terça-feira, março 12, 2013

Mulher de olhar choroso









Mulher de olhar choroso,
abre as mãos esqueléticas, vem construir,
neste charco lodoso,
o lupanar das púdicas côdeas,
onde possamos sorrir
ao vendaval das mortes serôdias.
 
Mostra as unhas de nojo
e com elas lacera teus seios de fome…
lança o sangue de rojo,
sobre este pântano de verdura
onde o pão que ninguém come
se faz  rosas de ternura.

vem comigo sonhar
entre a humanidade que inventei
numa noite de luar diamantino…
vem comigo forjar
um mundo que sempre desejei…
um mundo por definir, genuíno.

(Negrelos, 31/01/73)

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