terça-feira, novembro 22, 2005

Qual o Rei...quais fidalgos...quais arautos da desgraça?...

Hoje apetece-me reflectir de novo, algo que desperte o marasmo em que quotidianamente me afogo, para dar voz ao pobre deputado da abstenção que vive manietado no meu mundo imaginário de alienações mil.
Nada melhor que pensar um pouco na frenética e absurda corrida dos presidenciáveis, dos quais um vai, apesar de tudo, receber o meu assentimento, quanto mais não seja, para cumprir o meu fadário de humílima cidadania lusitana. Sim, que neste recanto quase afogado por euro-atlânticas ideias, quem se abstém, jamais obtém. Da abstenção à obtenção o fosso é mais que uma mancha trans-atlântica, partindo das "búshicas" Américas até aos "putínicos" Montes Urales. Sei que não dá para entender, mas a pretensão é mesmo essa...já que, contrariamente ao habitual, é a Raínha que vai nua, para regalo dos cortesãos.

É certo que o verdadeiro Rei já anda por aí coroado, tendo emergido duma noite de ausência, vivendo, num quase silêncio de eterno "tabú", as euforias dos seus apaniguados. Fala pouco, mas é muito falado...acho que demais. Oxalá se enganem nas "doutas" sondagens que já o colocam no seu "real" pedestal de vidro, que ao menor "Tsunami" poderá ser transformado em mil vidrinhos baços e sem o brilho por tantos desejado. Não hipervalorizem o Rei, antes relembrem as suas velhas e pouco famosas peripécias de desperdício do erário público e dos milhões, então de escudos, que os euro-crentes lhe entregaram. Lembrem-se mesmo, dessa riqueza que hoje poderia estar aplicada neste miserável reino, mas que se quedou pelos ocultos bolsos e disfarçados neo-riquismos dos seus "boys" e apaniguados seguidores. Será este o Rei que necessitamos? Um sepulcral e esfíngico baluarte de tudo quanto de péssimo nos aconteceu durante os anteriores dez anos de reinado? Quem não se sente, dizem que não é filho de boa gente! E que gente somos então?!... Espero que não continuemos a ser os eternos masoquistas do reino.

Numa bipolaridade "rosa desbotada" surgem-nos dois pretensos fidalgos, tentando destronar o Rei. Qual dos fidalgos tem sangue verdadeiramente "rosa"? O velho e experiente humanista, com ideias floridas de tanta teia de aranha cultural e europeia, que pretende voltar a ver o "dejá vu", ou o inquebrantável, ousado e eloquente vate que se atreveu a escolher um "rosa mate" versus um "rosa desbotado" de tanto uso.

Escolham amigos, escolham que a reinação vai entreabrir as portas das mil promessas, e Pandora vai mostrar o miolo da sua secreta caixinha.

Com as suas flautas andam outros menores arautos, quais vendedores da sua pescaria, buscando, nas águas irrequietas desta atlântica proa, uma forma de auto-promoção barata. Que escolha será a deles, quando todo o peixe estiver apregoado e vendido?
Creio que acabarão por, já tarde e a desoras, vociferar "Abaixo o Rei, Morra o Rei". Este, em metálicas gargalhadas gritará "Abaixo os vendilhões da lota"

E assim, este maldito e miserável Reino, continuará na sua lenta e progressiva marcha rumo às profundezas do inferno terreno.

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