domingo, julho 03, 2011

Tecto nas pensões?...Absolutamente de acordo, mas...




Acho muito bem que se proceda, e já, à elaboração de uma lei que estabeleça o máximo tecto de valor da pensão de reforma. Que fique entre 2500 a 3000 euros, se assim for entendido, mas que tenha efeitos de retroactividade. Porquê, podem perguntar. Muito simples. Falarei da minha profissão e suas vicissitudes para exemplificar.
Eu e muitos outros como eu, técnicos superiores já na linha dos 60 anos de idade (entre 59-62), poderemos considerar-nos perdedores dos mesmos direitos adquiridos que atribuem aos que, abaixo de, e na nossa idade, já se encontram reformados e com reformas “douradas”. Que fizeram mais que nós, já que muitos até descontaram menos anos e até valores bem mais baixos? A justiça deverá ser universal.
No meu ramo, Medicina, os médicos, na função pública, tinham o hábito de trabalhar, na sua maioria, no regime de não exclusividade de 35 horas, com uma remuneração equivalente a quase metade da dos que trabalhavam no regime de exclusividade de 42 horas (só mais sete horas no horário, com extras pagas a valores relacionadas com ordenado base). Todavia, os das 35 horas poderiam acumular na privada, se para tal tivessem “unhas… e guitarra”. Os da exclusividade, só poderiam trabalhar na instituição pública onde tinham contrato, embora, quando mais graduados, já podiam (pasme-se!) exercer clínica privada, cumulativamente, dentro da própria instituição pública e à custa de recursos dessa instituição. Estava na lei, criada por sua excelência a Dra Leonor Beleza, no tempo dum Governo PSD. E tinha mais benesses para estes clínicos que optassem por esse regime de exclusividade das 42 horas semanais: a partir dos 55 anos iam diminuindo uma hora semanal de trabalho durante cada ano de idade até que aos 62 anos já trabalhavam as mesmas 35 horas que os da não exclusividade, mas com ordenado mantido no “quase-dobro”. Basta lerem o Dec-Lei 73-90, criado pela Dra. referida, então Ministra da Saúde.
Ora sucedia, muitas vezes, que os médicos quando chegavam aos 60-62 anos, por arte e manha, já que a lei, então o permitia, pediam passagem para a exclusividade de 42 horas, o que lhes iria elevar o valor da remuneração da sua pensão final, passados mais três ou cinco anos. Claro que isso já foi abolido, há poucos anos, após criação dos Hospitais EPE e a obrigatoriedade de se fazerem Contratos Individuais de Trabalho (CIT). Era o princípio do fim das carreiras hospitalares públicas, com contratos estatais duradouros e acabou-se exclusividade e até se destruiu o verdadeiro espírito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que nos chegou a cotar num belíssimo 12º lugar de melhor sistema do mundo (agora estamos talvez abaixo do 30º ou lá perto).
Porquê tanta retórica e história, perguntarão os que me lêem? O intuito é explicar aos que desconheciam esta verdade da existência de médicos em “não exclusividade” e outros “em exclusividade de 42 horas”, e as voltas que os mesmos davam no fim de ciclo laboral, para auferirem mais uns trocos (permita-se a expressão). Assim, desde há uns nove a dez anos que um médico no regime das 35 horas (não exclusivas) e no topo da carreira, recebia (e recebe) cerca de 2500 euros, enquanto um aposentado continua, repito continua, a receber entre 4500 a 5000’ euros. Até parece mentira, mas não é. Alguém no activo, em topo de carreira, a receber quase metade de ex-colega aposentado e que tinha praticamente os mesmos anos de actividade profissional! A lei permitia, era injusta, pelo que se deverá proceder a correcções, pois agora ninguém vai ter essas benesses. Todos comemos, todos vestimos, todos temos gastos a curto e médio prazo que contamos pagar com os valores que pensamos vir a receber. As dificuldades tocam a todos, pelo que os sacrifícios deverão ser partilhados, já que há profissões duras, que não a minha, em que se ganha muito, muito pouco mesmo. Estes é que deverão ser protegidos e ajudados, não falando dos muitíssimos reformados com valores de pensões super-vergonhosas. Se eu fosse um governante deste país, tinha vergonha de não ter atribuído melhores reformas a muitos que lutaram e foram sempre honestos e explorados. Nunca me sentiria bem a receber balúrdios e a gastar desenfreadamente, quando a maioria nem para comer tem.
Por isto e muito mais que isto, entendo que todos deveriam sofrer a redução do valor das suas pensões de reforma incluindo quem já recebe, pois o seu direito adquirido tem o valor do meu e de muitos outros quase na sua idade e até mais velhos.
Mais, é urgente retirar aos políticos aposentados o correspondente ao valor da sua “subvenção vitalícia” que é imoral, imerecida e até vergonhosa. Não estão a entrar no país aqueles valores exorbitantes de dinheiros a fundo perdido que entravam na data em que, oportunisticamente, foi criada tal subvenção. Mexe-vos na carteira, não é, senhores políticos? É mesmo nisto que vocês devem dar exemplo, para que se possa acreditar que vivem para governar e não para se governarem. O povo ficar-vos-ia grato se mostrassem vontade de corrigir erros que foram vícios e pecados de más governações. Que se retirem mordomias e benesses que não se justificam. Vão a tempo apesar dos maus tempos que se aproximam…para todos.
Se o fizerem terão a cátedra do poder por muito e muitos anos, podem crer.

terça-feira, junho 07, 2011

Estavas tão bem caladinha, Ana ...


(publicado noutro blogue do autor)


Ana Gomes coloca hoje Paulo Portas numa situação que não corresponde totalmente ao que porventura ele desejaria. No mesmo plano de Dominique Strauss-Kahn (DSK) do FMI, actualmente a aguardar julgamento nos EEUU.
Creio que apenas a comparação comportamental e situação internacional extrapola o razoável. Paulo Portas até gostaria de ter um protagonismo (essencialmente pela positiva), igual ao de DSK, mas ainda bem que não tem, senão Passos Coelho seria seu súbdito e não o que na realidade sucede. No entanto, todos sabemos que PP tem bastantes telhados de vidro dentro da nossa política nacional. Não basta falar dos submarinos, caso ainda em Tribunal, nem da contribuição do seu preço para a excessiva dívida portuguesa. Hoje mesmo se fala das “provas recebidas há algumas semanas das autoridades alemãs, que indiciam o pagamento de ‘luvas’ a militares e políticos portugueses, que em 2004 (no Governo PSD-CDS, de Durão Barroso e Paulo Portas) decidiram adjudicar a compra de dois submarinos ao consórcio GSC”.
É facto que se trata de um “caso de polícia”, mas o homem poderá ter agido de boa fé, sem intuitos comprometedores, mas apenas para sobrevalorizar o seu protagonismo político. Desconheço se ganhou riqueza pessoal com tal negócio.
Aliás nota-se que Portas apresenta excessivo brilho nos olhos e um fácies eufórico e delirante quando lhe concedem o poder para as mãos. Há quem chame prestígio a tal poder que se recebe, mas para mim o prestígio reside na honestidade e correcção do cumprimento da actividade política que nos é colocada nas mãos.
Todos se lembram ainda da suspeita em relação a facturas falsas na Cooperativa Dinensino no processo da Universidade Moderna. Ficou tudo esclarecido? Talvez sim…talvez não.
Brincando com letras, creio, apesar de tudo que PP não irá estragar a salada ao PPC, pois este último C faz a diferença, referindo que está por Cima de PP.
Achei estranho que Cavaco, após afastamento de Sócrates do elenco do PS, não tenha proposto ao PPC uma coligação mais forte com o PS sem Sócrates. Afinal os socialistas já não tinham o suposto “veneno” e tinham conhecimento de muitos dossiers do Governo. Sempre não teriam que recomeçar em vários sectores, mas dar continuidade e aperfeiçoar determinados itens. Claro que iriam ter a guerra de Paulo Portas que até “já sabia” que seria o único a ter assento no Governo com a vitória do PSD (e quiçá se fosse o PS a força mais votada).
Obviamente Passos Coelho (tal como Cavaco) não pretenderia ter como colaboradores aqueles que ele e seus seguidores sempre consideraram os maiores causadores do “buraco negro” nacional.
Nada a censurar, mas terão mesmo razão? O buraco não começou a ser cavado mesmo por Cavaco? Tanto dinheirinho mal gasto no seu reinado e seguintes! Tanta criação de mordomias políticas! Tanta traição a um pobre povo que sempre esperou vir a ter melhor vida no futuro e apenas ganhou uma mão cheia de nada e outra de dívidas que não contraiu.
Vamos lá ver que tipo de governação vai fazer a refeita sociedade PSD/CDS-PP, e se vai reduzir o enorme peso da máquina governativa e dos gestores “políticos”, bem como a luta anti-corrupção. Se o fizerem passarão a merecer continuidade no poder e a gratidão do povo.
Pois é Ana, estavas tão bem caladinha e com certeza eu também… mas parece que gostamos de provocar (debates).

sexta-feira, junho 03, 2011

O homem e...o homem novo



(publicado noutros blogues do autor)


Somos um país “sui generis”. Está na nossa genética peninsular e disso não nos livramos. Além de minúsculos, somos megalómanos, mas também vingativos e, por vezes, intolerantes.
Nestes últimos seis anos o País foi dirigido por um homem que alimentou ódios e mal-estar nos seus opositores, mesmo que partidários da “rosa”. Desde o início do seu mandato serviu de alvo a abater. Ninguém parecia querer mal ao partido que dirigia, pois as baterias apontaram sempre, nestes seis anos, apenas na direcção desse homem.
Importunaram-se com a forma como obteve o seu curso superior, com a sua amizade e relacionamento com os implicados no negócio Freeport, com os seus projectos de casas nas beiras e com as suas amizades com determinadas pessoas ligadas a duvidosos negócios de sucata.
O homem, com muita paciência e alguma crispação (quem não se sente não é filho de boa gente), lá foi aguentando todas as insinuações e afrontas. Determinados grupos dos “media”, a soldo de grupos indignados, davam ênfase a muitas destas suspeitas, tentando julgar o homem em praça pública, como se jornalista ressentido fosse equivalente a juiz inquisitório.
Havia necessidade de abater o homem, nem que fosse numa salada de invenções caluniosas.
O País, dizem e não está longe da verdade, afundou-se economicamente mais nestes seis anos que em quase todos os anteriores governos. Mas a verdade é que também os seus acusadores esquecem que, no reinado deste homem, o país criou maior bem-estar social, conhecimento e poder tecnológico que em todos os anteriores. O ordenado mínimo cresceu e teve promessa de atingir os 500 euros (miserável ordenado mínimo se comparado com outros países da EU).
Também os seus delatores se esqueceram que, a partir de 2008, a crise económica mundial teve efeitos cumulativos e potenciadores em todas as crises dos países com economias mais frágeis, como Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, etc. Da mesma forma a agiotagem das agências de “rating” iniciou a caça ao tesouro europeu. Por acaso esse homem, tão espicaçado pelos opositores, seria o dirigente da Grécia, Espanha, Irlanda e outros países aflitos? E os problemas não eram comuns?
Já viram que os países, em disputa pelos grandes grupos económicos e agências de “rating”, são aqueles que melhores destinos de férias possuem? Dizem-se recantos extremamente apetecíveis pelos senhores do capital, que pretendem escolher e ficar com os mais belos e recatados, roubando-os às populações desses países. No fundo eles querem ser donos, a título grátis (juros incomportáveis cobrados) desses belos recantos que privatizarão e transformarão em condomínios privados de super-luxo. Só não vê quem for cego.
Cá dentro, os opositores daquele homem alinham na chantagem e forçam a entrada do FMI. Em vez da independência duma Pátria com cerca de 900 anos, preferem a subserviência à agiotagem internacional.
Agora, com as consequências do “forcing”, já temos intrusos na nossa governação nacional. Não faz mal, dirão muitos, pois já cá tínhamos gestores de grandes empresas que eram estrangeiros, também poderemos ter um Governo estrangeiro.
É isto mesmo, amigos, um Governo estrangeiro. Tudo o que sair destas dispendiosas e desnecessárias eleições, não irá passar dum “verbo de encher”. Os nossos governantes a eleger serão elementos de “um Governo fantasma”, pois apenas terão um peso minúsculo na eficácia governamental. Nem sequer terão um quarto do poder, tendo que cumprir as directrizes do FMI. Ninguém venha com histórias! Podem lá colocar o Coelho da Madeira que fará o mesmo que o outro Coelho (O PPC). Não passarão de um bando de carneiros obedecendo ao seu pastor. Vamos ver para crer.
No entanto, aquele homem foi o alvo a abater, não o seu partido (embora este o fosse por arrasto) e era apontado como o único culpado do “afundanço” nacional. Errado e desculpas de maus pagadores. Tudo vem já detrás, anos antes, em que os partidos e coligações que lá passaram, gastaram a seu bel-prazer e tudo se foi acumulando. Nos governos cavaquistas e seguintes, todos gastaram e desperdiçaram as enormes tranches, a fundo perdido, vindas da EU. Foi um fartar de maus gastos, roubos descarados, criação de clientelismos vergonhosos. Os políticos e amigos, na sua maioria, enriqueceram a olhos vistos. Exageradas mordomias eram uso corrente na classe política e seus boys. Milhares de empresas criadas e falidas, pouco tempo depois… era dinheiro a fundo perdido, não importava. Necessário era gastá-lo, de preferência mal, mas com proveito para os boys.
Quando aquele homem começou a governar a entrada desses dinheiros, a fundo perdido, diminuíram significativamente. Foi o mal, pois ele julgou que poderia manter os consumos, com menos entradas a tapar buracos! Assim o buraco teve um agravamento abissal. Ainda cortou as famigeradas “subvenções vitalícias” dos ex-políticos, mas já tarde, pois ainda os actuais as irão receber. Seria bom que as retirassem a todos os que as recebem, com efeitos retroactivos, pois não correspondem a qualquer merecimento, essencialmente se tivermos em conta que temos péssimos políticos.
Não se vigiou, nem pôs travão à corrupção e até se criou a lei dos 60% - 40% , uma autêntica lei de Ali Babá e dos 40 ladrões, aprovada em AR. Simplesmente horroroso!

Agora chegou a hora de se escolher um novo Governo fantasma (como se sabe). Todos se digladiam e os abutres e chacais doutros governos anteriores já rodeiam o “homem novo” que se entusiasma em discursos inflamados, com alguns tiros nos pés. Fará alianças com o partido do outro homem, mas nunca com o dito. Verdadeiro acto democrático!
Entretanto as sondagens dão-lhe novo ânimo e o “homem novo” pede a maioria absoluta para ser governado pelo FMI. Um verdadeiro feito! Reinar para não ter reino.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Os políticos e os ventos do sul e oriente



Todos parecem andar felizes no Governo com a pseudo-recuperação das contas públicas, mas, na verdade, todo o mundo sabe que essa recuperação dos índices de Janeiro se devem aos dinheiros que o Estado angariou, roubando aos ordenados dos funcionários públicos (não todos obviamente), e recebeu dos aumentos do IVA e das portagens (com novas vias pagas, para lá das já existentes), além doutros desvios técnico-financeiros bem engendrados. Foi nesta sanha de ladroagem, legalizada com medidas à feição da mentalidade e inépcia destes políticos, que o saldo da dívida ficou um pouco adocicado, graças ao gerador de miséria criado na Assembleia da República, pelo partido do poder e pelo outro que, a breve trecho, lá quer ficar e reinar. Partidocracia de alterne que nos vem afundando desde os primeiros anos da democracia, deste pequeno, mas megalómano país, em decadência progressiva.
Podemos clamar bem alto e em uníssono que os nossos políticos e governantes, afectos aos partidos alternantes (que teimam eternizar-se…), são uma belíssima porcaria, uma nulidade, uma espécie de símios, aptos para governação de macacos e submissos, que fazem e desfazem leis como quem chupa rebuçados, procurando apenas manter os seus estômagos aconchegados e as suas contas bancárias recheadas e, se possível, longe das mãos dos macacos e submissos, não vá surgir alguma revolta tipo egípcia ou de algum Spartacus. Lamento, sinceramente, que não a haja e com finalidade correctiva! Sem os mesmos e sem os pretendentes ao mesmo!
Enquanto um funcionário público que ganha satisfatoriamente, incluído numa classe média (de baixa a alta), vai perdendo, mensalmente, de três a dez por cento da sua remuneração, a partir dos 1500 euros, assistimos impávidos à intocabilidade das contas dos ex-funcionários, também públicos e de classes médias, que vivem com iguais remunerações. Mas isso tem alguma lógica?!… Claro que não. Primeiro, porque muitos desses funcionários estão em escalões etários que, à luz das leis actuais, deveriam, ainda, estar no activo, já nem sequer falando dos tipos que fizeram da política uma profissão, em vez de terem dignificado o “acto cívico” da intervenção política. É que estes, com o factor multiplicativo do famigerado “tempo de serviço”, conseguiram, com dez anos de “ocupação política”, auferir um tempo de serviço duas vezes maior, ou seja, vinte anos. Depois, adicionados aos poucos anos da sua verdadeira (e única) profissão, acabaram por somar tempo bastante para serem APOSENTADOS da função pública, mesmo que na sua verdadeira profissão não tivessem sido funcionários públicos. Mas o pior é que a tudo isto (verdadeira engenharia de chico-espertice política) acresceram uma nova reforma chamada de “subvenção vitalícia”. Ah!, finórios.
E agora? Não querem mexer nas suas reformas (acrescidas da subvenção vitalícia política), pelo que, estando a maioria deles com remunerações entre os 2000 e os 5000 euros, decidiram que os aposentados acima dos 1500 euros não deveriam ser vítimas da “taxa de gatunagem” de 3% a 10%. Vê-se mesmo que a lei foi feita a pensar no seu futuro. Questiona-se: se um reformado não necessita gastar dinheiro nas viagens nem na alimentação relacionadas com o "seu trabalho", porque não descontam também a mesma taxa? Além de mais, a maioria já nem tem filhos pequenos, nem deverá ter grandes encargos financeiros (embora cada um os tenha à medida da sua bolsa), o que será mais um motivo para ajudarem na recuperação do “buraco” criado por eles próprios e pelos seus amigos que continuam no poder.
Mais, ainda, porque razão os aposentados dourados, com pensões acima de 5000 euros, na mesma linha de pensamento lógico, só descontam, para oclusão do “buraco”, uns míseros 10% do que passa acima dos 5000 euros? Ou seja, um ex-gestor e ex-magistrado (tipos com as melhores reformas) descontam apenas 100 euros por cada 1000 euros acima dos 5000. E além disso, como sabemos, poderão ser gestores doutras empresas, sendo reformados! Isso é que é roubar, ou antes, perceber de GESTÃO. Os que mendigam trabalho e remunerações justas à sua volta, que se lixem…aprendam a ser GESTORES. Sim GESTORES, uma espécie de neologismo político, com poucas dezenas de anos, que significa “EX-POLÌTICO, EX GOVERNANTE, EX-EMPRESÁRIO, mais concretamente, BOY POLÍTICO dos partidos que sabemos.”

Acho que deveríamos propor um REFERENDO sobre a RETIRADA AOS POLÍTICOS “aposentados” e aos que vão estar, com a mesma benesse (a que acham ter direito?…), da ignominiosa “SUBVENÇÃO VITALÌCIA” que não merecem, nem deverão ter direito.
Mais, proponho que nenhum político seja reformado sem ter atingido o limite da idade da reforma (lei nacional) e que seja reformado pela sua verdadeira profissão que não a de político, funcionário público. EXERCÍCIO POLÍTICO NÃO É PROFISSÃO devendo, isso sim, ser um verdadeiro acto de amor, dedicação e cidadania ao serviço do país
Também reformados não deveriam ocupar funções de gestão em empresas com capital público. Da mesma forma NINGUÉM deveria usufruir de acumulação de pensões.

Todos temos estado atentos e sentimos que os ventos sopram incómodos do norte de África e do Oriente. Às vezes a ventania sofre desvios inesperados e desaba em autênticos temporais que os homens não controlam. Formam-se turbilhões e autênticas catástrofes. Todos sabemos isso. As ameaças nunca avisam quando se tornam verdadeiros tufões incontroláveis. Mas o vento continua a soprar, agitado e sem GPS que o oriente…aguardemos a sapiência e a justiça do TEMPO. Os dinossauros já passaram à história dos tempos, mas foi o TEMPO que os fez desaparecer. Acautelem-se os novos dinossauros, mesmo os que pensam como símios pseudo-inteligentes, com bandos de macacos e submissos à sua volta.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Políticos…desgoverno…crise…sacrifícios

(texto também publicado noutros meus blogues)


Há coisas que nunca compreenderei, mesmo que estude e analise toda a bibliografia do mundo e todos os tratados de ética e boas práticas políticas.
Onde vão os nossos medíocres políticos buscar as razões lógicas para tanta asneira, tanto contra-senso e tantas injustiças cometidas? Que raio de lógica assiste à elaboração das “pseudo-leis” de conduta moral e cívica dos mesmos políticos e legisladores nacionais? Acho que apenas a lei dos próprios interesses pessoais e da classe social a que pertencem.
O país está como se vê: uma bagunçada económica e um antro de injustiças sociais, sequelas de más políticas durante trinta e cinco anos de incompetência primária desses políticos, em conivência com mercados de agiotagem, e corrupção de partidos e grupos económicos, mafiosa e descaradamente organizados. Somos roubados e explorados ao abrigo de leis ambíguas, cirurgicamente aprovadas e de utilidade selectiva. Fabricam-se grupelhos de amigos muito ricos, ao abrigo das tais ignominiosas leis, politicamente aprovadas, com prejuízo para a maioria da população que vê toda a riqueza nacional deslizar para o mesmo lado, de forma tão descarada e em nome das “regras do jogo”. Limpidez, nenhuma, apenas a limpeza do dinheiro que desaparece dos nossos olhos e dos nossos bolsos!
Ficamos todos estonteados pela “magia” do acto político que empobrece o povo, mas enriquece toda a bicharia política e seus correligionários. Qualquer ex- político, como é evidente, e poucos serão excepção, vive muito acima do valor das suas remunerações legais e objectivas, à custa de mordomias ou resultado das mesmas. Bancos, grandes empresas, fundações e outros organismos altamente lucrativos são dirigidos e usurpados por vários ex-políticos. Têm remunerações e reformas intocáveis por qualquer crise, além de indemnizações à barda. Claro que não há erário público que resista.
Quanto a injustiças sociais, sucede o mesmo. O Estado Social é paulatinamente destruído e, em questões de Saúde, já não há sequer um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde. Quase tudo foi entregue a grupos privados que vão sugando descaradamente os dinheiros públicos do orçamento do Ministério da Saúde. Basta ver os Hospitais EPE…só prejuízos, mas mantêm administradores em excesso e todos com boas remunerações e mordomias que nem lembram ao diabo. Já fomos o 12º melhor SNS do mundo, mas logo que entraram os “pseudo-gestores” e se criaram hospitais-empresas, foi um autêntico afundanço económico, sem ganho de qualidade e sem resultados visíveis. Até os médicos, hoje, se sentem muito mal dentro desse sistema, parecendo mais produtores de parafusos e pregos, a quem se exige determinada produção de consultas (mesmo prejudicando-se a observação dos doentes) e se obriga a um certo “carneirismo” já fora dos tempos actuais. Já viram o que seria uma equipa cirúrgica interromper uma cirurgia porque o seu horário terminara? Já pensaram na qualidade duma consulta, quando o médico tem que observar trinta doentes em duas ou menos horas, para aumentar a rentabilidade e a produtividade hospitalar? Pois é, mas isto é o que se exige aos clínicos. O doente é sempre a vítima, mas a sua posição de inferioridade, perante a situação e o sistema, não lhe permite estrebuchar, pois sujeitar-se-á a sofrer retaliações futuras.
Ainda na saúde, já viram os cortes (e já os havia) no transporte de doentes incapacitados e de baixos recursos económicos? Não acham um desaforo, autêntica vergonha, recusar ajuda nos transportes dos doentes, com tão poucos recursos (dói vê-los e alguns até faltam às consultas e tratamentos…não têm dinheiro para a deslocação e os táxis são muito dispendiosos) e ao mesmo tempo ver os principais administradores dos hospitais usufruir, à borla, de bons automóveis de serviço (para todo o serviço, entenda-se…). O mesmo sucede noutras organizações recentemente criadas, como a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em que há também automóveis de serviço à borla para vários grupos dirigentes. Uma vergonha, uma injustiça.
Reparemos, também, na Educação. As escolas eram geridas anteriormente por um Conselho Directivo, mas recentemente, mais um atropelo aos gastos foi criado com os agrupamentos escolares: um Director de Agrupamento com belíssimo acréscimo remuneratório que rondava os 750 euros; como não bastasse, mais uns quatro ou cinco adjuntos (para bater palmas?) que também recebiam cerca de 400 euros de acréscimo. Multiplicado por centenas e centenas de Agrupamentos, mais um desperdício de dinheiros públicos.
Claro que nesta crise já se decidiu uma redução quer do incentivo remuneratório quer do número de adjuntos do Director, mas, os que estão, ficarão e em nada se mexerá até novas eleições (os mandatos são de quatro anos, como só decorreu um, teremos “chuchadeira” mais três anos lectivos. Uma vergonha! É só desperdício e criação de “boys”.
Da mesma forma, com a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde, a despesa com Directores também sofreu acréscimo notório, mas não interessa, o povo pagará que se lixa!
É já muito antigo, mas também ignominioso: o subsídio de alojamento para juízes que trabalham fora da sua área residencial. Sem alterações da crise era de 770 euros, e poderia ser duplo para um casal de juízes. Ah, consta-se que este subsídio era vitalício, ou seja, mesmo após aposentação e já no seu domicílio, continuariam a receber essa quantia. Não interessa o povo pagará. De salientar que professores, médicos e outros funcionários públicos deslocados, salvo casos pontuais, nunca tiveram tal mordomia, e não lhes reconheço inferioridade na valia profissional e académica em relação a juízes e magistrados. O poder judicial, apesar do lamentável estado da Justiça, é enorme!
Porque não retiraram as subvenções políticas (quantia adicionada à da aposentação de todo o bicho político) agora com a crise? Esse dinheiro é um roubo aos cidadãos nacionais que trabalham honestamente e foi criado com os dinheiros vindos da UE no mandato de Cavaco com Mário Soares a PR. Uma outra vergonha! Há que retirar essa quantia que perfaz milhões de despesa do erário público e que nenhum político merece, pelo muito que já ganhou ilicitamente. E já agora, porque razão não vão cortar nas reformas de tantos funcionários pagos com dinheiros da “sustentabilidade” estatal, que têm remunerações melhores que os que trabalham e até vão agora piorar a situação? Há milhares de aposentados com reformas chorudas, e os seus colegas no activo, com idades iguais e até mais elevadas, estão a ser vítimas de roubo descarado. Um reformado já não paga deslocações para o trabalho, nem come longe de casa, nem tem tantos descontos como os activos. Então porque não ajudam a pagar a crise de que são tão “culpados” como os que trabalham. Será isto a justiça social nas democracias socialistas? Não entendo!
Não, não nos acusem de inveja. Já nos habituámos a ver tanta corrupção e ganhos ilícitos que estamos vacinados, no entanto não compreendemos os cortes nos ordenados de quem trabalha e em obrigações sociais do Estado para com os pobres e as classes mais desfavorecidas. Qualquer político que venha falar de pobreza extrema merecia que lhe arrancássemos a língua, pois é um autêntico atentado a quem sofreu as consequências das suas más e incompetentes governações. Estes desavergonhados continuam a não abdicar das suas mordomias e não olham para países mais ricos em que cada político utiliza apenas aquilo que lhe sai do ordenado normal. Portugal é governado por megalómanos que julgam que as riquezas deste país são apenas pertença sua. Espero que isto não dure muito, e, apesar de ser contra a violência, não me espantarei se em breve algumas “vendettas” começarem a surgir por aí. Vai então falar-se de anarquia, mas na realidade um país que não tem governantes que cumpram o acto de governação honesta e justa o que é? Uma anarquia pura! Zero de governo, zero de democracia, zero de justiça social.
Do Eng.º Sócrates, dito socialista, sinceramente esperava um maior sentido de Estado e um maior sentimento de equidade e justiça social. Estragou tudo com demasiadas mordomias e criação de maior despesismo em favor dos seus “boys”. Notoriamente inventou uma nova forma de governar, governando-se e dando muitas benesses a quem não as deveria ter. Criou demasiados novos lugares de chefias remuneradas, que antes nunca o foram. Foi mesmo só aumentar a despesa e o défice do Estado. Esperava dele precisamente o contrário.
De Passos Coelho não espero nada de novo, achando que vai repetir tudo quanto já foi erro, pois a filosofia política do PSD que gere é por demais conhecida e já tem provas dadas por outros líderes a quem não deverá desobedecer na lógica partidária. Aliás o seu discurso propalado em longas parangonas jornalísticas, mostram o seu famélico instinto e avidez pelo poder. Todavia, a sua preparação política ainda está a alguns anos luz doutros políticos de monta, incluindo Sócrates, apesar de todos serem, na sua essência, uns bons exemplares do princípio de Peters, com lastimável incompetência para tarefas de cidadania e serviços de gestão pública.
Sinceramente, em questão de partidos não vislumbro nenhum que possa SALVAR PORTUGAL dum desastre cada vez mais evidente. Teríamos que, massivamente, recorrer aos independentes e livres de compromissos sujeitos à disciplina partidária. Alguém que por puro acto de amor à Pátria e cidadania se limitasse a gerir honestamente os bens nacionais, sem intenções de se governar e aos seus amigos. Já sei que será uma utopia, um sonho, mas que será possível não duvido, contudo obrigaria a renegar muita gente, muita promiscuidade e pressão nacional e internacional.