sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O erro político...dimensão da culpa

Ao menosprezar a atitude do Presidente Jorge Sampaio, Santana Lopes reconheceu, por fim, ter errado. Afinal o demissor não se afastava dos anseios da maioria do Povo que passou um cheque em branco ao candidato do PSD.
Creio que só os seguidores e apaniguados do Governo moribundo ainda acreditavam no incrível e inviável.
Será Santana o único culpado dos erros cometidos pelo Governo demissionário? É claro que, à partida, um erro não exigirá sempre culpados, mas sempre responsáveis. E quem foi responsável pelo descalabro em evolução? Porventura apenas aquele homem que, apesar de narcisista quase desde o berço, não deixou de acreditar em si próprio, poderá receber o carimbo da culpa? Pessoalmente acredito que não. Santana Lopes é apenas um correponsável pelo falhanço governativo anterior, mas entendo ainda que talvez não tenha sido o maior dos corresponsáveis, porque alguns se esconderam, mal e posteriormente, por detrás da evidência e protagonismo do cabeça de Governação. Até andaram na campanha pré-eleitoral disfarçados e clamando isenção de responsabilidades na prática dos seus erros.

Agora vai-se formar novo Governo que se aguarda com ansiedade. Eivada de secretismo, talvez por razões de segurança e para não descambar numa escolha desastrosa, a formação do elenco requer muitas cautelas e escolhas selectivas. Entendo que não se poderá abusar de nomes que pisaram as veredas do Guterrismo, caso contrário veríamos e sentiríamos o peso duma continuidade que também foi um erro. Será que duma corresponsabilidade negativa pretendemos confrontarmo-nos com outra semelhante? Cuidado Engº Sócrates, as atenções e vontades rapinantes caem sobre as suas escolhas. Os censores, desde os orgãos de comunicação aos empresários e trabalhadores, estão ávidos de informação e prontos a criticar, mesmo antes da actividade e dos erros futuros. Sim, erros futuros, pois não julgue o futuro Primeiro-Ministro que vai ter um Governo inócuo e isento de erros. Mas, muita atenção, com culpas ou sem culpas desses erros, seja responsável por parte deles, e acima de tudo tente fazer tudo para que esses erros sejam irrelevantes para o mal-estar dos portugueses que confiaram no seu projecto.

É claro que nem sequer tem o Governo formado, mas acredite que vai ter choro e ranger de dentes entre muitos camaradas seus e amigos que forem preteridos, essencialmente entre os mais convencidos e senhores dos seus botões, também algo narcisistas, que se julgam insubstituíveis nesta ou naquela pasta. Ignore essas atitudes, pois só poderão vir de quem lhe possa crer mal e se julgue melhor que os melhores. Estes últimos não costumam ser narcisistas e vivem recatados na sombra de grandes obras, por vezes ainda desconhecidas por pouco propaladas, face à sua humildade. Fuja dos vaidosos que por já terem estado em lugares políticos se vão perfilar na primeira linha para serem mais visíveis. Olhe mais para as filas de trás, onde os mais capazes não alardeam qualidades. A humildade não procura visibilidade ostentatória.

Para finalizar direi como todos sabemos: "Errar é humano", mas também sói dizer-se que "na primeira quem quer cai, na segunda cai quem quer"

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