terça-feira, maio 21, 2013

Epitáfio para um pós Troyka...requiem por um País

                                                                     (imagem da net)


Há muitas coisas que nos espantam, não porque sejam deslumbrantes mas sim desconcertantes. Para além das verborrágicas teorias da negação descarada de afirmações efectuadas no planeamento das ambições futuras, aparecem-nos agora, os artistas de sempre para futurar sobre o presente inacabado. Ainda o apocalipse se desenrola e já temos estudos pós apocalípticos, para se discutir a viabilidade e o sexo dos escombros em contínuo desmoronamento. Lembra-me alguém que pretende iniciar a reconstrução do prédio destruído a partir do telhado, ou falando com maior acutilância, estudar a forma de sangrar um porco já bem sangrado. Aqui não há “big-bangs” nem se constroem tesouros a partir de casas despojadas.
Sabemos que Cavaco Silva pretendeu apenas (e reforço apenas) arranjar uma forma de confirmar as medidas orçamentais e colocar Portas na senda dos consensos excepcionais e necessários, para que o Governo não se esbardalhe, como sói dizer-se. Afinal, em nome da segurança da Pátria e para que haja um fluxo normal dos ideais troikanos, a prática tem que prevalecer até ao fim.

Perspetivas da Economia Portuguesa no Pós-Troika, no Quadro de uma União Económica e Monetária Efetiva e Aprofundada”. Eis o móbil do crime. Mais parece uma parangona jornalística para alimentar polémicas de taverna e discussões de corredores de Academia. Melhor ficaria se titulassem: “Perspetivas de elaboração dum epitáfio no quadro de um genocídio efetivo e troikano”.
                                                            (imagem da net)

Não se sabe o que acontecerá, com o efeito da austeridade, daqui até Junho do próximo ano. Não se sabe se a União Económica e Monetária prevalecerá. Não se sabe se os decisores cá estarão ou se andarão à bofetada. Contudo fala-se de uma hipotética situação de utopia existencialista. Ah! Heróis, isto é que é vaticinar, numa autêntica apologia a Nostradamus!
Quando é que o sonho da competitividade e do crescimento sustentável vai criar raízes? Quando apenas restarem cinzas, cadáveres adiados e famélicos abutres dançando nos escombros? Talvez… mas será tarde. Os “mecanismos de supervisão, de resolução de crises e de garantia de depósitos dos bancos” não fazem milagres perante a possível situação a que se vai chegar com as medidas que constam da última reavaliação. Numa situação de letargia total, com milhões de infra-homens humilhados e abandonados à desdita, que se lixem os “equilíbrios adequados, a disciplina financeira e a solidariedade e estímulo à actividade económica”. Já não estamos em tempos de milagres de Canaã.
Na minha perspectiva, e quiçá de muita gente, tratou-se de mais um acto de teatralidade, uma farsa de mau gosto, num dia em que deveriam respeitar a data de autonomia dos Açores, com referência ao facto e envio de representantes governamentais ao território insular. Mais um acto voluntário e premeditado de desnorte. E pretendem estes salafrários ser acolitados por pessoas e gestos de bom senso. É já público que o comunicado, passado após a “grande farsa”, nada transmitiu do que nela se falou. Balelas, puras balelas!
                                                                    (imagem da net)

Os incapazes que se demovam e deixem de alimentar a sua incompetência. Já lá vão dois anos e que se vê? Tudo aquilo que é evidente: depressão, recessão, tristeza, miséria, desemprego, falências, suicídios… enfim, apenas a face mais negativa e pessimista que um povo pode ver e sentir. Até a esperança se arredou do coração deste povo destroçado.

1 comentário:

Um Jeito Manso disse...

Perfeito. Análise justíssima, acutilante a focada.

Será, dbo, que vamos ter que amargar este veneno até ao fim? Acabaremos todos exangues, sem soberania? Será que não vamos conseguir ver-nos livres desta praga?

Começo a temer o pior...