terça-feira, abril 23, 2013

Pátria ferida... a dor e o alheamento.

                                                                 (imagem da net)



Por vezes sinto-me impelido a mergulhar as mãos no passado. Remexer nas palavras e papéis esparsos, buscando réstias dum jovem sonhador e rebelde que fui e de que muito me orgulho.

Reviver sem remorsos as esperanças de outrora, faz-me esquecer as agruras de agora. Realizado sim, mas algo inconformado com as deletérias atitudes e práticas suicidas dos nossos timoneiros de hoje. Não que me julgue superior, mas sinto-me homem livre e liberto de preconceitos e execráveis submissões. Mantenho-me, orgulhosamente, com carimbo de “não vendido”.

Custa, num quotidiano de embrulhadas irresponsáveis, ver fugir sob os pés o verde/vermelho da nossa bandeira que se vai transformando num cinzento/negro desbotado, rumo à fogueira das inutilidades. Um dia, não longínquo, quando o sangue e as cinzas dum povo não puderem ser Fénix renascida, quiçá alguns deuses menores se lembrem que existiu, algures, esse povo resistente e submisso, que voltará mas não se sabe quando, nem em que marasmático estado.



                                                                 (imagem da net)



Deixo, então, a simplicidade e caloirice de antanho, neste pequeno poema que…



                                                                       É de todos”


Entre a multidão,
sigo, embrulhado numa luta
que é de todos.

Caminho, em silêncio,
recalcando meu sofrimento
que é de todos.

Sofro, por saber
que outros não sentem minha dor
que é de todos.

Sofro com os homens,
inertes, fingindo alheamento
que é de todos.

Não vou sofrer mais…
Sinto nos homens a traição
que é de todos.

(Negrelos, 22/09/1972)

1 comentário:

Um Jeito Manso disse...

Que a indignação perante a destruição, o desinteresse e o marasmo se mantenha viva e intensa como se fossemos para sempre jovens - é o que lhe desejo a si tal como desejo para mim. E muita saúde e alegria!