despesismo de alguns…sacrifício de todos

Nos primeiros anos, como a entrada de dinheiros era abundantíssima, foi um fartar de vilania com criação de BPN’s, empresas pessoais e muitos outros organismos estatais. Quase todos os políticos começaram a enriquecer de forma inexplicável, e a usufruir de mordomias nunca imaginadas, extensíveis a familiares e amigos. Criaram-se as famigeradas subvenções políticas que se juntavam às reformas dos políticos e as engordavam um pouco mais. Os poucos anos de prática política quase duplicavam os anos de serviço destes funcionários públicos feitos à pressão, mas estes sim, os funcionários públicos que hoje são ricos e ganham bons ordenados, mas melhores reformas.
Todavia sabemos que ninguém lhes vai retirar essa benesse adicional, imerecida, a que deram nome de “subvenção política”. Pois acreditem que há milhares de ex-políticos (deputados, autarcas, vereadores, ministros, secretários, etc…) que usufruem desse injusto e imoral acréscimo, numa reforma que, na sua essência, nem deveria ser de funcionário público, pois muitos só o foram enquanto efémeros políticos que colocaram os seus interesses pessoais e familiares muito acima do interesse nacional.
Os anos foram decorrendo e com os cortes cada vez maiores no influxo de dinheiros vindos da UE, as despesas mantiveram-se a bom ritmo, por vezes com maior intensidade. Mudavam-se os protagonistas políticos, mas as mordomias continuavam. Os ex-políticos eram promovidos a gestores de vários níveis em empresas estatais, EPE’s, PPP’s, etc. Bons lugares, melhor remunerados, mas ocupados por “boys” incompetentes, perdulários e oportunistas.
Na sua essência continuavam a ser funcionários públicos (mas estes, sim, bastante ricos) pois os dinheiros estatais é que lhes pagavam e pagam os ordenados e as mordomias bem conhecidas de todos os portugueses. Se reformados, com douradas reformas, também estas continuaram e continuam a sair dos cofres do Estado. Todos estes gestores contribuíram e contribuem, com uma multiplicidade de despesas, para a criação do nosso enorme défice nacional. Se continuarem com essas mordomias e ordenados, além de enterrarem as empresas que gerem, vão afundar ainda mais o País. Primeiro porque são, na maioria das empresas que dirigem, uns autênticos incompetentes, valendo-se da eficácia possível dos seus directores adjuntos e outros profissionais das referidas empresas. A comprová-lo estão os resultados observados e as múltiplas críticas de trabalhadores dessas empresas (funcionários públicos, na sua maioria de baixas remunerações e já sujeitos a vários congelamentos e cortes de promoção nas suas carreiras) .
Nos últimos tempos, descobriram-se múltiplos buracos nas contas dessas e outras empresas que evidenciaram a má gestão das mesmas. No entanto os gestores ganham bem e até dividem prémios anuais imerecidos. Os trabalhadores, esses vêem-se com iguais remunerações e novos congelamentos das carreiras, como se realmente fossem os culpados do descalabro da empresa. Mas, é a norma desde há milénios e o mexilhão é que paga sempre as favas.
Hoje vemos em vários programas das televisões e acérrimos artigos jornalísticos, autênticas mezinhas para resolução do défice, fornecidas por ex-políticos, ainda bem remunerados pela sua anterior ineficácia governamental, mas hoje detentores de soluções que na sua experiência governamental não colocaram em prática. Vale a pena perguntar-lhes porque razão obtiveram soluções tão tardias para a resolução de problemas que eles próprios alimentaram anos atrás. Não diriam que foi por interesse nacional, mas que talvez nessa altura ainda precisavam de submissão à disciplina partidária para melhor remuneração futura e aquisição de maior prestígio pessoal, ou até que globalmente amadureceram! Sim, cada um desculpa-se como achar conveniente, pois cada tempo tem suas conveniências, essencialmente para os oportunistas.
Em resumo, o País está mal, diremos péssimo, mas à custa dos oportunistas e delapidadores do erário público. Quem foram os culpados? Bom, acho que ninguém levantaria um braço, sequer um dedo, num acto de pura contricção e auto-culpabilidade, sob risco de enorme vaiadela e eventual apedrejamento em praça pública. Mais fácil será culpabilizar, indirectamente, todos os funcionários públicos, colocando no mesmo saco os que não têm “pedigree” político com os que o têm. Mas há que fazer a diferença: uns e outros perderão nas remunerações base, mas os de melhor “pedigree” não poderão perder mordomias que os outros nunca tiveram, nunca terão, mas continuarão a pagar como se tivessem.
O que para os “rafeiros” será perda significativa, para os outros serão uns “trocos”. Mas todos continuarão a lutar pela sobrevivência num autêntico “mundo cão”.
Neste plano, cada vez mais inclinado rumo ao abismo da recessão, creio que têm que ser os autóctones e nunca os FMI’s a colocar ordem num País que é de todos e onde todos têm que ceder algo do que possuem, mas de forma justa, equitativa e proporcional, pois alguns só poderão doar a força do seu trabalho, porque outras riquezas não arrecadaram.
(Publicado em simultâneo noutro blogue do autor)
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