sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Vender a Pátria a retalho...salvação dos incompetentes

Ultimamente, como sói dizer-se, têm acontecido coisas do arco da velha, cá dentro e lá fora.

A eleição de Cavaco não molestou muito as mentes oposicionistas que até deixaram de badalar o facto e têm agora novos entretenimentos de maior relevo e não menor preocupação, como sejam os ecos cartunóides (cartoon like), mundo além, com posições basbaques, mundo aquém, e as novas intempéries económicas com privatização do nosso já parco património estatal que parece só dar lucros de milhões, nas mãos de gestores privados...coisa que não dá para entender muito bem, ou então sempre é fortemente verdade que os gestores públicos, “boys” dos sistemas partidários vigentes, não passam de verdadeiros incompetentes que apenas se governam, à fartazana, e prejudicam os interesses nacionais.
Se não prestam porque os nomeiam e assistem, impávidos, ao seu absurdo exercício de péssima gestão? Acaso haverá interesse que o País vá à ruína, e que os bens de todos nós sejam esbanjados estupidamente por aqueles a quem confiamos a governação? Se não conseguem governar, e, muito menos, gerir, obviamente demitam-se e dêem o leme a quem sabe gerar riqueza nacional, sem enriquecimento de grupelhos partidários e grupos económicos instalados. Basta de sanguessugas do erário público, e má gestão de governantes apenas interessados em riqueza pessoal e dos seus apaniguados seguidores e aduladores.

Será que as EDP, PT,TAP, BRISA, etc., só produzem lucros nas mãos de grupos privados? Se sim, expliquem porquê? Melhor gestão e menores gastos? Menos oportunistas a mamar da teta? Operários no activo mais produtivos, apesar de serem os mesmos que trabalham para o interesse público?
Acho que será um pouco de tudo. Se um Belmiro ou Jerónimo qualquer Coisa se tornarem principais proprietários de uma PT ou EDP, podemos ter a certeza que não terão automóveis e condutores privados para qualquer dirigente da empresa, também não concederão mordomias e alcavalas a torto e a direito, não alimentarão tantos “boys” como o governo partidarizado, e por aí fora. Em suma, vigiarão e controlarão o desperdício, evitarão o roubo descarado, pagarão conforme o arquétipo governamental, e apenas meia dúzia de gestores e administrativos bem pagos, chegarão para segurar devidamente o leme da empresa. Ora, nas empresas estatais o pessoal menor trabalha e produz para um infinidade de pseudo-gestores e adjuntos de adjunto, equipados com bons automóveis por conta, telecomunicações e cartões de crédito também por conta, pagos a peso de ouro e com futuro garantido a redobrar, e se despedidos bem “indemnizados” e “reintegrados”... uma loucura de desperdício e roubo ao Estado (que, sabe-se bem, somos todos nós, os que a seguir pagamos a factura da carestia e dos impostos “necessários”).

E se assim é, que fazer? Será que a privatização dos bens estatais vai resolver os problemas do endividamento público duma máquina estatal pesada, gastadora, esbanjadora e, acima de tudo, a criadora dessas dívidas, por má gestão dos bens de todos nós?
Talvez, por alguns tempos, mas não passará de um peixe dado a quem teria que pescar para suprir a fome futura. É necessária, isso sim, uma boa organização e gestão económica das empresas estatais, mas, acima de tudo, menos indivíduos “superiores” mal classificados e glutões, e muitos mais operários que sejam eficientes. Tudo isto sob uma batuta imperativa: fiscalização de gastos e gastadores, atitudes punitivas para esbanjadores e eficácia produtiva. Quanto às remunerações, muita justiça laboral, menor amplitude e discrepância do leque salarial inter-pares e apenas gratificar o mérito e eficácia.

Vamos continuar como dantes, tenho a certeza, e com as privatizações vamos é empobrecer o erário público, sofrer danos punitivos fiscais e enriquecer grupos económicos já bem instalados e visando monopólios descontrolados. Depois, a breve trecho, com este ou outro Governo, continuaremos a pagar défices criados pelo super despesismo da máquina governamental (a mais dispendiosa da função pública, face a tanta mordomia, ordenados altos e alcavalados, reformas chorudas...etc.), pela fraca produtividade nacional, face ao pobre investimento privado e até público (este deveria apostar mais e melhor nas empresas públicas criadoras de riqueza), por uma desorganização colectiva que até parece já paradigma de um povo acostumado a nada ter, na sua generalidade.

Concluindo, questionarei, como aquele garoto que interrogou o pai sobre quem pagaria aos governantes deste País, se um dia tudo o que fosse do Estado passasse para mãos privadas. E se essas mãos privadas fossem estrangeiras...de quem seria a nossa Pátria? Ou já não seria a “nossa Pátria”, mas a Quinta dos Estrangeiros e seus Vendilhões?
Vendam, vendam a privados que o verdadeiro País acabará morrendo na ocidental praia lusitana...às mãos gananciosas dos traidores duma Pátria moribunda.

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