segunda-feira, junho 06, 2005

Homo politicus lusitanus...um vírus imparável

Por razões óbvias estive afastado uns dias da actividade bloguista, mas fui acompanhando os últimos acontecimentos, sobre o défice, que vão fazendo faísca por tudo quanto é agente pagador do mesmo. Afinal, como em todos os tempos da história, a arraia miúda é que paga a crise e as promessas incumpridas. Nos vários “postings” anteriores fui alertando para as mordomias e alcavalas dos políticos, e como viram as coisas apenas foram beliscadas nesse aspecto. Vão continuar incólumes, embora se antevejam promessas “socráticas” de algumas perdas de regalias na classe política. Mas quais? E quem as vai controlar?
Os veículos continuam a proliferar nos vários Ministérios, Secretariados, Empresas Públicas, Hospitais EPE, etc, caros, bons consumidores de combustíveis, apenas com condutor e “gato pingado” passeando de lado para lado, as patroínhas e os meninos na pendura ocasional, mas quase sempre diária, sem que se anteveja um travão a esta estapafúrdia. Ah!, mas eu, um mísero funcionário público, embora quadro superior e corpo especial (não vejo regalias disto, confesso), continuo no meu velhinho veículo a gasóleo, mastigando cerca de cinquenta quilómetros por dia, mas à minha custa e sem pendurices oportunísticas. Pago a manutenção do veículo, o seguro, o combustível, as reparações, etc., tal como os outros cidadãos que não trajam cartão político de poder efémero, mas poder devorador de dinheiro (nosso, suado, sofrido, expoliado...). Afinal qual é a verdadeira UTILIDADE da grande maioria dos figurões que estão no Governo? O que é que, na realidade eles fazem por nós? Hei!, você já notou algum efeito útil desses bacanos que comem as nossas poupanças, os nossos ganhos suados? Se notou explique às pessoas, como eu, que ainda não vi nada de objectivo. Que riqueza criaram esses fulaninhos, que tipo de bem fazem às pessoas e à sociedade? Ah!, levantam o dedo e conseguem arranjar-nos mais uns impostos?!...Bem me parecia!...E você, não sabe levantar o miserável de um dedo?...Pois sabe, mas não foi eleito...Eles sim e que criaram?A carestia, a inflação, o desemprego, a fome, a vergonha de sermos portugueses de segunda, farrapos da UE...a própria vergonha, não sentida, deles próprios. Será que a sentem?!...
Agora vêm com a desculpa dos “direitos adquiridos” defender as chorudas reformas que auferem e não pretendem ver “extorquidas”, nem que seja em nome da moralidade e ética. Que exemplo dão estes miseráveis açambarcadores? De que maneira, e é preciso indagar, chegaram eles a esta “aquisição” de direitos? Contando tempos de serviço a dobrar, só com meros actos cívicos de pseudo-arte política? Que direito tem um político, à frente duma edilidade, para dobrar os primeiros dez anos de exercício cívico, quando eu (e milhares como eu) fiz mais de 20 anos períodos consecutivos de 24 horas semanais, e mais, de serviço de alto risco profissional, sem que me tenham dado sequer mais um ano de contagem de serviço? A noite não é tempo de serviço? As horas obrigatórias, repito obrigatórias, de trabalho extra, não foram tempo gasto em serviço? Contem-nas e vamos ver quantos anos me roubaram, pois foram pagas a preço de trabalho de escravo. Nem duvidem.
Mas agora os políticos é que se sentem dos direitos adquiridos que deveriam perder, e estão-se a marimbar nitidamente para quem trabalhou muitos mais anos que eles, e em trabalhos penosos, desgastantes, de risco.Até parece que eles é que trabalham e levantam o país. Realmente levantam, mas é o défice e as desgraças.
Razão tem quem lhes chama “cambada de malandros”, e ainda é muito suave tal tratamento!... Afinal continuarão a existir filhos da pátria, da mátria e da...outra senhora.
Sei que, apesar de tudo, eu até nem estou mal como a maior fatia do povo português, mas a solidariedade obriga a lutar pelos mais necessitados, essencialmente se esses necessitados são, como os portugueses pobres, uma alavanca para a opulência daqueles que gerem o seu destino a troco de votos miseravelmente mendigados e frustradamente oferecidos.
Como já nos vamos habituando, o HOMO POLITICUS LUSITANUS é um agente de altíssima virulência.

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