terça-feira, dezembro 28, 2004

Aprender a não ser...a essência da aprendizagem

Os humanos apresentam, na sua generalidade, uma instintiva tendência para fazerem o contrário do correctamente certo.
Talvez a caixa de Pandora não se escancarasse se lhe pedissem que a abrisse, mas a ordem contrária aguçou-lhe a curiosidade e as calamidades tornaram-se libertinas. E o mesmo se poderá dizer do pomo proibido que tentou Adão.

Politicamente a lei da contradição e contrariedade tem uma aplicabilidade excessiva e prejudicial ao bom funcionamento das instituições e ao desenvolvimento de qualquer país.
No Parlamento há uma eterna oposição das forças bipolares maioritárias, em que, os que detêm a maioria, sempre encontram sistemática oposição dos seus adversários a tudo o que apresentam de bom ou mau para o povo. E isto leva a que o país não avance, em detrimento de tricas interpartidárias, esgotando-se paciência, tempo e dinheiros públicos em prol da diversão parlamentar.
Será que não haveria maior lucro para o país aceitarem-se as melhores ideias de todos, num pacto de estabilidade consciente e equilibrado, de forma a que saísse uma solução válida para todos e não apenas para alguns? Creio que todos ganharíamos com essas atitudes de consenso, em vez de cada partido se impor ao seu adversário só porque tem maioria e pode, a seu bel prazer, vencer a sua, mesmo com prejuízo dessa maioria que os elegeu.

Mas teima-se em dar continuidade à eterna lei da contrariedade, sem se dar ouvidos aos mais sensatos e conhecedores que se fartam de falar para o vento.
Vem um partido ganhador e logo se preocupa em desfazer o que o anterior tinha feito de positivo, mesmo reconhecendo algumas virtudes nesses factos...isto é vontade de contrariar e jamais de corrigir ou fazer melhor. A verdade é que temos o país que temos desde os idos de Abril de 1974, porque todos os que passaram pelo poder apenas quiseram deixar as marcas da sua política, na técnica do faz e desfaz, sem nunca reconhecerem o que estava razoável ou bem feito, só para se vangloriarem que deixaram o seu cunho...sempre o melhor, mesmo não o sendo, e sem olhar a efeitos colaterais. O povo que se lixe...permita-se a expressão.

É tempo dos políticos dos maiores partidos eleitos encontrarem uma forma consensual, aproveitarem alguns valores dos outros e, num pacto de estabilidade para o país, fazerem a reconstrução deste Portugal que cada vez se vai afundando, de Governo em Governo, sem que o povo tenha culpa mas sofra todos os efeitos de tão más governações. E, embora a ideia não seja apenas minha, se entenderem que não são capazes de levantar o País, peçam ajuda aos bons ministros dos países com políticas económicas e sociais mais florescentes e eficazes...se necessário importem esses ministros e paguem-lhes o que ganham no seu país, que será menos que aqui provavelmente. Não foram importar do Brasil as chefias da TAP? E os resultados não foram óptimos, apesar de alguém tentar dizer o contrário, mas sem credibilidade para tal? Os portugueses querem, como sói dizer-se, quem os governe bem e não quem se governe bem, deles se servindo. É mais que tempo de abrir olhos e ensinar os políticos a não serem os destruidores do seu país e mostrar-lhes que por caminhos ínvios da governação só os seus bolsos e os dos seus “boys” é que ganharão. Os nossos fundos económicos estão a bater no fundo e, quando não houver dinheiros e valores públicos, será o povo que nada terá porque, quem se governou, bem ficará...cá ou lá..

A essência da aprendizagem política não se ganha na má prática de uma aleatória passagem pelos meandros governamentais, mas sim aprendendo a não ser um seguidor obsessivo de disciplinas partidárias erróneas e obsoletas que conduzam uma pátria e o seu humilde povo à miséria terceiro-mundista. Espera-se renovação de quadros e políticas nas próximas eleições de Fevereiro, caso contrário...todos sabemos o que sucederá

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