terça-feira, maio 10, 2005

Fragmentos ...de factos e anti-factos (2)

Hoje li algures que a Galp Energia obteve lucros de 162 milhões de euros no 1º trimestre de 2005. Lucros! Lucros!
No entanto o petróleo ultrapassa os cinquenta dólares o barril...todos sabemos. Os nossos bolsos pagam os combustíveis a preços onerosos...nunca vistos. Prejuízo! Prejuízo!
Os transportes públicos têm preços que ...mordem qualquer carteira de cidadão comum.
Mas, a GALP ENERGIA tem ciclópicos lucros...quem diria, numa altura de recessão económica, período de vacas magras, proliferação de desemprego e pobreza extrema, enfim...uns tipos ganham ao desbarato, outros, que são a maioria (aqui nunca tem razão) morrem de fome e espantam-se com tamanhos lucros, sem conhecerem a cor do dinheiro.
Mas tristezas não pagam dívidas, sói dizer-se, pelo que alegremo-nos, pois alguém é feliz à custa da nossa infelicidade...de ordem social, económica e política. Sim, política, digo bem, pois é a permissividade política que contrói tamanhos lucros...e tanta pobreza.
Urge distribuir lucros, sem prejuízo para empresários, mas não vejo porque há-de ser tão vasto o lucro. Menos uns milhões e eles eram ricos à mesma...e o sobrante fazia muita gente feliz, num país de tanta lágrima oculta.
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Também li que o pessoal, que anda nas estradas, vai comer por medida se não tiver os coletes reflectores dentro dos padrões exigíveis. A Brigada de Trânsito disse que não vai perdoar os 60 euros de multa. Sem perdão...nem tolerância!
Achava muito bem se tudo fosse bem explícito, quando se começou a publicitar a necessidade desses coletes a partir de 23 de Junho. Mas que aconteceu?
O povo, vendo coletes à venda, desde feiras, lojas chinesas, supermercados, gasolineiras, etc., tratou de se fornecer, ignorando, por falta de informação, as verdadeiras referências do material exigido. A nível dos media, jornais e televisões, nunca se viu, até hoje, insistir na informação e elucidação correcta das características dos coletes apropriados. Era necessário haver imagens diárias nesses meios de comunicação, além doutras fontes de informação correcta, de molde a que as pessoas não tivessem já comprado coletes que afinal não servem e serão objecto de multa. Quem vai retribuir aos compradores o dinheiro aplicado na compra desse material impróprio que comprou sem qualquer informação prévia? Devolver os coletes ilegais, como alguém disse, é simplesmente risível, pois as lojas e os feirantes não aceitarão...às vezes nem recibos deram das compras efectuadas, e até dirão que não foram compradas naquele local!... Só agora vejo as primeiras explicações sobre as características desses coletes, e em revistas de automóveis, na sua maioria. Para que serve a televisão do Estado? Não poderia exibir informação diária sobre este facto, com imagens explícitas, de firma a evitar futuras multas? Ou estará o Estado interessado em multas para rechear os cofres e pagar ordenados à BT.
Já agora, se somos membros da UE, porque não poderão as etiquetas ser redigidas em qualquer das línguas oficiais da mesma UE? E que qualidade atribui a referência da norma 471, sob forma de EN471 ou NPEN471, ao colete reflector? Se nada lá estiver escrito o colete tornar-se-á menos visível e eficaz? Já entramos no jogo dos coletes de marca, como nas roupas e calçado? Isto cheira-me a negócio...com múltiplos interessados, como se depreende.

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