As Reformas da Dona Lurdes Rosa Desbotado (1ªparte)

A Dona Lurdes era uma senhora bem relacionada nas políticas rosas e, quando menos contava, deram-lhe um Ministério, de mão beijada. Como tinha um amor de perdição pela docência, para a qual não tinha jeito nenhum, lembrou-se de aceitar a oferta, para se vingar nos que para isso tinham jeito, mas por tal não se perdiam de amores.
Ai tendes jeito para a coisa, então preparai-vos para a vingancinha desta " Malvina Cruela" das Reais Ensinanças, que desde tempos quase infantis pretende esvaziar a bílis sobre aqueles que simbolizam os seus recalcamentos da Escola Primária...e por aí adiante.
Instalada na sua ebúrnea cátedra, lança-se num desenfreado périplo sobre as suas vítimas. E porque não?... tantos reformistas houve que mais um, neste sector de recicladas e babélicas mudanças, nem seria móbil de reparo. E porque não tomar medidas cujo populismo caísse no goto dos Pais e suas Associações? Assim seria mais fácil, o alarido das vítimas seria abafado pelo dos Pais e quejandos... era bem feito! Seria um laudatório paternalista!
Porquê misturar Ensino com Educação, se nós até "já nascemos ensinados" e precisamos é de Educação! (Onde é que eu já ouvi este "slogan"?). Bem visto, os professores que eduquem os filhos dos outros que, coitados, não têm tempo enquanto trabalham e fazem outras coisas. Não precisam ensiná-los. À noite, em casa, os Pais ligam-lhes o computador, a TV, a Playstation, etc, e tal é uma forma de serem ensinados...para quê perder tempo de Ensino nas aulas? Deixar as "crianças" viver em plena gozação a vida familiar, brincando, telefonando, jogando, APRENDENDO as Reais Ensinanças, porque na Escola os docentes estariam para, obrigatoriamente, os EDUCAR.
Afinal aquela gajaria que os educava até ganhava bem de mais para as poucas horas que ensinava e nenhuma que educava... tanto dinheiro...tão poucas horas de trabalho lectivo...tanta baixa médica... tanto tempo de férias...tanto artigo "cento e não sei quantos"... e tão jovens no atingimento da reforma (até parecem políticos)!Eram uns privilegiados!
A Dona Lurdes, vendo só a face que lhe interessava nesta batalha, esqueceu-se das outras faces e, vai daí, começa a sua REFORMA, nem sequer se dando à baixeza de discutir o assunto com os docentes e seus representantes. "Quero, posso, mando". Este seria o seu lema, copiado de hitlerianos e ortodoxos compêndios. Os Pais ajudariam, pelo que até teriam um bónus: participar na avaliação daqueles malandrotes que serviriam de amas-secas aos seus rebentos.
Conviria não falar que aqueles patifes pertenciam à única classe laboral que era fiscalizada regularmente de 45 em 45 minutos, que anualmente teriam que concorrer para arranjar um local aleatório de trabalho, pois isso poder-lhes-ia conceder algumas atenuantes...mas afinal também não são deputados, nem médicos, nem juízes!
As crianças deveriam estar cedo na Escola e ser vigiadas com a maior regularidade possível...para tal, os professores tinham que "andar por aí", nos átrios escolares, desempenhando papel de amas-secas, logo deveriam ser controlados. Talvez até fosse oportuno colocar-lhes um "chip", como "carrapatas, atrás das orelhas"...seriam melhor controlados.
Além de mais, há para aí muito professor sem qualidade, com cursos obsoletos e sem licenciaturas ou bacharelato, que não percebe nada do que é o Ensino, por isso, há que BANIR a palavra ENSINO da Reforma da Dona Lurdes.
Ensinados terão que ser os docentes, portanto há que os preparar para serem bons educadores, e terão que lutar pela subida na carreira à custa de muito serem espremidos por colegas, amigo e inimigos...a luta deverá ser sangrenta entre eles, transformar cada professor em inimigo doutro professor! Quereis ser TITULARES, merecei o título! Mas lembrai-vos que nem todos podeis ser dignos da titulação... só quem for amigo do amigo, tiver cartão colorido e, vá lá, baixar as calças e lamber as botas do gestor!
Se os tempos intercalares de progressão são lentos, já sabeis: é necessário manter-vos com ordenados baixos muito tempo, tereis de reformar-vos sem atingir o topo, deveis ajudar a Dona Lurdes nas poupanças nacionais.
Ah!, lembrai-vos que não podeis ficar doentes, ou então tereis que adivinhar que ides mesmo estar doentes, para avisares com antecedência! Nada de casamentos, de gozo de licenças de parto, de nojo, etc., pois podeis passar ao excedentarismo... cautela com a mobilidade. Não se mexam demasiado, podem exorbitar da cena de trabalho, e quem sai de cena passa aos excedentes.
Mas a saga da Dona Lurdes ainda mal começou e já anda esta gajaria a fazer greves! São uns indecentes! E logo nos feriados, pensará Dona Lurdes! Porque é que não fizeram antes aos exames nacionais? Assim poderia fazer requisição civil...malandros, gozaram-na.
Bom, isto vai longo e afinal o espaço não se esgota, contrariamente ao tempo que esvoaça e foge, pelo que vou interromper aqui a primeira parte do grande sonho reformador de Pires de Lima...Oh, que estupidez, queria dizer da Dona Lurdes Rosa Desbotado.

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