terça-feira, julho 17, 2012

A tragédia ... e a comédia. "Cratices"

(imagem da net)


A semana foi rica em subtilezas desastrosas para o clube maniqueísta dos neoliberais entronados. Na morbidez dualista, entre as fronteiras do público e privado, agiram em conformidade com as suas quase impolutas ideias de contorcionismo político “troikano”, mas pensaram como suínos assolapados nas pocilgas  dos seus sonhos deificantes. Falsos deuses, nas suas frágeis torres de marfim, receando um sopro de revolta que escaque tamanha fragilidade.

Fingem que lutam mas nada constroem, nada implementam, num autêntico abulismo de pedras parideiras. Em seu redor a monotonia das coisas é deveras degradante. Deixam uma paisagem que faz jus aos tempos de antanho, em que nada se fazia para que nada mudasse o suficiente que provocasse danos colaterais.Só que estes danos existem, crescem, avolumam-se e são demasiado óbvios. Caminhamos na senda do caos, orientados pela cegueira desse clube maniqueísta. Não haverá apoteose sem derrocada!

Desde o que apodaram de “Divina Comédia do Crato aos “Três em um” de Relvas, a procela vai triturando os sonhos dos que, até agora já pouco esperançosos, mastigavam o tempo restante. Não dá para desânimos porque o lema será como sempre, “há que aguentar”, com educado estoicismo. Os portugueses são assim, fiéis à sua bovina submissão, mesmo que guiados por doutoral idiotice.
Razão tem o Dr John Hoover, consultor de empresas, um dos mais prestigiados   estudiosos de administração de empresas e relações humanas, quando diz: “Chefes idiotas são o soluço mutante da evolução organizacional com uma imunidade semelhante à das baratas diante das calamidades que dizimam pessoas realmente talentosas e criativas. Ainda assim os idiotas podem servir a funções valiosas, desde que não estejam no comando. A má notícia é que, em geral, eles estão no comando. A boa notícia é que pessoas talentosas e dedicadas podem dar a volta por cima da situação e prosperar, apesar de seus chefes…Quase todo mundo trabalha ou já trabalhou para um chefe idiota” (in “Como trabalhar para um idiota”).
Esperemos que, pelo menos, a solução final se oriente pela “teoria das fraldas dos bébés”, que acabam por ser mudadas quando estiverem encharcadas de fezes ou urina. 

(imagem da net)

A verdadeira apoteose do criador da “Divina Comédia”, supracitada, acabou por se transformar numa autêntica catátrofe para os seus actores. O palco abriu-se como sugadora cratera e engoliu os artistas que desde longa data vinham achando seguro o piso que calcavam.

Professores já com mais de 35 anos de carreira, pertencentes ao quadro de escola e alguns já com mais de 60 anos e aposentação pedida, viram-se reduzidos ao horário zero, empurrados para a mobilidade (a minha esposa está nesta caricata situação). 
Uma verdadeira comédia resultante de famélico reformismo dum cretino, mais parecendo “Cratino”,  pois de erro de “casting” se trata. Creio que vai tentar solucionar o problema, mas a cretinice imperou e não vejo grandes hipóteses de efectuar limpeza da maquilhagem dos actores, por muita perícia cosmética que possua.
Cada vez mais o princípio de Peter se vai demonstrando e comprovando nas habilidades governativas destes estapafúrdios neoliberais .



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