pena, acho eu.

Apesar de ter havido uma redução da abstenção, continua a haver muito cidadão que por razões óbvias necessita que alguém se lembre que não são excluídos da pátria. Terão sempre alguma voz que os represente, nem que seja na contínua virtualidade de funções, sempre sem as mordomias que espero Sócrates vá repensar, em seu devido tempo...e é mais que tempo disso!

sábado, fevereiro 19, 2005

amanhã é o dia D...vença a esquerda

Após tanto barulho, confusão, boatos e rumores, lá vem chegando o dia das decisões finais, em que alguém terá que tomar conta dos nossos destinos, para se resolver a nossa profunda deriva no mar das incertezas políticas.
Várias sondagens se efectuaram, mas a realidade amanhã nos dará as tais certezas que procuramos. Espero que tudo mude para melhor, e é nesta esperança que vivem todos os portugueses, mesmo aqueles que não vão poder votar, mas querem ficar seguros de uma futura boa governação que também os defenda à extensão global da sua cidadania.
Arrisco-me a fazer a minha previsão, sem números, mas por escalas de partidos. Assim prevejo que o PS ganhe uma maioria tangencial, acreditando no PCP como 3ª força, acima do BE e CDS-PP.
Espero, depois, que Sócrates não caia nos erros dos seus antecessores, incluindo Guterres, e que procure lavar a imagem da anterior governação PS que se deixou embalar por princípios erróneos, ao conceder também muitas mordomias e jobs for the boys. Que essa obcecação chegue ao fim, e olhem para um povo que necessita viver ao nível dos parceiros europeus, usufruindo do mesmo poder de compra e nível sócio-económico. Não nos deixem continuar a ser os terceiro-mundistas da U.E.
Continuarei a debater a acção governativa futura, sem contemplações e com a maior isenção possível.
Quero deixar expresso aquilo que pode ser um contrasenso em relação ao meu blog, mas quero que a abstenção seja a menor possível. Aqui basta-me falar em nome de uma reduzida fatia da população.
Comentarei também, à minha simples maneira, os resultados de amanhã.

sábado, fevereiro 12, 2005

Sustentabilidade futura das mordomias... a desgraça dos que trabalham

Numa linguagem simplista e sem rodriguinhos de arte literária, gostaria de, mais uma vez, na minha qualidade de deputado da abstenção e sem mordomias, abordar um problema concreto que paira na onda de toda esta estapafúrdia eleitoral. Quero, mais uma vez, deixar claro que, apesar de “virtualmente” me considerar representante dos cidadãos que se abstiveram por múltiplas razões, não sou defensor da abstenção ao acto eleitoral, até, pelo contrário, acho que se deverá votar. No entanto, alguém terá que falar pelos que não votaram, qualquer que fosse o seu motivo de abstenção. Mas não pretendo representar os mortos...aí, respeito!

Um dos problemas que mais se debate hoje, em conversações políticas acerca do Estado da Nação, é o que se prende com o futuro da Segurança Social, ou seja, como e quem vai sustentar os reformados daqui a alguns anos. No entanto, essa sustentabilidade não passa só pelos actuais e futuros reformados do nosso País, mas também pela alimentação pública de chorudos ordenados (com mordomias e alcavalas incluídas) que muitos políticos e gestores “políticos” de empresas públicas de Estado auferem, sem qualquer regra e até sem merecimento, quando confrontados com milhares de quadros técnicos da Função Pública. Existem muitíssimos operários e quadros técnicos superiores da Função Pública, com longos anos de serviço em tarefas de alto risco e desgaste, que são ridiculamente pagos e, futuramente, não terão duplicação de tempo de serviço, nem subvenções pelo trabalho efectuado. Quando comparados com esses politiqueiros que passam, temporariamente, pela Função Pública e sempre com tachos opulentos que se prolongam para lá dos seus mandatos, poderão ser considerados roubados e espoliados pelo próprio Governo, que apenas mantém vigentes leis que protegem quem lhes interessa, ou seja, apenas quem vive da política, sem militância de Função Pública durante uma vida inteira. Isto tem que acabar se pretendem credibilizar a actividade política. Sejam os próprios políticos a dar o exemplo e a pouparem no erário público. Não culpabilizem os funcionários de baixos ordenados e sem mordomias, pois sempre os apontam como exemplos de improdutividade e baixa rentabilidade, quando o contrário é que é verdadeiro. Aliás nunca vi apelar à necessidade de diminuir o número de funcionários públicos que militam na governação e partidos políticos, que são numerosos e ocupam posições de altos honorários, mas sim apelar ao despedimento dos mais humildes e menos onerosos funcionários que sempre trabalharam na Função Pública. Mandem embora e reduzam aos múltiplos deputados da A.R., aos vários administradores de empresas públicas que até se atropelam em sobreposição de tarefas, aos excessivos secretários de Estado e comandita governamental. Quem são, afinal, os gastadores mores do erário público? É, como todos sabemos, na governação que está o ónus do funcionalismo público, quer no seu excesso, ineficácia e opulência de mordomias actuais e futuras (subvenções exageradas face ao seu desempenho e tempo de serviço), quer na onerosa e pesada logística de alimentação da máquina política e governamental, desde as autarquias e empresas públicas ao poder central.

Há por aí muitos seguidistas e protegidos partidários que vivem, flauteadamente e sem que nada o justifique, à custa de todos os que trabalham e descontam com dignidade e honra, mas que se sacrificam com magros ordenados para que o desses protegidos seja gordo e a longo prazo, mesmo após a sua efémera passagem pelo funcionalismo público.
Vejam bem quantos descontos de operários normais serão necessários para se sustentar a subvenção de Mira Amaral? Quantos, como este último, auferem, sem qualquer lógica e merecimento, de subvenções acima dos cinco mil euros...bastando-lhes ter pertencido a determinado partido que, no poder, os colocou, muitas vezes sem mérito, em postos políticos a transbordar mordomias. Convirá pois haver a coragem necessária para alterar as regras do jogo.

Daria toda a minha credibilidade e apoio a políticos que tivessem a coragem de nivelar os ordenados da Função Pública, retirando desde já, as mordomias aos que exercem cargos políticos. É claro que seria necessária muita coragem, e até muitas contrariedades, mas só assim o exercício político será digno de autêntica cidadania e quiçá da admiração de todo o Povo Português. O exemplo deve sempre partir das cúpulas, para que os governados não tenham que ser subjugados e base de apoio e sustentabilidade de tanta vilanagem.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Loucura institucionalizada...sonho ou utopia

Hoje dou comigo a ouvir na TSF que o ministro do Ambiente Nobre Guedes, andaria agora, arvorado no único candidato sério do círculo de Coimbra, a pedir a exclusão e proibição de entrada nesta cidade de José Sócrates. Tudo porque Sócrates propõe que se instale a co-incineração em Coimbra.
Esta tirada de Nobre Guedes, além de não ser tão nobre quanto o seu nome, ultrapassa os limites da dignidade política, ainda mais quando o faz na posição de ministro do País. É um autêntico incitamento à desordem e revolta popular, que poderão situar-nos numa Europa medieval de que não há forma de nos libertarmos. É a prova evidente que alguns destes governantes são ingénuos, mas intencionalmente vingativos, procurando, a todo o transe, redimir-se pela negativa, duma demissão que cada vez se torna mais justificada.
Alguém, de bom senso, apadrinhará estes desatinados promotores da conflitualidade? Não será demasiado evidente que a continuação desta corja demitida só nos poderá conduzir a um estado caótico, diria mais, anarco-social? È realmente a loucura instalada num sector político de direita saudosista que ainda tem a ousadia de instigar, de forma populista e infame, o povo a apostar neles.


Se em 20 de Fevereiro os votantes elegerem esta tropilha afogada no seu próprio narcisismo e elevada auto-estima, ou existe uma loucura generalizada e institucionalizada, ou digam-me que estou a sonhar num mundo utópico. Isto é o paroxismo do ridículo: um ministro do Ambiente a criar, sem nobreza, um péssimo ambiente.

domingo, janeiro 30, 2005

A seriedade ... e a alucinação efémera

Santana, apesar de óptimo jogador de palavreado, começa a ver na escassez de recursos temáticos, a necessidade de uns desvios de atenções acerca dos reais e mais agudos problemas nacionais. Assim sendo começa a disparar em qualquer sentido sobre assuntos de importância secundária face às nossas necessidades mais prementes. Agora desafiou Sócrates a pronunciar-se sobre o casamento entre homossexuais, como se tal fosse de grande importância para quem vai votar no dia 20 de Fevereiro. É claro que também demonstrou, mais uma vez, que não leu com atenção o programa eleitoral do PS, ou então o seu acessor para a informação devê-lo-ia ter elucidado melhor sobre essa problemática. Aliás nota-se um certo nervosismo, mal disfarçado, nesta campanha do PSD, que se pauta pelos ataques desbragados e constantes desvios de trajectória temática, talvez procurando ocultar um medo, ou quiçá fobia, pela não elegebilidade e ainda mais pela hipotética maioria do PS, propalada por várias sondagens. Certo é que sondagens são prospecções aleatórias e com margens de falhanço e erro já muito conhecidas, no entanto têm interesse e servem, quando muito para assustar pessoas inseguras como o Dr. Pedro Santana Lopes, que ainda vai culpabilizar estas sondagens de terem sido a causa da sua esperada derrota, e queda pessoal no seio do seu partido, onde já não falta a fila de nomes para a sucessão. Depois chorará agarrado ao passado, vergado e dobrado perante a imagem de Sá Carneiro, e culpando tudo e todos de o perseguirem sem motivos...será afinal o esquecimento de um falso mito, uma alucinação efémera.

terça-feira, janeiro 25, 2005

os turbo-médicos

Sempre achei alguma graça aos turbo-profissionais livres, e agora vejo retratado o problema noutro blogue, o causa-nossa, Luis Lavoura, que me parece um adepto fervoroso da exclusividade dos médicos, aspecto que não me repugna, mas que também entendo não ter sido, nem continuar a ser, benefício para as instituições de Saúde.
Digo que não é benefício para essas instituições por vários motivos. Primeiro porque sei, por experiência e vivência próprias, que os médicos que trabalham no regime de exclusividade das 42 horas, ou seja apenas mais 7 horas (teóricas), não realizam, nos hospitais que trabalham, mais serviço que os da não exclusividade (os das 35 horas). Muitas vezes, e basta comparar rentabilidades nessas instituições, até são menos produtivos e mais lentos, pois não estão habituados a maior intensidade de trabalho, como é exigida na clínica privada (mais exigente, quer em hospitais, clínicas ou consultórios privados), além de, muitas vezes manterem o senso comum de funcionários públicos dolentes, com trabalho para se ir fazendo, lento pede sed secure.
Quando refiro que a diferença de 7 horas, das 35 para as 42 horas, é teórico, digo-o com toda a segurança, porque quem trabalha 35 horas acaba por fazer semanalmente mais 12 de urgência geral, logo perfaz 47 horas, o que transcende o tempo legal. Depois, até há bem pouco tempo, e desde o célebre dec.-lei 73/90 (da Dra. Leonor Beleza), as horas extras, que custam a todos os trabalhadores da mesma forma, eram pagas a preço de saldo aos trabalhadores das 35 horas, ou seja a quase metade do preço..
Além da rentabilidade e produtividade não ser maior, também as alcavalas dos clínicos da exclusividade são notórias, e basta ler aquele decreto-lei. Assim, em cada 4 anos de serviço, esses médicos têm mais um ano de serviço efectivo, além dos honorários serem quase o dobro dos das 35 horas. Têm preferência para participar em Congressos e Cursos médicos; a partir dos 55 anos começam a ter descontos no horário, à razão de uma hora em cada ano, até chegar às tais 35 horas; quando se reformam, o valor dessa reforma é em função do ordenado que recebiam, daí muitos (espertos, é claro) mudarem para regime de exclusividade por volta dos 55 anos de idade...não os critico.
Se na data em que entrou em vigor este sistema de trabalho houvesse uma aderência de apenas 90% dos médicos efectivos (pouco mais de 20.000, nessa altura) o SNS ia estoirar com o orçamento para a Saúde, só nos honorários médicos. É questão de regredir no tempo e fazerem-se as contas.
Quanto à pretensa promiscuidade, público/privado, que poderia ter levado a este sistema de exclusividade, devo dizer que ele mesmo é mais promíscuo ao permitir certos clínicos deste regime (os mais graduados e directores de serviços) fazerem serviço privado dentro da instituição com gastos de material e pessoal da mesma, além de poderem ter, dentro do hospital, quartos particulares reservados em seu nome...e esta hein?!...Vem no decreto, caros amigos.
Sempre me admirei por ver os comunistas defenderem "para trabalho igual salário igual", mas aqui, nesta discrepância, nunca os ouvi senão apoiar...entendo-os!
Todavia não sou contra os que se aproveitaram e aproveitam do sistema, e até acho que com certas variantes e bons honorários aos clínicos, este sistema poderia ser melhor utilizado, mas sem tantas alcavalas para uns e castigos, repito, castigos para outros.
Só quem não trabalha no meio do sistema não o conhece...e quanto a profissionais e seus comportamentos apenas rematarei: há MÉDICOS e médicos, grandezas e fraquezas...
O assunto, bem esmiuçado, tem pano para mangas...