terça-feira, janeiro 08, 2008

Morrer sim...mas com dignidade


Entramos neste novo ano, não do Senhor, mas dos senhores...sempre os mesmos na decisão das nossas vidas, e cada vez mais, na das nossas mortes. Pagamos tudo com dinheiro que não temos, mas nos roubam na usurpação diária, em nome da correcção dum défice que todos corrigimos, mas alguns protegidos apenas construíram. Quem não ganhou, mas trabalhou, não pode criar défices... quem muito ganhou, mas para tanto não trabalhou, esse sim gerou o monstro do défice. Portanto que lute e pague para o corrigir.

A morte não paga défices, mas os pobres vão pagando o défice criado pelos ricos, com a própria morte. Já não se marcha no sentido duma "saúde tendencialmente gratuita", mas antes "tendencialmente paga" a peso de ouro e, acima de tudo, pela perda da própria vida, num permanente mecanismo de morte lenta...

Ontem, nos "Prós e Contras" viu-se a miséria de assistência na saúde que nos espera, e que já se vinha adivinhando. Já falei disso e muitos, mais competentes que eu também o fizeram, mas as vozes do deserto são fumo que se esvai...enquanto os "donos da batuta" vão regendo a orquestra a seu belprazer e mirando apenas os seus umbigos anafados e destilando desprezo pelo semelhante que sofre e definha de miséria anunciada.

O interior vai-se esvaziando de interesse e a sua população vê-se forçada a "vazar" se quer sobreviver. A regionalização é uma promessa do impossível, perante o contexto do abandono e da falta de incentivos à fixação de populações. Só um cego ou louco, não vê que, onde não existem condições de sobrevivência nem de justiça social, o povo só ficará se pretender o suicídio. Será assim que vamos fixar as pessoas no interior, onde não há meios de transporte frequentes e apropriados às suas, cada vez maiores, necessidades de subsistência, face ao desaparecimento de SAPs e Urgências, capazes de lhes resolver atempadamente os problemas de saúde urgente? Parece ridículo retirar tantos centros assitenciais na doença das populações mal servidas de meios de transportes e com pior rede viária, e quase manter todos esses centros nos grandes centros urbanos, bem servidos de todos esses meios de mobilidade e dotadas de maiores capacidades técnicas e maior concentração de meios. Afinal a logística da saúde nacional é mesmo uma BATATA! Tira-se a quem já não tinha e dá-se ou mantém-se a quem tinha mais e melhor!
Realmente a política de Saúde resume-se na destruição dum SNS que já ocupou uma honrosa 16ª posição no ranking mundial, e agora esta em 19ª na UE, com pseudo-gestores de craveira, mas autênticos comissários políticos, pagos ao preço que todos sabemos, e com equipas que chegam em alguns hospitais EPE aos 12 e até 14 administradores! Aqui pretendo dar um "obrigado" ao Dr Almerindo Marques que vai destruir nas Estradas de Portugal as enormes mordomias e alcavalas. Oxalá o Governo começasse a copiar este magnânimo gesto em todos os Serviços Estatais, incluindo o próprio elenco governativo desde as cúpulas às Autarquias. Se tal fizesse, haveria mais dinheiro para a Saúde, Educação, Justiça e bem-estar de todo um Povo que já está a merecer que lhe aliviem as costas de tanta "porrada" e injustiça social.
Definhar sim, mas devagar e com justiça... se os ricos e protegidos gostam de comer e viver bem, os pobres gostariam pelo menos de usufruir de um terço de todo esse conforto... e não era pedir muito, na vida e na morte, pois depois da "ceifa final" todos continuaremos a ser cinza e outra poeiras.

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