terça-feira, julho 03, 2012

Serviço Nacional de Saúde... uma valsa agonizante



Não é por acaso que agora apareceram mais umas empresas de serviços médicos (quem serão os espertinhos?) a tentar ganhar uns cobres à custa dos prestadores de serviços (enfermeiros, médicos e quiçá pessoal de limpezas). Até seria óptimo conhecer a essência dessa tessitura organizacional e talvez nos esbarrássemos em “boys” do mesmo poleiro, ou seus colaterais.
É colocar os enfermeiros numa autêntica cloaca social, quando são brindados com a famélica quantia de 3,96 euros líquidos, por cada hora laboral. Afronta e baixeza, além de espelhar um país que se está (desculpem-me o termo) a cagar para a saúde e para os que a prestam. 
Já aqui disse que, para estes ultra-liberais, praticantes de políticas de saca-rolhas, o lazer e o entretenimento são o verdadeiro elixir da vida, mas esta vida, no seu essencial, não lhes interessa e, ainda menos, quem dela cuida. Viva o ultraliberalismo de sentina, praticado por cérebros tacanhos, miasmáticos e apologistas da eterna procrastinação!
Este não é um governo que cuida e ama o seu povo, mas um agente morbígero. Só a falta de lucidez e cegueira conseguem aturar tal epidemia até ao tutano.
Espero que este povo maltratado não clame, aos ventos e luzeiros celestes, a subserviente frase do circo romano: Ave Caesar morituri te salutant”. Morrer sim, mas, por uma má causa, em nada enaltece as pessoas, nem o país.










Ainda na Saúde, parece incrível o que agora acontece em alguns hospitais, pelo menos aqui no Norte, incluindo aquele em que trabalho. E não digam que não é verdade, como o fez, assobiando para as nuvens, o ministro Paulo Macedo na notícia de 16/06/2012 http://www.ionline.pt/portugal/ministro-da-saude-garante-nao-ha-orientacao-racionamento-no-setor .
Todos os doentes, e não são tão poucos, que tomam medicamentos orais fornecidos pela farmácia hospitalar, viram as suas doses habituais reduzidas a um fornecimento quinzenal e, muitas vezes mais curto, tipo conta-gotas.
Antes do G14, focado na notícia de 10/04/2010 http://www.ionline.pt/portugal/g14-hospitais-norte-conseguiram-desconto-50-cinco-medicamentos, ainda forneciam quantidades que eram suficientes para tratamentos mensais, mas agora o facto rasa o impensável, em nome da austeridade e falta de crédito hospitalar (?). É, no seu melhor, o racionamento quase “cubano” da nossa rede hospitalar. Os gastos, como é óbvio, são maiores, pois obrigam doentes, que residem nas áreas de influência mais longínquas (alguns a cerca de 20 Km do hospital) e com parcos recursos económicos, a duplicarem despesas mensais. No entanto o que sucede? Alguns doentes por grave insuficiência económica, acabam por não levantar a sua medicação e ficam, por vezes, metade de cada mês sem os fármacos obrigatórios.
Nem é preciso ser demasiado inteligente para se concluir que, assim, os tratamentos são ineficazes. A realidade é que isto sucede e com desculpas bacocas. Porventura não ficaria mais barato ao Estado, fornecer a medicação para um mês inteiro, já que a maioria dos doentes tomam essa medicação com carácter crónico, como os portadores de leucemias crónicas, de trombocitemias essenciais, carcinomas de mama em hormonoterapia de cinco anos, doenças auto-imunes, etc.? Afinal a despesa tem que se fazer, porquê dividir tanto e com compartimentação e revestimento técnico dos comprimidos. Duplicam-se despesas das viagens em locais que já foram amputados de vários meios de transportes públicos, e onde o povo tem reformas miseráveis. Melhor seria que o próprio hospital disponibilizasse uma carrinha para deixar os medicamentos nos vários Centros de Saúde, alguns a mais de 20 quilómetros. Bastava organizar listas de doentes e respectivos locais de entrega, fazendo com que a despesa nacional fosse mais pequena, com sobrecarga única para a instituição hospitalar que pouco aumentaria ao seu défice. Muitas vezes poupa-se no farelo para se gastar na farinha!
Acho que a tendência será para piorar, já que alguns fármacos já faltaram e outros começam a faltar, mesmo custando, como o Clorambucilo (Leukeran), cerca de 1,63 euros por caixa de 25 comprimidos. É que aqui, também interessa a alguns laboratórios ter maiores lucros, e não fornecem, porque, noutras paragens, ganham mais com esse mesmo produto.
Tirem as conclusões e vejam, na realidade, em que fosso este ultraliberalismo está a meter o nosso SNS que já foi o 12º melhor do mundo.
Sendo boa gente, sentimos, no “mimo” de cada golpada desferida, o aumento da ferida do défice e as cicatrizes dum povo acorrentado.
É facto que estamos na ponta ocidental da Europa, mas não poderemos, por esse facto, ser considerados a cloaca da U.E., nem duma “troika” que deveria prestar contas pela sua má governação (já que Passos Coelho e colaboradores, apenas são mandatários…), uma vez que tem responsáveis e avaliadores. Não basta culpabilizar (intensamente) Sócrates e (ligeiramente) os governos anteriores! Há que chamar as alimárias pelo seu nome, sem subserviência e sem “troikofobia”!



2 comentários:

Um Jeito Manso disse...

Bravo, Caro DBO,

Que corajoso manifesto. Fico estarrecida com isto. Se não se governa para melhorar a vida das pessoas, então qual o sentido do exercício da governação?

Quem julga que está a fazer bem, não tem dois dedos de testa que lhes permita perceber que estão a destruir a vida presente e futura das pessoas?

Quem espalha a pobreza, não percebe que, tarde ou cedo, a pobreza baterá também à sua porta?

As suas sugestões que revelam que sabe pensar e sabe fazer contas, infelizmente são 'lenha a mais para a camioneta destas pessoas'. Não leu as várias notícias como o nº2 do Governo obteve a sua licenciatura?

Segundo se lê por todo o lado, fez num único ano toda uma licenciatura (e resta saber como, ainda assim a fez). E, aparentemente, conseguiu essa benesse dado o seu curriculum e a equivalência a cadeiras anteriormente. Ora, segundo também se lê, teria feito uma única cadeira de um outro curso, tendo obtido um 10 nessa disciplina.

Ora, com este tipo de escolaridade, como quer o Caro DBO que saibam fazer análises de custo-benefício e tomem medidas acertadas?

E é isto o que me apraz dizer, repetindo que gostei muito de ler o que escreveu. Tenha uma boa noite.

dbo disse...

Cara UJM,
realmente li hoje alguns excertos sobre o trajecto académico, demasiado conturbado, do verdadeiro conselheiro do PC. Acho, no entanto, que por detrás de tudo isto há uma mãozinha do Engº Ângelo Correia, o mobilizador e empregador inicial de ambos, que também gere, como vogal, ao que consta, os bens da fundação Ilídio Pinho. A Fomentinvest empregou, pela primeira vez,se não me engano o actual PM, e houve interacção com a empresa onde trabalhou MR ─ a FINERTEC. Creio que é um autêntico cozinhado, quiçá promiscuidade, de amigos e interesses.
Acho que daqui não poderemos tirar grande sumo. A ver vamos.