terça-feira, fevereiro 22, 2011

Os políticos e os ventos do sul e oriente



Todos parecem andar felizes no Governo com a pseudo-recuperação das contas públicas, mas, na verdade, todo o mundo sabe que essa recuperação dos índices de Janeiro se devem aos dinheiros que o Estado angariou, roubando aos ordenados dos funcionários públicos (não todos obviamente), e recebeu dos aumentos do IVA e das portagens (com novas vias pagas, para lá das já existentes), além doutros desvios técnico-financeiros bem engendrados. Foi nesta sanha de ladroagem, legalizada com medidas à feição da mentalidade e inépcia destes políticos, que o saldo da dívida ficou um pouco adocicado, graças ao gerador de miséria criado na Assembleia da República, pelo partido do poder e pelo outro que, a breve trecho, lá quer ficar e reinar. Partidocracia de alterne que nos vem afundando desde os primeiros anos da democracia, deste pequeno, mas megalómano país, em decadência progressiva.
Podemos clamar bem alto e em uníssono que os nossos políticos e governantes, afectos aos partidos alternantes (que teimam eternizar-se…), são uma belíssima porcaria, uma nulidade, uma espécie de símios, aptos para governação de macacos e submissos, que fazem e desfazem leis como quem chupa rebuçados, procurando apenas manter os seus estômagos aconchegados e as suas contas bancárias recheadas e, se possível, longe das mãos dos macacos e submissos, não vá surgir alguma revolta tipo egípcia ou de algum Spartacus. Lamento, sinceramente, que não a haja e com finalidade correctiva! Sem os mesmos e sem os pretendentes ao mesmo!
Enquanto um funcionário público que ganha satisfatoriamente, incluído numa classe média (de baixa a alta), vai perdendo, mensalmente, de três a dez por cento da sua remuneração, a partir dos 1500 euros, assistimos impávidos à intocabilidade das contas dos ex-funcionários, também públicos e de classes médias, que vivem com iguais remunerações. Mas isso tem alguma lógica?!… Claro que não. Primeiro, porque muitos desses funcionários estão em escalões etários que, à luz das leis actuais, deveriam, ainda, estar no activo, já nem sequer falando dos tipos que fizeram da política uma profissão, em vez de terem dignificado o “acto cívico” da intervenção política. É que estes, com o factor multiplicativo do famigerado “tempo de serviço”, conseguiram, com dez anos de “ocupação política”, auferir um tempo de serviço duas vezes maior, ou seja, vinte anos. Depois, adicionados aos poucos anos da sua verdadeira (e única) profissão, acabaram por somar tempo bastante para serem APOSENTADOS da função pública, mesmo que na sua verdadeira profissão não tivessem sido funcionários públicos. Mas o pior é que a tudo isto (verdadeira engenharia de chico-espertice política) acresceram uma nova reforma chamada de “subvenção vitalícia”. Ah!, finórios.
E agora? Não querem mexer nas suas reformas (acrescidas da subvenção vitalícia política), pelo que, estando a maioria deles com remunerações entre os 2000 e os 5000 euros, decidiram que os aposentados acima dos 1500 euros não deveriam ser vítimas da “taxa de gatunagem” de 3% a 10%. Vê-se mesmo que a lei foi feita a pensar no seu futuro. Questiona-se: se um reformado não necessita gastar dinheiro nas viagens nem na alimentação relacionadas com o "seu trabalho", porque não descontam também a mesma taxa? Além de mais, a maioria já nem tem filhos pequenos, nem deverá ter grandes encargos financeiros (embora cada um os tenha à medida da sua bolsa), o que será mais um motivo para ajudarem na recuperação do “buraco” criado por eles próprios e pelos seus amigos que continuam no poder.
Mais, ainda, porque razão os aposentados dourados, com pensões acima de 5000 euros, na mesma linha de pensamento lógico, só descontam, para oclusão do “buraco”, uns míseros 10% do que passa acima dos 5000 euros? Ou seja, um ex-gestor e ex-magistrado (tipos com as melhores reformas) descontam apenas 100 euros por cada 1000 euros acima dos 5000. E além disso, como sabemos, poderão ser gestores doutras empresas, sendo reformados! Isso é que é roubar, ou antes, perceber de GESTÃO. Os que mendigam trabalho e remunerações justas à sua volta, que se lixem…aprendam a ser GESTORES. Sim GESTORES, uma espécie de neologismo político, com poucas dezenas de anos, que significa “EX-POLÌTICO, EX GOVERNANTE, EX-EMPRESÁRIO, mais concretamente, BOY POLÍTICO dos partidos que sabemos.”

Acho que deveríamos propor um REFERENDO sobre a RETIRADA AOS POLÍTICOS “aposentados” e aos que vão estar, com a mesma benesse (a que acham ter direito?…), da ignominiosa “SUBVENÇÃO VITALÌCIA” que não merecem, nem deverão ter direito.
Mais, proponho que nenhum político seja reformado sem ter atingido o limite da idade da reforma (lei nacional) e que seja reformado pela sua verdadeira profissão que não a de político, funcionário público. EXERCÍCIO POLÍTICO NÃO É PROFISSÃO devendo, isso sim, ser um verdadeiro acto de amor, dedicação e cidadania ao serviço do país
Também reformados não deveriam ocupar funções de gestão em empresas com capital público. Da mesma forma NINGUÉM deveria usufruir de acumulação de pensões.

Todos temos estado atentos e sentimos que os ventos sopram incómodos do norte de África e do Oriente. Às vezes a ventania sofre desvios inesperados e desaba em autênticos temporais que os homens não controlam. Formam-se turbilhões e autênticas catástrofes. Todos sabemos isso. As ameaças nunca avisam quando se tornam verdadeiros tufões incontroláveis. Mas o vento continua a soprar, agitado e sem GPS que o oriente…aguardemos a sapiência e a justiça do TEMPO. Os dinossauros já passaram à história dos tempos, mas foi o TEMPO que os fez desaparecer. Acautelem-se os novos dinossauros, mesmo os que pensam como símios pseudo-inteligentes, com bandos de macacos e submissos à sua volta.

1 comentário:

Tiago Couto disse...

De volta aos anos 60!

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