terça-feira, janeiro 11, 2011

Políticos…desgoverno…crise…sacrifícios

(texto também publicado noutros meus blogues)


Há coisas que nunca compreenderei, mesmo que estude e analise toda a bibliografia do mundo e todos os tratados de ética e boas práticas políticas.
Onde vão os nossos medíocres políticos buscar as razões lógicas para tanta asneira, tanto contra-senso e tantas injustiças cometidas? Que raio de lógica assiste à elaboração das “pseudo-leis” de conduta moral e cívica dos mesmos políticos e legisladores nacionais? Acho que apenas a lei dos próprios interesses pessoais e da classe social a que pertencem.
O país está como se vê: uma bagunçada económica e um antro de injustiças sociais, sequelas de más políticas durante trinta e cinco anos de incompetência primária desses políticos, em conivência com mercados de agiotagem, e corrupção de partidos e grupos económicos, mafiosa e descaradamente organizados. Somos roubados e explorados ao abrigo de leis ambíguas, cirurgicamente aprovadas e de utilidade selectiva. Fabricam-se grupelhos de amigos muito ricos, ao abrigo das tais ignominiosas leis, politicamente aprovadas, com prejuízo para a maioria da população que vê toda a riqueza nacional deslizar para o mesmo lado, de forma tão descarada e em nome das “regras do jogo”. Limpidez, nenhuma, apenas a limpeza do dinheiro que desaparece dos nossos olhos e dos nossos bolsos!
Ficamos todos estonteados pela “magia” do acto político que empobrece o povo, mas enriquece toda a bicharia política e seus correligionários. Qualquer ex- político, como é evidente, e poucos serão excepção, vive muito acima do valor das suas remunerações legais e objectivas, à custa de mordomias ou resultado das mesmas. Bancos, grandes empresas, fundações e outros organismos altamente lucrativos são dirigidos e usurpados por vários ex-políticos. Têm remunerações e reformas intocáveis por qualquer crise, além de indemnizações à barda. Claro que não há erário público que resista.
Quanto a injustiças sociais, sucede o mesmo. O Estado Social é paulatinamente destruído e, em questões de Saúde, já não há sequer um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde. Quase tudo foi entregue a grupos privados que vão sugando descaradamente os dinheiros públicos do orçamento do Ministério da Saúde. Basta ver os Hospitais EPE…só prejuízos, mas mantêm administradores em excesso e todos com boas remunerações e mordomias que nem lembram ao diabo. Já fomos o 12º melhor SNS do mundo, mas logo que entraram os “pseudo-gestores” e se criaram hospitais-empresas, foi um autêntico afundanço económico, sem ganho de qualidade e sem resultados visíveis. Até os médicos, hoje, se sentem muito mal dentro desse sistema, parecendo mais produtores de parafusos e pregos, a quem se exige determinada produção de consultas (mesmo prejudicando-se a observação dos doentes) e se obriga a um certo “carneirismo” já fora dos tempos actuais. Já viram o que seria uma equipa cirúrgica interromper uma cirurgia porque o seu horário terminara? Já pensaram na qualidade duma consulta, quando o médico tem que observar trinta doentes em duas ou menos horas, para aumentar a rentabilidade e a produtividade hospitalar? Pois é, mas isto é o que se exige aos clínicos. O doente é sempre a vítima, mas a sua posição de inferioridade, perante a situação e o sistema, não lhe permite estrebuchar, pois sujeitar-se-á a sofrer retaliações futuras.
Ainda na saúde, já viram os cortes (e já os havia) no transporte de doentes incapacitados e de baixos recursos económicos? Não acham um desaforo, autêntica vergonha, recusar ajuda nos transportes dos doentes, com tão poucos recursos (dói vê-los e alguns até faltam às consultas e tratamentos…não têm dinheiro para a deslocação e os táxis são muito dispendiosos) e ao mesmo tempo ver os principais administradores dos hospitais usufruir, à borla, de bons automóveis de serviço (para todo o serviço, entenda-se…). O mesmo sucede noutras organizações recentemente criadas, como a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em que há também automóveis de serviço à borla para vários grupos dirigentes. Uma vergonha, uma injustiça.
Reparemos, também, na Educação. As escolas eram geridas anteriormente por um Conselho Directivo, mas recentemente, mais um atropelo aos gastos foi criado com os agrupamentos escolares: um Director de Agrupamento com belíssimo acréscimo remuneratório que rondava os 750 euros; como não bastasse, mais uns quatro ou cinco adjuntos (para bater palmas?) que também recebiam cerca de 400 euros de acréscimo. Multiplicado por centenas e centenas de Agrupamentos, mais um desperdício de dinheiros públicos.
Claro que nesta crise já se decidiu uma redução quer do incentivo remuneratório quer do número de adjuntos do Director, mas, os que estão, ficarão e em nada se mexerá até novas eleições (os mandatos são de quatro anos, como só decorreu um, teremos “chuchadeira” mais três anos lectivos. Uma vergonha! É só desperdício e criação de “boys”.
Da mesma forma, com a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde, a despesa com Directores também sofreu acréscimo notório, mas não interessa, o povo pagará que se lixa!
É já muito antigo, mas também ignominioso: o subsídio de alojamento para juízes que trabalham fora da sua área residencial. Sem alterações da crise era de 770 euros, e poderia ser duplo para um casal de juízes. Ah, consta-se que este subsídio era vitalício, ou seja, mesmo após aposentação e já no seu domicílio, continuariam a receber essa quantia. Não interessa o povo pagará. De salientar que professores, médicos e outros funcionários públicos deslocados, salvo casos pontuais, nunca tiveram tal mordomia, e não lhes reconheço inferioridade na valia profissional e académica em relação a juízes e magistrados. O poder judicial, apesar do lamentável estado da Justiça, é enorme!
Porque não retiraram as subvenções políticas (quantia adicionada à da aposentação de todo o bicho político) agora com a crise? Esse dinheiro é um roubo aos cidadãos nacionais que trabalham honestamente e foi criado com os dinheiros vindos da UE no mandato de Cavaco com Mário Soares a PR. Uma outra vergonha! Há que retirar essa quantia que perfaz milhões de despesa do erário público e que nenhum político merece, pelo muito que já ganhou ilicitamente. E já agora, porque razão não vão cortar nas reformas de tantos funcionários pagos com dinheiros da “sustentabilidade” estatal, que têm remunerações melhores que os que trabalham e até vão agora piorar a situação? Há milhares de aposentados com reformas chorudas, e os seus colegas no activo, com idades iguais e até mais elevadas, estão a ser vítimas de roubo descarado. Um reformado já não paga deslocações para o trabalho, nem come longe de casa, nem tem tantos descontos como os activos. Então porque não ajudam a pagar a crise de que são tão “culpados” como os que trabalham. Será isto a justiça social nas democracias socialistas? Não entendo!
Não, não nos acusem de inveja. Já nos habituámos a ver tanta corrupção e ganhos ilícitos que estamos vacinados, no entanto não compreendemos os cortes nos ordenados de quem trabalha e em obrigações sociais do Estado para com os pobres e as classes mais desfavorecidas. Qualquer político que venha falar de pobreza extrema merecia que lhe arrancássemos a língua, pois é um autêntico atentado a quem sofreu as consequências das suas más e incompetentes governações. Estes desavergonhados continuam a não abdicar das suas mordomias e não olham para países mais ricos em que cada político utiliza apenas aquilo que lhe sai do ordenado normal. Portugal é governado por megalómanos que julgam que as riquezas deste país são apenas pertença sua. Espero que isto não dure muito, e, apesar de ser contra a violência, não me espantarei se em breve algumas “vendettas” começarem a surgir por aí. Vai então falar-se de anarquia, mas na realidade um país que não tem governantes que cumpram o acto de governação honesta e justa o que é? Uma anarquia pura! Zero de governo, zero de democracia, zero de justiça social.
Do Eng.º Sócrates, dito socialista, sinceramente esperava um maior sentido de Estado e um maior sentimento de equidade e justiça social. Estragou tudo com demasiadas mordomias e criação de maior despesismo em favor dos seus “boys”. Notoriamente inventou uma nova forma de governar, governando-se e dando muitas benesses a quem não as deveria ter. Criou demasiados novos lugares de chefias remuneradas, que antes nunca o foram. Foi mesmo só aumentar a despesa e o défice do Estado. Esperava dele precisamente o contrário.
De Passos Coelho não espero nada de novo, achando que vai repetir tudo quanto já foi erro, pois a filosofia política do PSD que gere é por demais conhecida e já tem provas dadas por outros líderes a quem não deverá desobedecer na lógica partidária. Aliás o seu discurso propalado em longas parangonas jornalísticas, mostram o seu famélico instinto e avidez pelo poder. Todavia, a sua preparação política ainda está a alguns anos luz doutros políticos de monta, incluindo Sócrates, apesar de todos serem, na sua essência, uns bons exemplares do princípio de Peters, com lastimável incompetência para tarefas de cidadania e serviços de gestão pública.
Sinceramente, em questão de partidos não vislumbro nenhum que possa SALVAR PORTUGAL dum desastre cada vez mais evidente. Teríamos que, massivamente, recorrer aos independentes e livres de compromissos sujeitos à disciplina partidária. Alguém que por puro acto de amor à Pátria e cidadania se limitasse a gerir honestamente os bens nacionais, sem intenções de se governar e aos seus amigos. Já sei que será uma utopia, um sonho, mas que será possível não duvido, contudo obrigaria a renegar muita gente, muita promiscuidade e pressão nacional e internacional.

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